Gusto Motard
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Crónicas dos Saltos à Tasca do Gusto Motard na cidade do Porto

  Quem diria que quando começamos os Saltos à Tasca na cidade do Porto, em 18 Julho de 2012, que iríamos ter tanto apetite!

  O que é certo é que no passado dia 6 de Agosto de 2015, 3 anos depois, completamos as 100 "Tascas" do Porto, e melhor de tudo é que não ficamos por aí! A cada semana a contagem aumenta e descrevemos aqui o que vivemos todas as quintas feira!

  Delicie-se com cada crónica, veja as imagens no Facebook do GustoMotard e melhor de tudo, apareça numa quinta feira para nos fazer companhia à hora do almoço!

  Bom apetite!




Salto à Tasca - 113

Sins Sandwich - Modernices....saborosas!

Rua xxxx, nr.xxx (Porto)

   Por norma não escolhemos espaços tão recentes ou que sejam da moda. No entanto qualquer novo sitio pode entrar na nossa categoria de Tascos! Porque não? Tasco ao nosso ver é sem dúvida um local onde podemos comer e apreciar o espaço, degustar a especialidade da casa e estar descontraidos a dar duas de letra.

   O Sins, por muito que custe, encaixa na perfeição. No entanto o menu distingue-se da normalidade dos locais que costumamos frequentar. Aqui saboreiam-se diversos tipos de Sandwichs, não fosse esta a especialidade.

   E não é que elas são fantásticas? E variadas, tendo sempre um toque especial do chef que as prepara. Todas elas levam condimentos especiais e nas quais há sempre um toque de personalidade artistica.

   Tudo corria  bem quando o primeiro problema aparece. A sandwich para entrada estava ótima! O problema é que para prato principal tinham que vir no minimo outras duas o que por bem que nos pareça, o bolso ressente-se pois falamos do tipico sitio em que grão a grão sobe a conta ao morcão!!!

   Apesar de tudo, o Sins merece uma visita e uma re-visita pois a qualidade é boa, o atendimento satisfatório

Salto à Tasca - 112

Churrasqueira Cristal - O Cristal não engana... ou era o algodão?

Rua xxxx, nr.xxx (Porto)

   A churrasqueira Cristal é a tipica churrasqueira que coloca as imagens dos pratos na montra, o assador virado para a rua e que espeta uns quantos pratos do dia para que ninguém diga que não tem variedade.

   O melhor de tudo é que mal entramos, e antes de dar um par de passos reparamos que ao nosso lado temos um presunto e um tabuleiro de natas! Acho que o resultado estava à vista. Se a isto juntarmos a sugestão das papas de sarrabulho temos o caldo entornado.

   As papas estavam deliciosas e o presunto sequinho como um virote.

   Eu numa churrasqueira peço sempre a especialidade que como não podia deixar de ser, é o churrasco! Se assim não for mais vale fechar as portas. O misto encheu-me as medidas e de vinho veio medida e meia que também eramos três.

   No final o nosso parente pobre das sobremesas, o queijo com marmelada. O café rematou a conta e os 10 euros a cada conviva chutou-nos para fora do campo.

   Sem comprometer, saímos da Cristal bem dispostos e satisfeitos, sabendo que em caso de necessidade, temos umas papas bem boas à disposição.

Salto à Tasca - 111

Café Novo - Novo já foi um dia...

Rua xxxx, nr.xxx (Porto)

   O Café Novo é um estabelecimento que olha a Praça da República desde a esquina com a Rua da Boavista.

   Com uma história de várias décadas no centro do Porto, nada manteve na última das suas remodelações. Quem me acompanha diz que se lembra de muitos e bons lanches e cafés demorados. Tudo o que tem história e anos de atividade é um chamariz para o Gusto. Mas aqui não encontrei nada que me saltasse à vista.

   Os pratos económicos misturados com as alternativas de snack incluem-no na mediania dos típicos cafés da cidade invicta.

   Como não podia deixar de ser um dos pratos do dia nesta quinta feira era as tripas à moda do porto e quando assim é a ecolha fica logo feita. Os meus compinchas dividiram-se pelas tripas e pelos pregos em prato.

   Tirando a sopa de nabos e a possibilidade de comermos uma natinha com o café não há muito mais a dizer sobre a saltada a este antigo, novo, café da invicta.

   No final a vantagem de sairmos com a boca doce e com pouco mais de 8 euros gastos dava para cobrir a amargura de não encontrar história neste estabelecimento comercial. Busquemos o próximo.

Salto à Tasca - 110

Restaurante Casa Patusco - Simplicidade em Faria Guimarães

Rua Faria Guimarães, nr.169 (Porto)

   A Rua de Camões e a Rua Faria Guimarães são as que mais despertam a curiosidade dos motociclistas, visto que é nestas duas ruas que se concentram a maior parte dos stands de motas na cidade do Porto.

   Assim sendo, é normal que já as tenha feito centenas de vezes, sempre atento para ver quais as novidades que aparecem nas montras. Mas apesar de todas estas passagens, nunca tinha reparado numa montra que em vez de motociclos ou equipamentos, apresenta antes uma dúzia de mesas que gritam por atenção.

   Por muito que gritem, o que chamou a minha atenção foi mesmo o reclame a assinalar o Patusco e o seu toldo rosa e preto.  De Patusca a casa não tem muito. Apresenta-se com uma sala sem segredos onde os azulejos nas paredes são o único colorido do dia. Os poucos clientes já nem ligam à azáfama dos carros que sobem a rua e apenas deitam sentido ao telejornal que se inicia, como sempre, às 13h em ponto.

   No entanto em 110 saltos à tasca já aprendemos que nem sempre o melhor aspeto corresponde aos melhores petiscos.

   Começo a ler a lista e eis que logo em primeiro lugar aparece um prato que não me lembrava de ouvir falar: Guisado!

   Era mesmo isso! Sai um guisado que eu dou já conta dele! Os meus compinchas foram na costeleta de porco grelhada, pois o guisado já era. O que também já não havia eram as tripas. Está visto que o Patusco até tem variedade, só não tem é quantidade!

   No entanto a minha dose estava bem servida e com um ótimo sabor. Não fosse a gula e nem precisava de adoçar o bico com um queijo e marmelada, esse parente pobre das sobremesas! Com um atendimento simples, um espaço sem muita identidade e algumas lacunas no serviço, não é de esperar que os milhares de carros que sobem a Rua reparem no patusco, apesar de ter as montras escancaradas para o mundo.

   Falta-lhe o brilho de uma casa com alma e a paixão de quem serve para matar a fome. No final os 8 euros e pico não pareciam justos nem injustos, antes pelo contrário! Uma coisa era certa, ficamos consolados com o consolo de termos a esperança de nos consolarmos na próxima semana! Adeus Patusco!



Salto à Tasca - 109

Restaurante Rito - Boa mesa com certeza!

Rua Antero Quental, nr.783 (Porto)

  O Restaurante Rito passa quase despercebido na Rua Antero Quental para todos os que vêm de Arca D'água em direção ao coração da cidade. A mim passou-me desde sempre e não fosse a dica de alguém próximo, iria continuar a passar.

  Por norma recebo algumas indicações de onde ir no Salto seguinte, mas desta vez foram mais longe. Começaram por me dizer da variedade de pratos que faziam (todos tradicionais), até à generosidade das doses (que comprovamos), ao bom ambiente (que se veio a verificar), até à conta simpática, que confirmamos.

  O restaurante é um misto de boas sensações. Não é excessivamente grande mas souberam aproveitar bem o espaço conseguindo no final um bom número de lugares, tem uma decoração simples e moderna (graças também ao uso de cores vivas) mas mantendo um azulejo que nos remete para a tradição da maioria dos antigos restaurantes do Porto. Vemos alguma pedra ao descoberto nas paredes, um televisor plasma mas também um relógio de parede. Tudo parece passar despercebido mas marca a sua presença no final.

  Pelo meio comemos, e bem! Já avisados da quantidade algo generosa (que notamos e enaltecemos), alguns foram numa sopinha prévia para enganar e depois pedimos uma dose e meia de rojões para os 4.

  A dose e meia veio bem servida em quantidade e variedade. Ótimos rojões, tripa enfarinhada, batata bem frita e um arroz bem feito. O vinho foi da marca "sem rótulo" o que começa a ser uma marca em ascensão, que não me incomoda, desde que não seja feito "sem uvas" e assim fomos trincando e conversando ao longo da nossa hora de almoço.

  A sala encheu mas nem por isso o serviço diminuiu de qualidade, e por falar em qualidade já era hora da sobremesa. Os apetites dividiram-se entre a tarte de amêndoa e a salada de frutas. Marchou tudo!

  O café é sempre o mau da fita pois comunica quase que em toque de corneta que a hora de almoço chegou ao fim! Restou-nos pedir a conta que dividida pelos 4 ficou pelos 9.50€, o que achamos ser uma boa relação, qualidade preço.

  Para quem quiser comer bem e com pessoal espevito, é passar um dia destes no Restaurante Rito!



Salto à Tasca - 108

Taberna O Ferrador - Uma surpresa no Freixo!

Rua do Freixo, nr.1258 (Porto)

  A Taberna O Ferrador foi mais uma das surpresas que fomos tendo ao longo de 108 Saltos à Tasca na cidade do Porto.

  Há muito que eu subia e descia a Rua do Freixo reparando nas portas de vai vem que barram a entrada da Taberna. Junto a uma curva ligeiramente apertada, o estabelecimento de pedra revestido a azulejo suscitava a minha curiosidade profunda!

  A cada passagem, abrandava e deitava o olho. Por cima das portas via cordas, garrafas, taças antigas, pedra, madeira e acima de tudo um ambiente parecido com uma mina! Sim, uma mina! Sabem quando passamos à porta de uma mina e tudo nos atrai mas ao mesmo tempo nos mete medo!?

  Pois bem! Era assim que me sentia e não podia mais viver com esta curiosidade! Hoje foi o dia!

  Entramos no local como sendo estranhos! Nós os 5 éramos mais do que os clientes que lá estavam... e que depois vieram a estar! olhei à volta e tudo parecia estranho e surreal... mas acima de tudo encantado! Pois tudo o que é genuíno, antigo, simples, básico e direto me encanta!

  Encanta-me que ao fundo eu veja um quadro antigo que anuncia os petiscos do dia (se calhar do dia à 30 anos atrás), que ia desde codornizes a chispe, passando nas bifanas e acabando no bucho! Melhor do que isso é ter ao lado a vender... Nestum! E ainda melhor do que isso é que estava em promoção! Compre 1 leve 2 por 1.40€... A sobremesa ia ficar para a história certamente!

  A claridade do exterior passava sobre a porta e tornava o ambiente sombrio! No entanto sentimo-nos bem, protegidos entre as paredes de pedra vendo os antigos edifícios da EDP no outro lado da rua em ruínas!

  Veio a comida... e que bom aspeto! Uma saladinha mista de entrada e uns belos rojões de seguida! O vinho era daquele sacana sem escrúpulos que de tão mau parece champagne! Que borga!

  A hora de almoço passou a correr e a conversa ia ligeira. O queijo com marmelada no final adocicou a boca e o café deu o toque de recolha... A recolha para o mundo real, para o mundo evoluído e tantas vezes ingrato... ingrato para casas como esta onde não há wi-fi ou etiqueta. Onde nos tratam de uma forma familiar como mais nenhum... onde não há vinho de marca mas há a promoção do Nestum!

  A conta? Não chegou a 6 euros a cada um...



Salto à Tasca - 107

Restaurante O Buraco - Buraco meio cheio!

Rua do Bolhão, nr.95 (Porto)

  Quando me falaram do Restaurante o Buraco, rapidamente associei ao Buraquinho, da Praça dos Poveiros! Mas a associação fica por aqui, pois mais vale um Buraquinho do que meio Buraco!

  Dito isto, acrescento mais umas coisas, pois enquanto escrevo dá tempo para vir um pão e uma manteiga para enganar a fome! A sala é grande tendo em conta que estamos no Buraco mas a quantidade de mesas torna o espaço um bocado claustrofóbico! Há ainda uma sala na cave mas a mesa teve que ser a indicada!!! Ainda para mais, este é um local que enche rapidamente à hora de almoço tal é a afluência!

  A razão prende-se certamente por ser um local já antigo na cidade do Porto, que apresenta uma lista variada e que respeita a gastronomia tradicional portuguesa. Entre pesquisas e perguntas, constatei que uma das opções mais pedidas era o arroz de pato. Sendo eu um adepto fervoroso deste prato, não hesitei em pedir.

  No entanto confesso que ficou um bocado aquém da expectativa. O facto de estar demasiado passado e coberto de queijo em pó que não chegou a derreter, não me fez as delícias. Por outro lado, os meus colegas de almoço foram nos rojões e parece que tiveram melhor sorte.

  A zona do Bolhão continua a ser um centro nevrálgico da cidade do Porto e por isso a quantidade de pessoas que por aqui passam continua a ser uma mais valia para este restaurante. No entanto pergunto-me no final o que será que leva a isso? Sei que a casa é antiga, há uma grande variedade de pratos e todos eles mais ou menos regionais. No entanto mesmo sem sobremesa achei um almoço sensivelmente caro! Mas isto sou eu pois o que é certo é que o Buraco está diariamente cheio! Mas quando está cheio... deixa de ser um buraco!



Salto à Tasca - 106

Casa Porto Ginjinha - Ginjinha com elas...

Travessa Cimo de Vila, nr.8 (Porto)

  O Porto-Ginjinha tem ginja sem rival, tem "Eduardino", o melhor de Portugal.

  Quem o diz é uma placa que na parede apresenta o ex-libris desta casa. Casa com mais de 60 anos, diz quem a gere que é a casa preferida dos atores que ali ao lado representam, no Teatro Nacional de S. João. Há quem diga que dá sorte, outros dizem que relaxa! O que é certo é que é bom!

  Tão bom como beber, só se for comer! Aqui, há petiscos variados e também o prato do dia! E não se ensaiam muito para colocar uma mesa cá fora e apanhar o sol que espreita por entre este triângulo de edifícios!

  No entanto, o Porto Ginjinha parece definhar ao ver o sucesso do seu vizinho! Nada mais nada menos do que os cachorros do Café Gazela! Digamos apenas que é uma luta desleal... Não mata mas mói.

  É sabido do sucesso dos cahorrinhos, já por nós experimentados e também há muitos anos sediados e alicerçados neste petisco "moderno". O que é certo é que a falta de clientes no Porto Ginjinha é ferida aberta e apenas sara na persistência de quem a governa.

  Acima de tudo, falamos de gente simples, de bom trato e prazer no que toca a bem servir, quer seja em modos quer seja em sabor!

  Quando não podes vencer, junta-te a eles, e a regra deveria ser simples! Para ajudar a todos deixo-vos a minha! Vão lá comer o vosso cahorro, mas depois venham cá beber a vossa Ginjinha!



Salto à Tasca - 105

Restaurante Sai Cão - Derby entre o comer bem e o bem comer!

Rua do Bonjardim, nr.635A (Porto)

  Neste local escondido e menos conhecido da longa Rua do Bonjardim, não há lugar para muita conversa! Aqui é para comer, e bem!

  Sai Cão e entra gente! Nós éramos 6 e cumprimos a nossa parte! A visita ao Sai Cão já era para ter acontecido antes, mas o período de férias deste estabelecimento impunha um compasso de espera e dava a oportunidade também para uma refrescadela no espaço!

  Encontramos o Sai Cão com muito bom aspeto, de azul e branco pintado, onde a sensação que transmitia enquanto percorríamos a sua longa e estreita sala, é que íamos no túnel de acesso ao relvado, neste caso a mesa de jogo, ou sendo mais específico, a mesa de almoço!

  Sentia os adeptos das outras mesas por onde passava bastante entusiasmados  com a equipa escolhida! O Cozido à Portuguesa estava a ponta de lança e preparado para faturar!

  O árbitro indicou-nos a nossa mesa e fizemos logo o aquecimento com pão e manteiga e uma caneca de tinto! Sentia-se a pressão nas bancadas do estômago. Soava o apito!

  Para a mesa vinham várias doses de cozido e uma dose de posta bem suculenta! As batatas fritas debatiam-se com as batatas cozidas e o público acenava a cabeça e soltava o cântico "humm humm"!

  Entre garfadas e acenos de satisfação, erguia-se o copo, fazia-se um brinde e... penalti!!! Retomávamos os talheres e de bandeja na mão, servia toda a gente para que ninguém ficasse fora de jogo!

  A conversa fluía e nem nos apercebíamos que já estávamos em período de compensação! Era hora de ir para a sobremesa! Queijo com marmelada para uns, bolo de bolacha para outros e era cada um por si! Que barrigada!

  Para terminar o café dava o apito final, os adeptos dirigiram-se à carteira e saíram do estádio satisfeitos com mais uma vitória do seu clube! Agora sempre que se fala em cozido, eles não largam o meu pé! É caso para dizer... Sai Cão!!!


 

Salto à Tasca - 104

Casa Beira Douro - À beira do Douro estamos sempre bem...

Avenida Gustavo Eiffel, nr.274 (Porto)

  A Casa Beira Douro vive à sombra da Ponte D. Luís I, mais conhecida apenas por Ponte D. Luís, e vê, de mão dada com o Rio Douro, a azáfama que percorre a cidade do Porto nos dias de hoje.

  Esta casa era muito frequentada por pescadores e pelos habitantes dos Guindais. No entanto hoje, com a deslocação de muitos deles, vê no seu dia a dia todos aqueles que por aqui se passeiam e se encantam por um prato do dia acessível.

  A casa que teve a sua abertura nos anos 30 ou 40, é gerida pelo Sr. Fernando que está nesta casa há mais de 40 anos! No entanto, apesar da sua simplicidade, é já um local remodelado que não diz os anos que tem. Os pratos são simples, de apresentação humilde mas que não quer dizer que tenham menos sabor ou carisma! E, se for o caso, justifica a proximidade ao Rio e prepara uma boa lampreia por encomenda! Assim, mais uma vez não devemos julgar os espaços apenas pela sua aparência.

  Nesta nossa visita, e não fosse mais uma quinta feira na cidade do Porto, eu fui para as tripas à moda da cidade e o meu companheiro de Salto nos carapaus grelhados. Estava tudo muito bom e com selo de boa confeção. Para finalizar adoçamos o bico com o tradicional queijo com marmelada.

  O café deu o estímulo para mais uma tarde de sol, que com a ponte ali ao lado, convidava à sua passagem para, quem sabe, um assalto a uma qualquer cave do vinho do porto... mas hoje não podia ser! Havia que fugir rápido da "Beira do Douro" para não cair em tentação.



Salto à Tasca - 103

Taberna do Barqueiro - Barcos dos turistas...

Rua de Miragaia, nr.123 (Porto)

  O salto desta semana caiu de para-quedas na Rua de Miragaia.

  Confesso que por norma evito sempre a zona da Ribeira e Miragaia pois muitos dos espaços "debatem-se" à porta pela angariação de clientes o que confesso, me desencanta um bocado.

  No entanto, o aspeto castiço da Taberna do Barqueiro chamou a minha atenção, com as suas toalhas com a temática dos lenços dos namorados e uma esplanada que convidava ao bronze neste dia de sol.

  Aqui, apesar de ser na Rua de Miragaia não se mira Gaia pois aqui no largo temos uma grande parede de pedra que nos tira o encanto do Douro... Seria "Douro" sobre Azul!

  A taberna do Barqueiro tem o seu salva vidas na esplanada pois dentro só apresenta espaço para uma mesa que no limite leva umas 8, 9 pessoas. O seu interior em pedra é acolhedor. Mas nós queriamos mesmo era comer!

  De prato do dia havia uma sopa de espinafres, um pernil assado, umas costelinhas assadas no forno ou uns bifinhos de perú com arroz de legumes! Só por aqui se adivinhava um bom almoço. O aspeto veio confirmar as suspeitas e o sabor carimbar a qualidade. Estava tudo ótimo! A cerveja é que chorava por mais frescura neste dia de calor intenso.

  A doçura veio no final, também ela com ótimo aspeto, servida em pequenos frascos. Para a mesa veio uma mousse de chocolate, uma mousse de manga e outra que nem tive tempo de decifrar! Deliciosas.

  O café trancava as portas do almoço e cada um desembolsava cerca de 13 euros! Hummm Aqui era o único ponto onde a visita azedava. Penso que o prato, um fino, sopa deveria andar nos 8, máximo 9 euros! A sobremesa, num frasco castiço como disse e bem saborosa, é pequena para se cobrarem 3 euros! Mas quem sabe é o Barqueiro! Sigamos para a outra margem!



Salto à Tasca - 102

Adega Floresta - A floresta encantada...

Rua Afonso Martins Alho, nr.115 (Porto)

  O Salto à Adega Floresta teve uma feliz coincidência.

  Bernard e Momo (casal francês que andava no Porto em turismo na sua Honda Varadero) estavam parados num dos cruzamentos pedindo informações acerca de determinada rua. Eu parei no sinal vermelho e ao ver um motard "em apuros", decidi perguntar se queriam ajuda! Depois de lhes indicar a rua, questionei se não queriam almoçar! Salvaguardei-me logo explicando qual era a temática dos saltos à tasca e prontamente disseram que sim!

  A Adega Floresta tem porta de vai vem, autocolantes no vidro e a placa na parede refere: "Bons vinhos e petiscos"! Não há que enganar. Este é o tipo de tascas autênticas, do povo, que povoaram a cidade do Porto e que cada vez mais se vão perdendo. Esta, com mais de oitenta anos de história viveu alimentando a Sé e as pessoas que trabalhavam na Rua das Flores. Dentro, é uma espécie de santuário Portista, onde cachecóes, bandeiras, quadros, fotos e posters dão o tom azulado e castiço à casa.

  O Sr. Francisco à porta viu-nos a estacionar as motas e esboçava um sorriso. Gosta!

  Nós entramos e eu confesso que estava receoso com a curiosidade de qual seria o sentimento dos meus ilustres convidados! Um casal Francês na Floresta não é inédito certamente mas também não é todos os dias!

  A D. Maria rapidamente se acerca de nós na pequena e castiça sala do "primeiro piso", que mais parece um pequeno sótão aproveitado onde mesmo assim se fez uma cozinha e se pôs 3 mesas, e nos esclarece sobre o prato do dia. Tripas à moda do Porto, obviamente!

  Bernard, depois de lhe explicar sorri e diz que topa a tudo. Momo pede pelas alminhas outra coisa qualquer e não sabe o que perde! O almoço correu bem, ouvindo conversas alheias, respirando o ar bucólico e olhando a claridade que vinha da rua. Lá dentro somos teletransportados para outro lugar... não há mais Porto como o que conhecemos hoje, mas sim um local distante, onde quase se consegue imaginar a vida a preto e branco e o tempo não passa! Eis a floresta!

  Bernard e eu trocamos experiências de viagens e marcamos um encontro num futuro qualquer, quem sabe numa tasca de Marmande onde vivem. No final, o bom prato de Tripas, a caneca de vinho, pão e café batia nos 5 euros por pessoa! Bernard sorri mais uma vez e confessa que em Marmande com 5 euros tinha comido uma tosta mista! Bibó Porto!



Salto à Tasca - 101

Restaurante Nun'Alvares - Chover no molhado...

Rua Guedes de Azevedo, nr.195 (Porto)

  O dia estava chuvoso, ranhoso e convidava a tudo menos sair para a rua. Põe fato de chuva, tira fato de chuva e a hora avançava.

  Avançava a hora, aumentava a fome e aqui o "home" já almoçava.

  Eis que encostado à entrada do parque do siloauto, em busca de uma ideia para onde ir, eis que a vidraça do Restaurante Nun'Alvares reluz como que a chamar por mim.

  Todo vidrado mas de fosco tom, não deixava ver o que lá dentro se passava. Confesso que gosto de ver onde me vou meter, manias sadias de quem gosta é de comer. Pois bem, entrei! O reclame fora é antigo mas dentro encontramos um espaço renovado, simples, de tons claros e de garrafeira escura.

  Na mesa ao meu lado, uma sexagenária queixa-se do facto de a TV estar desligada! O tom elevado e interrogativo como que a pedir a minha opinião, ecoa na sala o que apressa a desvendar a minha presença.

  Lista na mesa e rapidamente me decido por uma sopa e por um Arroz de Pato para ver como é que se trabalha. O serviço é rápido e sem muito para contar. Comi bem, bebi bem, estive bem e paguei bem... Sopa, prato, bebida, café, 9.35€...

  O ser caro ou barato é relativo... é caro quando não há história, quando o ponto alto da refeição é tentar desvendar porque há televisores na parede e eles não estão ligados, porque é que não há conversa, não perceber como o reclame lá fora parece ter 50 anos e dentro parece aberta há poucas semanas sem terem tido tempo para comprar alguma decoração... As paredes têm que falar o que muitos lhe confessaram, dizer um adeus à saída e ter a certeza de que todos gostaram. Eu não tenho a certeza!



Salto à Tasca - 100

O Bom Talher - O testemunha dos 100º Salto no Porto...

Rua Comércio do Porto, nr.65 (Porto)

O Bom Talher foi o feliz contemplado com o nosso Salto à Tasca número 100. Poderia ter calhado em qualquer lugar desta contagem mas quis o destino e as provas de F1 no Rio Douro que andássemos por aquela zona. A zona em questão é mais propriamente o nr.67 da Rua Comércio do Porto, local de estacionamento difícil mesmo para as motas devido ao declive da referida artéria. Também não há problema pois no início da rua junto à marginal da ribeira não falta espaço e até um parque para os “enlatados”! Viaturas estacionadas, era hora de dar início às celebrações do 100º Salto à Tasca. O Bom Talher apresentou-nos logo à entrada o que a gente gosta. Um balcão com o belo do presunto pendurado tipo marionete em dança com os ramos de louro que se abanam a cada abertura da porta da entrada. Para este almoço fomos meia dúzia e a meio da sala contemplamos o que o espaço tem para oferecer. Entre as paredes de pedra e azulejo, com umas vigas de madeira por cima de nós e de pés metidos debaixo da mesa, começamos a degustação. De entrada e com a ajuda de um pãozinho e azeitonas, engatamos numa sardinha pequena frita de lambusar os dedos. Para prato principal as vontades dividiram-se entre um lombo com batata assada, o cozido à Portuguesa e mais umas sardinhas fritas com arroz de tomate. A qualidade esteve em alta e a quantidade também. O verde branco ficou uns pontos abaixo pois não estava fresco o suficiente. Rapidamente nos esquecemos pois adoçamos a boca com umas boas sobremesas. A mim tocou-me uma bela rabanada e diz quem comeu a mousse de chocolate que não ficava nada atrás. No final e porque a celebração assim o obrigava, fizemos um sorteio entre os participantes, cujo prémio era um queijo e uma embalagem de marmelada… o nosso romeu e Julieta, tantas vezes falado e pedido nestes saltos à tasca, não podia ter sido melhor entregue. Acásio Osório, com 77 participações em 100 saltos realizados, levou o grande prémio para casa e assegurou que lhe ia dar bom trato! No final a conta também esticava uns cobres e a divisão traduzia-se em 15.50€ por pessoa. Mais importante foi a contagem de mais um almoço bem passado entre amigos e com boa comida, não fossem todos eles uns bons garfos desta vez no Bom Talher!


Salto à Tasca - 99

Restaurante O Paraíso 2 - Coisas do Diabo no Paraíso!

Rua do Paraíso, nr.257 (Porto)


O restaurante Paraíso 2 é um local singular, daqueles que a gente gosta por tudo mas não recomenda por nada! Mas aconselho a visita ao nr.257 da Rua do Paraíso.O espaço é acolhedor e um excelente palco para um almoço relaxado. Entramos, vimos, e descemos para o piso inferior.

Até aqui tudo bem e melhor ainda ficou quando veio a comida. A minha escolha foi para o arroz de pato à antiga que apresentado numa pequena panela individual fez as delícias do meu estomago que já neste momento já andava a dar pancada a uma bela sopa de legumes. Acompanhamos com uma cerveja gelada que o calor já se fazia sentir e no final o lacre veio sob a forma de queijo com marmelada, o nosso parente pobre das sobremesas.

Apesar do espaço castiço, o serviço rápido e a muita procura fez que num piscar de olhos já estivéssemos na rua sem quase ter a noção do que tínhamos feito! Não fosse ter a barriga cheia e menos umas moedas no bolso nem diria que tinha passado pelo paraíso!?

Será que o Paraíso é isto? Por muito bonito que pareça, acho que prefiro ir para o inferno! Ao menos travo uma luta infernal para decidir que prato escolher, uma batalha com que bebida acompanhar e no fim de tudo ainda me apresentam um licor caseiro e uns biscoitos insólitos que nos fazem acreditar que os paladares nunca têm fim! Sim, gostei mas não usufruí… Há coisas do diabo no Paraíso!



Salto à Tasca - 98

Casa Lusíada - Os amantes dos ferros...

Rua de Camões, nr.398 (Porto)


A Casa Lusíada é gerida por gente dos ferros e logo aqui temos gente que sabe que não se pode passar fome e que a comida é para ser bem temperada e apetitosa! Esta entrada serve para dizer que os donos são adeptos das duas rodas e mais propriamente das Harleys. Logo aqui há tema para muitas horas de conversa e com jeitinho entramos ao almoço e saímos ao jantar.

Se a conversa se alongar muito nas Harleys também não há problema pois há um stand da marca mesmo do outro lado da rua. Aqui já situamos este espaço que fica na Rua de Camões, nr.398.

Aqui, entramos como sendo da casa e rapidamente travamos amizades com os proprietários que acompanham todos os pratos com boa disposição e alguma carolice.

Mas o que é certa é a qualidade e a variedade de pratos à disposição de qualquer almoço. E também aqui encontrei sérios problemas para escolher um prato. Pois quando tempo papas de sarrabulho, uma carne de porco à alentejana, Tripas, Frango à bairrada ou mesmo um bacalhau à João grão, quer dizer… cheira-me um bocado à gozo!

De todas as escolhas na mesa, foi unanime a cotação deste estabelecimento com nota alta e fortemente recomendável.

Eu próprio terei que voltar para me sentir entre a espada e a parede, na necessidade de escolher entre um prato ou outro… Vou propor um rodizio à direção!

À porta as recomendações estão à mostra em placas com comentários de diversos grupos. A decoração é minimalista mas a conversa e boa disposição fazem com que nem prestemos atenção a esses pormenores. Lembro-me de ter uma porta… umas mesas e que a comida estava muito boa! Ahh, o vinho era o Tal da Lixa!



Salto à Tasca - 97

O Campo - O campo na cidade...

Rua de Santo Ildefonso, nr.487 (Porto)


O restaurante O Campo é já um jogador de peso na malhar de restaurante da cidade do Porto. Com instalações na Rua de Santo Ildefonso, nr.487, conta já com várias décadas de existência e na sua apresentação confessa que são um restaurante típico, com uma gastronomia típica nortenha e internacional, onde se pode comer uma grande variedade de peixes frescos e suculentas carnes. Há variedade de sobremesas conventuais caseiras, além de semi frios e fruta.

Tendo isto tudo tem também o espaço pois apresenta uma sala com capacidade para 50 pessoas e outra para 60 pessoas. Logo aqui vemos que se distancia na liga das tascas podendo até jogar na liga dos campeões.

Este foi um dos almoços mais concorridos que tivemos no grupo do Salto à Tasca mas não o mais saboroso.

Digo isto pois um restaurante que se apresenta desta forma não pode esconder as suas iguarias com um prato do dia que não nos abra o apetite. Com tanta coisa na lista, seria sensato diminuir a dose de alguns dos seus pratos e com um acerto de preço colocar como prato do dia. Assim comemos o que comemos em outros tantos sítios de sugunda liga, com a agravante de estarmos cheios de talheres e diferentes copos à nossa frente, sem espaço para abrir as revistas de motas onde colocar um prato para as cascas do queijo.

Os meus avós tinham um garfo e uma faca para ca um e comiam tudo de lá! Para que raio quero eu 6 peças para um prato do dia e uma sobremesa!?

Por outro lado, e se esquecermos a parte do ser sensivelmente económico, aí sim, o Campo traz até nós umas ricas travessas que nos vão dar que fazer e mastigar.






Salto à Tasca - 96

O Praxista - Praxe do bem comer...

Campo 24 de Agosto, nr.28 (Porto)


Para visitarmos o Praxista temos que nos deslocar até aos lados do Campo 24 de Agosto onde no nr.28 este estabelecimento nos abre as portas.

A Adega do Praxista como é conhecida, joga os seus trunfos mais na gastronomia Portuguesa tradicional do que propriamente nos petiscos. Mas isso não é mau de todo. Lá podemos comer um bom arroz de polvo, polvo com molho verde, umas tripas ou mesmo umas sardinhas assadas. Basicamente aqui o que faz é comer e é mesmo isso que fomos lá fazer.

A sorte calhou-me na rifa e comi umas costeletas de sardinha como há muito não comia. Só faltou mesmo um arroz de tomate ou de hortaliças. E quando encontramos um local com um prato tão simples e tão bom, quase que nos esquecemos do local ou condições, o que neste caso nem são más. Temos uma casa simples, de decoração antiga mas bem arranjada e com capacidade de receber duas boas dúzias de pessoas.

As pessoas que a governam têm gosto no que fazem e certamente que vão tentar de tudo para que saia do Praxista bem satisfeito. E quando o objetivo é apenas comer bem a preços acessíveis, este é mais um local a ter em conta na cidade do Porto.



Salto à Tasca - 95

A Badalhoca - Sandes boas como o Caraigo!#...

Rua Dr. Alberto Macedo, nr.437 (Porto)


O que dizer da Taberna da Badalhoca… Em primeiro lugar que nos andávamos a esquivar como gente grande. Como seria possível ir a 100 “Tascos” da cidade do Porto e não ir à Taberna da Badalhoca? A D. Lurdes até nos dava com um presunto em cima!

Pois bem, o nr.437 da Rua Dr. Alberto Macedo em Ramalde de Taberna e Badalhoca já nada tem. Aquilo já parece uma fábrica de produção em série e apenas as lendas remetem para o período da anterior proprietária (1929 – 1965) onde se dizia que as sandes seriam servidas sobre papel de jornal e os restos de peles e espinhas de bacalhau fariam parte do pavimento.

O que nos atrai a nós e a uma constante multidão continuam a ser os presuntos que em grandes quantidades continuam expostos à vista de todos, e a língua afiada da proprietária que atrai a clientela e é imagem de marca. Ninguém fica sem resposta… é certeza absoluta como o Boavista ser o maior! Ai de quem diga o contrário lá dentro!

Apesar da diversidade de sandes, a mais conhecida é sem dúvida a de presunto. O corte é muito bom e o pão sempre fresco também já faz parte do império pois vem da padaria do outro lado da rua e que pertence aos mesmos proprietários. O resto dos petiscos dividem-se pelos rojões, panados, salpicão, morcela, tripas, bucho, iscas de bacalhau e por aí fora.

Para empurrar a “Badalhoca” joga o seu outro trunfo que é as canecas de vinho espadal sempre fresquinhas.

O sucesso fez com que uma sucursal abrisse na baixa e certamente outras por aí espreitam. Melhor do que o presente são as lendas pois dou mais valor a comer de faca e garfo e a ouvi-las da boca de quem as viveu. Mas que as “curtas” das sandes são boas lá isso são!



Salto à Tasca - 94

O Triunfante 1 - Não há amor como o primeiro...

Av. Fernão de Magalhães, nr.841 (Porto)


O restaurante O Triunfante fica numa das mais conhecidas avenidas da cidade do Porto, mais propriamente no nr.841.

Também existe o triunfante 2 mas temos que começar por algum lado por isso começamos mesmo pelo primeiro.

Este restaurante é daqueles em que nos sentimos bem logo à entrada. Não há decorações complexas e 30 menus nas paredes como se de uma prova de arranjos e combinações se tratasse. Aqui entramos e vemos uma sala com paredes de pedra, mesas com toalhas aos quadrados azuis com toalha branca a cobrir.

A lista é de pele e dentro tem três páginas. Pratos principais, bebidas e sobremesas. Eu não venho cá para mais nada por isso chega-me perfeitamente.

E mesmo que à entrada me dissessem que só tinham umas fantásticas tripas, ou uma boa posta, ou umas pataniscas com arroz de tomate, ou mesmo um fígado de cebolada nem lista era preciso. Pois o resto é quase sempre certo. Começa na canequinha de vinho e acaba num queijo com marmelada. E esse é outro assunto para explanar, o porque de quase todas as casas terem queijo com marmelada e nunca está presente na lista das sobremesas. É sem dúvida o parente pobre das sobremesas mas de uma riqueza singular.

O serviço é cordial e atencioso e constatamos pelos clientes que é um local de reconforto gastronómico de há muitos anos. Comemos e gostamos e se houver a necessidade voltamos pois mesmo havendo o Triunfante 2 não há amor como o primeiro.



Salto à Tasca - 93

Tendinha da Trindade - Um show cooking a preços económicos...

Travessa de Liceiras, nr.10 (Porto)


A Tendinha da Trindade foi uma das melhores surpresas dos últimos tempos. Ainda sem fazer um balanço final, sei de olhos fechados que o Tendinha estará no top 10 (senão no top 3) dos locais onde melhor se come na cidade do Porto (segundo os standards da nossa cruzada).

Primeiro, nunca antes tinha passado na estreita e esquecida Travessa de Liceiras. No nr.10 (porque até não há muitos mais números) o casal de proprietários e a sua ajudanta fazem as delícias de quem descobriu o ouro antes de nós.

Entro de mota na travessa e paro mesmo em frente à montra onde uns jaquinzinhos brilham de frescos à espera de serem fritos. Aí logo eu penso que se tivesse um arroz de tomate para acompanhar não quereria mais nada! Que saudades me deu de uma sardinha pequena frita…

Tentando manter o nervoso de ir pedir meia dúzia só de entrada, faço um compasso de espera para que os meus companheiros de Salto apareçam. Também eles esboçam um sorriso ao chegar… e ao fim de 93 saltos, já sabemos muito bem o que vai na cabeça uns dos outros!

Lá entramos e damos de caras com um balcão que alberga meia dúzia de pessoas e mais 3 mesas… pensamos que ficava por aqui a capacidade mas poucos minutos depois os homens de fato e outros começam a entrar e a descer as escadas que viemos a saber, dá para uma pequena sala com mais meia dúzia de mesas.

E os homens de fato costumam saber onde se come bem… É engraçado vê-los a sair dos bancos e dos escritórios como se fossem comer a um qualquer hotel de 5 estrelas e logo de seguida entram numa qualquer gruta de ali babá.

A ementa era vasta e com tudo quase feito na hora. Desde as tripas, aos filetes de polvo, à sardinha, a uma açorda de bacalhau… Não é fácil ter que decidir o que comer…

Sentados ao balcão fomos admirando o espaço e contemplando as velhas garrafas. Do lado direito a cozinha aberta ao público permite-nos assistir a um verdadeiro show cooking a preços económicos. Enquanto não vinha a comida ainda trincamos um panado que se ria para nós sem qualquer vergonha.

O Tendinha da Trindade é sem dúvida uma excelente opção no coração do Porto. Recomenda-se.



Salto à Tasca - 92

Meia Lua - Pão pão queijo queijo...

Rua Cimo de Vila, nr.151 (Porto)


Tal como na semana anterior, voltamos à Rua Cimo de Vila, desta vez ao nr.151. Como falamos no Salto 91 esta foi uma das ruas mais importantes da cidade do Porto e visitada por muitos ilustres.

Ficamos a saber que até Amália Rodrigues se dirigia a esta rua e mais propriamente à Casa Louro para lá petiscar. O Meia Lua é de todos os que visitamos nesta rua o que mais se encaixa neste ambiente nada cerimonial e de trato rápido e claro. Aqui é pão pão queijo queijo e para almoço é o que houver.

O ambiente não é dos mais convidativos mas isso é só da porta para fora pois lá dentro somos quase como de família e entre familiares não há mordomias nem cerimónias. Aqui são todos iguais e vemos de tudo. Vem quem apenas quer uma sopa até nós que queremos tudo a que temos direito mais aquilo que tenhamos que pagar.

Compreendo que nem toda a gente se sinta à vontade para entrar e almoçar num locais com estas características mas o que eu tenho para dizer é que por vezes o melhor aspeto esconde piores coisas e dos 3 que lá fomos nenhum disse que não voltava ou lhe fez mal. Mal só faz a quem não come e anda atrás dos gourmet. Mai nada!



Salto à Tasca - 91

Casa Pereira - Na estrada que ia para Trás-os-Montes...

Rua Cimo de Vila, nr.64 (Porto)


A Casa Pereira é um dos diversos restaurantes ou casas de petiscos da tão afamada e singular Rua Cimo de Vila. No nr.64 fica a nossa escolha desta semana. Um dos mais conhecidos é a Casa Louro que com os seus presuntos pendurados fazem as delícias de quem por lá passa (e já visitado por nós).

Esta Rua que dizem ter sido frequentada por gente de alto nível é agora um caldo multicultural com as lojas a serem retomadas por pessoas de variadíssimas etnias. Segundo o historiador Hélder Pacheco, é uma das ruas mais antigas da cidade e uma das mais emblemáticas da cidade medieval. Era por ali que se saía da cidade para Trás-os-Montes. Desse tempo restam poucos comerciantes para amostra. A Casa Crocodilo e a loja do Sr. Delfim Almeida que arranja maquinas de costura. Caminhar pela escura e estreita Rua de Cimo de Vila onde nem os carros passam, é voltar aos tempos dos velhos e revelhos ofícios, na mais antiga profissão do mundo que se ostenta e pavoneia nas soleiras das portas com sorrisos forçados e com musica brejeira de fundo. Cá medo… mas isto é história e é sempre com surpresa e encanto que ficamos a conhecer a nossa cidade.

A casa Pereira é um local que assiste diariamente a tudo isto e muita gente também confirma pois este local serve bem e contrasta com o que la fora se passa. No primeiro andar e a comer um belo assado, vemos pelas grandes janelas e na varanda com ferro forjado, o hotel que mesmo estando do outro lado da rua não fica a mais do que 3 metros de distância.

Aqui não há segredos e na cozinha também não. Tudo sai em tempo e com o paladar correspondente. O melão de sobremesa marchou aos cubos e o queijo com marmelada adoçou-nos o bico. Depois disto foi descer novamente a rua sorrindo pensando como todas estas etnias, histórias e ofícios convivem numa centena de metros como se nada mais existisse para lá deste espaço. Viva a Rua Cimo de Vila.



Salto à Tasca - 90

Lanchinho da Vitória - Lanche com as melhores vistas ao pé...

Rua de S. Bento da Vitória, nr.4 (Porto)


Na semana do tasco nr.90 fomos novamente até às profundezas da cidade em busca das pérolas esquecidas. Apesar da indicação de um colega para este cantinho, não sabíamos o que iriamos encontrar. No entanto não costumamos ter medo nestes locais com muitos anos pois é quase garantido que não vimos de mãos a abanar nem com a barriga a falar baixinho. No mínimo nestas casas há broa e bom vinho!

O Lanchinho da Vitória tal como o nome deixa adivinhar fica na Rua de S. Bento da Vitória, nr.4, e aqui estamos a poucos metros de um dos locais com melhor vista para o Rio Douro e para as zonas ribeirinhas do Porto e de Gaia.

No entanto a vista que queríamos naquele momento era dos truques que se faziam na cozinha do lanchinho da vitória.

O espaço deixa adivinhar os muitos anos de existência mas também o gosto de servir o que há de mais genuíno. O saco de água na porta faz prever uma casa cheia de truques. O melhor não veio da cartola mas sim da panela e não foi menos do que uma feijoada à transmontana. Enquanto íamos comendo íamos ouvindo as histórias do homem que comanda esta casa há muitos anos. O local já foi mais problemático mas ao longo do tempo soube lidar com todos e diz que tem a sua clientela e sem nenhum problema.

Com esta comida também não há problemas e é nestes locais que encontramos os melhores preços. Prova disso é o cartaz que na montra indica o menu francesinha mais bebida por 5 euros. Não sei como é a francesinha nem me interessa muito pois com uma feijoada destas deixa lá estar a francesinha.

O mata bicho pode ser tomado já ao balcão onde o tempo passa esperando os turistas que a medo vão começando cada vez mais a descer a rua.

Para um almoço ou um lanchinho, a Vitória é o caminho.



Salto à Tasca - 89

Bifanas da Trindade - Bifanas que entram na corrida contra os maiores...

Rua Fernandes Tomás, nr.591 (Porto)


A casa Bifanas da Trindade tem um grande ponto negativo para a sua imposição na cidade do Porto, que não é nada menos do que a sua proximidade com o tão afamado Conga (que foi a visita nº1 do nosso Salto à Tasca).

O Café Conga é conhecido como tendo as melhores bifanas o que não deixa de ter uma grande percentagem de verdade… mas não são as únicas. Até há quem diga que são excessivamente picantes ou o ambiente demasiado confuso.

Estes pequenos pormenores dão alguma margem de manobra a casas como a Bifanas da Trindade. O trato é muito mais personalizado e as bifanas não ficam nada atrás. Se além disso pudermos estar a comer sem ter um monte de gente a olhar para nós na esperança que deixemos a mesa livre quanto antes, temos uma excelente opção.

Para além das Bifanas podemos também contar com outros petiscos ou um caldo verde. Um pormenor interessante e do qual eu gosto é o facto das Bifanas da Trindade estar paredes meias com a frutaria da Trindade, que apresenta uma bancada de fruta sempre fresca no passeio. Aconselho a deixarem a sobremesa para os vizinhos. Nada como escolher uma peça de fruta do lote e comer, e até fica mais em conta.

A casa Bifanas da Trindade fica na Rua Fernandes Tomás, nr. 591.



Salto à Tasca - 88

Café Piolho - O histórico Âncora D'Ouro...

Praça Parada Leitão, nr.45 (Porto)


O Café Piolho como é conhecido, tem na sua cédula de nascença o nome Café Âncora Dóuro. Esta casa com mais de 100 anos faz parte da história da cidade. Podem visitar na Praça de Parada Leitão, nr.45. O nome como é conhecido tem fundamentos pouco credíveis mas a teoria que mais votos recebe deve-se ao facto de o Café Âncora D’Ouro ser há muitos anos o centro de convívio dos alunos da Universidade. Os professores também lá iam e logicamente a convivência era um tanto ou quanto cerimoniosa. Daí alguém começar a dizer que era uma “piolhice” foi um instante. O que é certo é que o nome ficou.

O Café Piolho entra nestas visitas não pela gastronomia pois é mais vocacionado para os snacks, mas pela sua história e passagem obrigatória. Certo é vermos o largo circundante recheado de jovens e turistas que pela noite dentro convivem.

No entanto nunca dizemos que não a um bom snack e o Piolho também não deixa os seus créditos por mãos alheias. Desde a francesinha especial, aos cachorros, hamburguers e até umas boas tripas, a escolha é garante de qualidade. Para acompanhar também é possível pedir umas moelas, uma linguiça ou uns rojões. Se a isto juntarmos umas chamuças, uns croquetes ou umas pataniscas de bacalhau, já temos conversa para a noite toda. A cerveja essa é “corrente” e sai fresquinha e logo aí já temos conversa para o dia seguinte.

Assim sendo motivos não faltam para visitar este que é uns dos cafés mais antigos da cidade do Porto, já distinguido e que continua ser referência entre os jovens e menos jovens.



Salto à Tasca - 87

A Rampinha - A descida para o fado vadio...

Rua de Santa Catarina (frente à capela das almas) (Porto)


O restaurante A Rampinha é dos locais que toda a minha vida me passaram completamente ao lado e devo ter passado n vezes pelo mesmo. E ele já existe muito antes de eu existir visto que é uma casa que conta com 70 anos de atividade, fazendo dela uma das mais antigas da cidade do Porto.

O nome diz tudo! Quem passar junto da Capela das Almas em Santa Catarina verá um portão com uma rampa que nos faz tentar adivinhar o que de errado se passará nos confins. No entanto a surpresa figura-se como um local místico, que nos faz pensar em tudo o que já aqui se passou. O que é certo é que não sendo um local conhecido é um local com muita tradição. Ainda para mais porque aliado a uma boa gastronomia, encontramos mas noites de sexta e sábado as sessões de fado vadio. E na cidade do Porto não são muitos os locais onde se pode ter esta dupla a um preço acessível.

O espaço é de beleza discutível e o seu ar sombrio (devido à pouca luz natural) fazem dele o local propício para o fado. Os azulejos, lenços e rendas indicam a idade mas o serviço e boa vontade trazem-nos para os dias em que os clientes são importantes e merecedores de atenção.

Na Rampinha podem almoçar desde um belo cozido, passando pelas típicas tripas, um bacalhau à lagareiro ou mesmo uma bela de uma francezinha. Este é dos locais que não tem nada mas tem tudo, por isso dê corda às sapatilhas e desça a Rampinha.



Salto à Tasca - 86

O Rápido - Para degustar devagar...

Rua da Madeira, nr.194 (Porto)


O Restaurante O Rápido mora na Rua da Madeira mais propriamente no nr.194. A casa partilha de mão dada o espaço com a Estação de S. Bento e o nome do restaurante vem mesmo desta proximidade pois Rápido era o nome que se dava ao comboio que partia da gare de S. Bento para Lisboa.

Esta casa com muitos anos é muito conhecida e procurada pelas Tripas à moda do Porto. Dizem as boas línguas que são as melhores da cidade. Verdade ou mentira o que é certo é que os proprietários já não as fazem só às quintas mas também às terças e sábados tamanha era a afluência para as degustar.

Quem aqui vem para as tripas ou para qualquer outro prato bem confeccionado pela D. Rosa Maria (que já faz parte da história do restaurante à quase 40 anos), encontra nos diversos pratos esta vasta experiência e um sabor só ao alcance de poucos. O espaço é acolhedor e está decorado com diversas imagens da cidade do Porto, e também com um painel de azulejos que retrata a Ponte D. Luís e os barcos rabelos. A comida é fantástica e a lista de vinhos é também bastante rica. Uma das vantagens é que se pode usufruir de diversos vinhos pois estes também são disponibilizados a copo.

Nas sobremesas o Sr. Francisco diz que é pecado ir sem provar os doces e por muito que sintamos que já não vai nada (tamanha foi a gula pelas tripas)o que é certo é que os doces caseiros com doce de chila e côco caíram que nem ginja!

Não sendo dos mais económicos para um almoço de semana, é sem dúvida uma referência na arte de bem servir e é uma certeza de barriguinha satisfeita para a tarde.



Salto à Tasca - 85

Casa Viseu no Porto - Porto, Viseu, Madeira... triologia.

Rua da Madeira, nr.212 (Porto)


São 3 as portas que se abrem para a Rua da Madeira para receber quem visita a Casa Viseu no Porto. Este nome dá-se à origem dos fundadores desta casa que é agora gerida por um jovem casal que tenta manter esta casa já centenária.

De braço dado à fantástica Estação de S. Bento, a rua era conhecida apenas pelos velhos tascos e armazéns da CP. Esta área está agora revitalizada. O próprio espaço já não conta com as velhas pipas mas sim com prateleiras com vinhos engarrafados. O que de bom se conserva é a vitrine dos petiscos com bolinhos de bacalhau, tripas enfarinhadas, moelas, polvo ou peixes fritos. Petisca-se nas poucas mesas no piso térreo mas encontramos uma bela sala com espaço para 30 ou 40 pessoas no piso superior. Aqui as comidas do dia apresentam-se com uma boa confeção e com garra de cortar com a decadência exterior e ainda o pouco habito de almoçar nestas casas regeneradas. Confesso que gostei bastante desta casa e já voltei no entretanto pois está bem localizada apesar de esta rua passar despercebida a muito boa gente.

A Câmara previu um melhoramento desta zona que está a ser feito e por isso esperam-se melhores tempos para esta artéria da cidade cujo traçado é ainda herdeiro da muralha do Porto medieval.

Assim sendo, quer seja a pé, de mota, ou mesmo de comboio, desloquem-se à Rua da Madeira, nr.212 e petisquem a bons preços e agora também em horários pouco habituais!



Salto à Tasca - 84

Restaurante O Antunes - Pernil e Espadal... nada pode correr mal...

Rua do Bonjardim, nr.525 (Porto)


O Restaurante Antunes é um dos melhores exemplos de uma casa bem dirigida, com uma comida fantástica (Gastronomia Tradicional Portuguesa), com um espadal de nos tirar do sério e umas sobremesas daquelas de lamber os beiços.

A melhor crónica é mesmo apresentar o Antunes, e a apresentação do próprio site diz quase tudo e revejo-me nessas palavras, e eles dizem assim:

O nosso restaurante está bem situado na cidade do Porto na Rua do Bonjardim, porta 525. As nossas ementas estão direccionadas para a gastronomia tradicional portuguesa cuja qualidade tem granjeado da parte dos nossos clientes imensos elogios. Todo o staff do nosso restaurante é profissional, eficiente e muito cordial. A excelência dos nossos pratos é de fazer crescer água na boca. A satisfação é sempre garantida.

E aqui entro eu a dizer que é tudo verdade. Acrescento para azucrinar a cabeça que os pratos diários vão desde o Bacalhau á moda da casa à segunda, passando pelo arroz de pato à antiga, as tripas, o cozido , aos rojões à sexta. Melhor do que isto tudo é também o pernil assado. Se ao pernil juntarem o tal vinho espadal… estão tramados! É o que eu vos digo.

Fecha ao Domingo por isso nos outros dias todos é arriscar à vontade pois comidinha e um bom espaço estão prontos para o receber! Voltarei!



Salto à Tasca - 83

Cervejaria O Monge - Para comer como um Monge e não como um Abade...

Rua Trindade Coelho, nr.36 (Porto)


A cervejaria Monge tem como objetivo dar a conhecer os diversos paladares das cervejas associados às diferentes tapas. Até aqui tudo muito bem. No entanto, tal como acontece em muitos locais, esta cervejaria perde a sua identidade ao criar um menu do dia que não vai de encontro a nada do que tem na  sua lista. Entra na disputa dos preços baixos apresentando uma solução que não tem reflexo na sua forma de estar nem nos seus princípios.

O resultado infelizmente é pouco positivo. A Cervejaria O Monge deveria dar a conhecer os seus pratos com menus mais acessíveis ao almoço tal como as vieiras, os mil folhas com alheira de caça ou mesmo a espetada do mar com molho cidra, fazendo um pequeno rodizio de bradar aos céus. Assim, o que sentimos é que estavam a servir umas fêveras de porco (que até vinham um bocado cruas) com batata frita, num espaço que não era deles tirando todo o glamour de uma cervejaria que eu tanto aprecio.

Sinal de que não está tudo bem é quando um restaurante em plena baixa do Porto, mais propriamente na Rua Trindade Coelho, nr.36 não tem mais do que duas mesas a um almoço durante uma semana bem agitada. O espaço é moderno e confortável mas no que toca à comida não desvirtuem o vosso conceito!

Se alguém me desviar novamente para o Monge irei com todo o gosto mas se calhar vou ao jantar num qualquer fim de semana pois deve ser aí que o ambiente da verdadeira cervejaria ganha vida. Caso contrário dificilmente sairei do Monge dizendo que comi como um abade!!!



Salto à Tasca - 82

O Marinheiro - Para marinheiros de água doce...

Praça Dona Filipa de Lencastre, nr.187 (Porto)


O Restaurante O Marinheiro fica quase paredes meias com o Restaurante Lagostim que já foi por nós visitado, e assim de repente quase que diríamos que são irmão, não gémeos. Aliás, um é branco outro é preto mas apesar de tudo é assim que eu os vejo.

Eu gosto de ver estas coisas mas melhor do que ver é provar. E é aqui que geralmente tudo muda de lugar. Confesso que neste dia entrei faminto, com vontade de comer o tradicional pão, azeitonas e manteigas e pedir o que estivesse já feito e á minha espera para não ter que esperar muito.

No entanto é sempre de bom tom situar esta casa e passar-vos os traços que a caracterizam. Pois bem, O Marinheiro é um restaurante que fica na Praça Dona Filipa de Lencastre, nr.187 mesmo no coração da cidade. Apresenta uma pequena esplanada virada para a Praça que a acolhe.

Mal entramos encontramos uma fileira de mesas que dão dois dedos de conversa com um balcão revestido a azulejo. Em cima deste esperava ver uns petiscos do mar a fazer jus ao nome mas não encontramos muito mais do que uma mármore despida.

Ao olharmos para o fundo do estabelecimento vemos uma fotografia do Marinheiro e por baixo o aceso ao navio, mais propriamente à sala de jantar.

A sala de jantar tem o aspeto que eu gosto e que por vezes encontro que são as paredes em pedra. Apesar de ter sido remodelado, estar bem pintado e com mobiliário atual, o toque da pedra faz-me logo sentir num local sólido, onde depois de fechadas as escotilhas e retirada a escada de acesso, poderemos degustar um manjar sem incómodos ou falhas.

As opções de almoço são diversas e todos os pratos estavam com qualidade suficiente para que seja uma hipótese à hora de almoço. A apresentação não é das melhores mas o sabor está lá e para mim que não passo de um marinheiro de água doce, se estiver bom de sal já não é mau de todo.



Salto à Tasca - 81

Verde Minho - A melhor localização da cidade do Porto...

Rua de Camões, nr.725 (Porto)


O Restaurante Verde Minho tem para mim uma das melhores localizações da cidade do Porto.  A vista, não sendo para o mar, para o Rio Douro ou para um dos diversos jardins da cidade, mostra o que o Gusto gosta… um stand de motas, neste caso em concreto a Moto Boxe. Logo aqui ficamos a saber que o Verde Minho fica na Rua de Camões, mais propriamente no nr.725.

O espaço parece um pequeno café, de decoração recente e que esconde nas traseiras uma sala simpática e que se torna pequena para a procura normal de quem quer comer bem e barato. O convite foi feito para experimentar as tripas que é o prato típico da quinta-feira, também aqui.

E assim foi. Cheguei cedo para ir “comer” os aperitivos do outro lado da rua mas quando a verdadeira fome começou a aparecer, só poderia ser satisfeita no Verde Minho.

A visita não é pelo espaço já caracterizado, nem pelo fácil acesso ou capacidade de estacionamento (pelo menos de 4 rodas), mas pelo compromisso de se comer bem e a preços económicos. As tripas essas foram também uma nota muito positiva pois estavam em quantidades de alimentar um adulto que come bem por dois, com a variedade que se espera deste prato tão acarinhado dentro e fora da área metropolitana.

Esta é apenas a minha humilde opinião e não vale mais do que uma chicla gorila mas se não fosse um local de boa comida não teria certamente o movimento que apresenta num qualquer dia da semana.

Por isso a grande dica que poderei dar para todos aqueles que procuram mota nova para comprar e mais propriamente uma Honda, que visitem o stand da mesma marca na Rua de Camões mas vão por volta das 11h30 /12h00. Assim, terminada a compra, é só atravessar a rua e matar dois “couverts” de uma “gazada” só.



Salto à Tasca - 80

Restaurante Lagostim - A excelência da experiência...

Praça Dona Filipa de Lencastre, nr.201 (Porto)


O Restaurante Lagostim é um dos melhores exemplos para demonstrar como restaurantes antigos combatem a crescente abertura de novos locais com diversos formatos, usando para isso coisas muito básicas como: o bom atendimento, instalações cuidadas e acima de tudo, uma boa comida. E eu até sou daqueles que dou de barato o atendimento pois sei que custa começar, nem todos nasceram para isso mas havendo cortesia, boa disposição e respeito temos um óptimo serviço, e mesmo as instalações, desde que limpas, podem ser velhas e com aspeto de adega após vindima. Lembro-me de ser miúdo e ir comer o melhor cozido de sempre para os lados de Famalicão numa garagem de uma casa de lavoura antiga… A ASAE na altura ainda usava chucha e não andava a averiguar estes espaços… Mas marcou-me e voltava lá já hoje.

Voltando ao Lagostim, aqui o melhor mesmo é a confeção dos pratos pois quer seja umas favas com chouriço, uns medalhões de pescada com molho de marisco ou mesmo um cabrito assado no forno, tudo tem um sabor como se fosse feito lá no velho fogão a lenha da minha tia.

O espaço também sofre de uma boa localização, não estivesse na Praça Dona Filipa de Lencastre, nr.201, bem perto do coração da cidade e à mão de semear dos turistas. Mas mesmo estes não são muitos pois o Lagostim não vem muito em roteiros nem nos sítios cool de presença online. Aqui vem quem quer comer bem e com uma excelente relação qualidade preço.

Melhor do que falar é mesmo provar e para isso ontem já era tarde. Vão e digam que fui eu que vos mandei. Ninguém me conhece e não lhes serve de nada. Ainda assim vão comer bem e a um preço acessível!



Salto à Tasca - 79

Tasquinha dos Sabores - Com sabor agridoce...

Rua da Picaria, nr.32 (Porto)


A tasquinha dos sabores tem no nome o que eu acho a resposta para o sucesso. Para mim uma tasquinha dos sabores apresentava tudo o que de bom se faz neste país. Ia buscar o sabor de cada ingrediente que os portugueses usam tão bem e apresentava uma lista apelativa num espaço, que sendo até bastante agradável, não me cativou.

É verdade que apresenta diversos petiscos muito conhecidos da generalidade das pessoas, quer sejam as pataniscas, os rojões, a alheira de caça ou outro tipo de iguarias. No entanto falta a alma dos petiscos. Um local que os celebre e lhes dê o valor necessário, e não mais um local das modas, de fim de semana e que sai nos guias para sair. Trocava as dezenas senão centenas de post its que estão nas paredes por uma chouriça a assar num porquinho, que não tivesse a etiqueta de uma grande superfície mas sim de um produtor de trás os montes.

Se calhar até são mas falta a ligação do espaço às iguarias que se servem. O atendimento nesta nossa visita foi bastante demorado e mais penosa a espera é quando somos a única mesa para ser servida num almoço de quinta-feira. Esta casa tem mais de 3 anos por isso deveria saber que há pormenores que são muito importantes. Se calhar a sorte é estar numa rua que ganhou muita vida devido às restantes casas que lá se encontras, sejam elas a Taxca, a champanheria, hamburguês ou mesmo casas mais antigas como O Ernesto que já visitamos antes.

Sabemos que estes locais costumas encher nos jantares de fim de semana mas podiam também ser uma excelente escolha para os almoços dos restantes dias. Poderá ter sido apenas um mau dia… Um dia repetimos, ou não. Para os interessados a Tasquinha dos Sabores fica na Rua da Picaria, nr. 32.



Salto à Tasca - 78

Tasca Zé Povinho - Tomem lá mais uma Tasca...

Rua Clemente Menéres, nr.36 (Porto)


O Zé Povinho é uma das personagens mais conhecidas de Bordalo Pinheiro e no que respeita à gastronomia esta casa pretende seguir os mesmos passos.

Recorro à mesma personagem para falar curto e grosso ou mesmo sem papas na língua. Comerás bem mas se queres fiado toma!

Visito esta casa tendo ela sido inaugurada pouco tempo antes. É fácil constatar em diversos pormenores que ainda se tenta ganhar o ritmo, ter os melhores processos e criar o ambiente e “aconchego” para que não seja apenas mais uma.

Se por um lado se nota os “soluços” de quem começa, verdade seja dita que as restantes coisas compensam. O bom disto tudo é que a compensação vem sob a forma de simpatia e uma comida muito apetitosa pois os responsáveis sabem que os primeiros a degustar os seus petiscos serão certamente os profetas que espalham a notícia e trazem os próximos clientes. A cidade do Porto tem sido fértil em novos espaços que abrem em tudo o que é buraco. O tempo costuma ser uma das testemunhas mais credíveis para saber se são bons ou não. Esta testemunha ainda não foi chamada para aqui mas quando aparecer vai confirmar que merece estar pois fui muito bem atendido. A carne estava bem temperada e assada, a canequinha de vinho mesmo à medida e a estalar de fresca por isso quando o doce veio para celebrar já eu estava aos pinotes por mais um bom almoço. O espaço é suficiente para fazer uma casa agradável que não será de modas mas sim um porto de abrigo para uma petiscada dentro ou fora das horas de refeição.

Assim sendo, cruzo os braços tipo Zé Povinho e digo: Tomem lá mais uma tasca! Para quem a quiser visitar tem que se deslocar até à Rua Clemente Menéres, nr.36.



Salto à Tasca - 77

Churrasqueira Icarai - Brasa com pouca chama...

Rua de Sá da Bandeira, nr.121 (Porto)


A Churrasqueira Icarai é um local com alguns anos, num local de grande tráfego mas que se apresenta com poucos trunfos para combater a forte concorrência que a rodeia. A forma de comunicar não cativa muito e mesmo o churrasco não chega ao nível das restantes churrasqueiras da zona.

E quando uma churrasqueira não apresenta um churrasco que nos cative não sobram muitos argumentos para que voltemos a falar nela, e pior de tudo  para que voltemos.

Claro que apresenta menus que se pode pedir para um grupo e que fica em conta. Mas por muito que tente arranjar razões para mudar o discurso não consigo. Temo que esta crítica fique por aqui, com a pena de não dizer que voltaremos, mas é a grande verdade. A não ser que façamos o contraditório numa churrasqueira (que é pedir churrasco), pedindo umas bifanas. Não provei mas o aspeto faz com que haja uma segunda oportunidade.

No entanto é sabido que estes saltos à tasca são visita única e não há nada como uma nova visita um dia para ver se somos surpreendidos pela positiva.

Para os interessados a Churrasqueira Icarai fica na Rua de Sá da Bandeira, nr.121.



Salto à Tasca - 76

Restaurante Caseiro - Se é caseiro é bom...

Rua Campinho, nr.27 (Porto)


O Restaurante Caseiro fica nas costas da Rua Passos Manuel mas gosta muito de mostrar o que tem para nos vender. E exemplo disso são as grandes fotografias dos pratos servidos que vemos na montra que até nos tira a visibilidade para o seu interior. Mas percebe-se o porque pois a  comida tem muito bom aspeto.

A sala também acompanha o ritmo da comida pois apresenta-se airosa, com capacidade de atender muitos gulosos e convida a voltar. Como em muitas quintas feiras, o rei do dia eram as tripas à moda aqui da terrinha. Estas não sendo das melhores que já comemos, acordam os sentidos e faz-nos olhar logo para a travessa a ver se a quantidade é suficiente ou se devemos pedir para por já de lado mais duas doses.

Voltando ao espaço, antes de chegarmos à sala ainda caminhamos de mão dada com o balcão que também apresenta alguns pretextos válidos para nos fazer parar, seja uns petiscos ou uma fatia de presunto.

O Restaurante caseiro não criando uma história caricata ou que nos prenda muito mais nesta cruzada, fica como um  local onde se sabe que se vai comer bem, de uma forma acessível e com espaço para esticar as pernas.

O Restaurante Caseiro fica na Rua Campinho, nr.27 na cidade do Porto.



Salto à Tasca - 75

Restaurante Palmeira - À sombra da Palmeira...

Rua Ateneu Comercial do Porto, nr.36 (Porto)


O restaurante Palmeira é outro caso cada vez mais raro de longevidade na cidade do Porto. Este local é sem dúvida um restaurante que serve a comida tradicional portuguesa e por isso mantém ainda hoje uma clientela assídua e que reconhece o valor do que nosso.

Este restaurante tem duas entradas. Uma pela Rua Ateneu Comercial do Porto, 36 e outra pela Rua Sá da Bandeira, 182. Se por um lado entramos para uma sala simpática que soube adaptar-se à modernidade, por outro entramos para um balcão que me faz lembrar as refeições diárias de infância. Confesso que tenho um certo gosto em comer ao balcão, em ver toda a movimentação que ocorre dentro do mesmo, de ver o processo de transformar uma necessidade básica num momento de relaxamento, satisfação e até prazer.

Seria impossível que pudesse registar todos estes 75 saltos à tasca já caso não houvesse uma pontinha de satisfação e prazer neste ato de comer, que por vezes passa bem despercebido.

Voltando ao Palmeira, enquanto aprecio a lista que me dificulta a escolha devido aos variados pratos típicos que me apresentam, penso de onde virá a escolha pelo nome… Não me parece que outrora tenha nascido aqui uma palmeira. Este é daqueles pensamentos que utilizamos para matar os pequenos minutos que nos separam das primeiras garfadas. E hoje meti a “língua” onde não era chamado. A sorte é que a língua vinha estufada e acompanhada de umas ervilhas. Que delícia. Desta vez não houve más-línguas que pudessem estragar este almoço.

Antes deste petisco abri com uma sopa de feijão verde magnífica e fechei com um queijo com marmelada. O café selou um magnífico almoço, não muito em conta para quem procura um prato económico. No entanto o grau de satisfação vale bem o que desembolsamos a mais.

Quando estiver na dúvida de onde comer uma comida tradicional portuguesa, deixe-se estar à sombra da Palmeira.



Salto à Tasca - 74

Adega S. Romão - Até ao fundo da Travessa...

Travessa dos congregados (Porto)


Voltamos mais uma semana á Travessa dos Congregados pois havia um local, lá bem para o fundo, que não podia ser esquecido. Mas é normal que passe despercebido pois a Travessa, apesar de estar “paredes meias” com a Avenida dos Aliados não tem saída e não fica no caminho de quase ninguém.

No entanto, o antigo sinal ainda se mantém visível para quem ousa entrar na famosa Travessa dos Congregados, quem sabe vindo da Casa da Sorte e buscando fortuna na arte do bem comer. À entrada temos logo o “sinal” que aqui a história ainda se mantém pois as portas de “vai e vem” ao estilo Saloon marcam a época. Damos uma espreitadela por cima da porta e aqui é tipo as portas, ou entram ou saem. E lá entramos…

O aspeto é autêntico e remonta há alguns anos atrás, demasiados se calhar. Para ser perfeito era termos entrado com uns óculos que só nos permitissem ver a preto e branco, virmos vestidos com calças à boca de sino e ter estacionado à porta não as nossas ST de 1300cc mas sim uma autêntica Famel XF-17.

A casa é algo sombria e fria. O Inverno faz-se sentir cá dentro e tilintamos os dentes à espera de uma comida que nos aqueça a alma mas acima de tudo o estomago. A sugestão do dia é um cozido à portuguesa e a sugestão não podia ser melhor. No entanto confesso que a expectativa foi algo superior à realidade. Naquele momento lembrei-me do excelente cozido da Adega Azul em S. Pedo da Cova. Mas a realidade é esta e aqui valem as recordações de um tempo antigo, onde a pedra nas paredes testemunha um sem número de histórias portuenses. O velho balcão observa a plateia e pede que voltemos. Esta casa merece que continuemos a voltar de quando em vez e se não for pelo cozido será certamente por outra iguaria qualquer pois quem aqui serve luta para que nos sintamos bem e que valha a pena ir até ao fundo da Travessa dos Congregados.



Salto à Tasca - 73

Novo Paris - O Paris de Portugal...

Travessa dos Congregados (Porto)


A Travessa dos Congregados guarda no seu ventre de biela escondida uns quantos tesouros.

A idéia inicial era ir ao Flor dos Congregados mas a antiga tasca é agora um lugar bem bonito e cuidado com diversos elementos decorativos apelativos mas gourmet, o que só por si não é problema, não fosse os preços subirem em flecha. Para nós que procuramos algo comedido a um almoço de semana, torna-se fora de hipóteses. Se calhar é por isso que estava sem nenhum cliente e assim ficou.

Este detalhe fez com que fossemos a um dos seus vizinhos, o Novo Paris, e ainda bem que assim foi.

Aqui, voltávamos ao que apreciamos. Preços acessíveis (mesmo que no final com tudo o que comemos paguemos um bocado mais, mas ao menos com a barriga consoladinha), e um local que ainda mantém os traços e elementos antigos.

À entrada temos uma sala generosa e um balcão longo que dava para aviar um regimento. A madeira abunda no balcão e paredes, os topos de pipos cortados e inseridos nas paredes rematam uma decoração simples mas confortável. As garrafas expostas são muitas e a placa que informa que os vinhos da casa são do Douro atestam a qualidade do mesmo. Após uma pequena passagem encontramos outra sala, por isso lugares disponível é coisa que haverá certamente.

Mas passando para o que interessa, entre a sopa e o caldo verde todos aqueceram os “pezinhos”. Para “botar” corpo eu fui num muito apreciado frango com caril enquanto os meus compinchas foram nos filetes de polvo. A comida estava muito saborosa e com uma confecção cuidada. Fiquei com curiosidade de experimentar outros pratos.

Para acabar e como é da praxe pedimos duas doses de queijo com marmelada para nos adoçar a tarde. Logo após chegavam os cafés e a hora de partir.

Contas feitas deu 12.50 euros a cada um, mas todos eles gastos em comidinha reconfortante e ao bom gosto destes glutões.



Salto à Tasca - 72

Restaurante Abadia - Comer como Abades num histórico do Porto...

Rua Ateneu Comercial do Porto, 22 (Porto)


Decorre o mês de Dezembro quando efetuamos a visita a este restaurante que de tasca nada tem. No entanto o nosso lema são as tascas e restaurantes emblemáticos da cidade do Porto. Este, que situado na zona histórica do Porto foi fundado em 1939 não podia faltar nesta contagem. Assim, em modos de celebração do Almoço de Natal dos Saltitantes à Tasca, viemos ao Abadia.

O Restaurante Abadia fica na Rua Ateneu Comercial do Porto, n.22-24 e quando entramos ficamos deslumbrados com o seu interior. O local é amplo e com vários andares e secções. A decoração mistura-se com elementos respeitadores da sua antiguidade com outros bem modernos. Saliento as cores fortes que contrastam com os azulejos das paredes e as madeiras e grades que pregadas às paredes de pedra guardam as memórias das visitas ilustres que por aqui passaram. Os registos fotográficos e escritos dão conta da passagem de Francisco Sá Carneiro, José Saramago, Sophia Loren, entre outros.

A sugestão foi as Tripas que hoje, quinta feira, fazem as delícias dos que visitam a Abadia. Acompanhamos com um verde fresquinho de nível superior (que era dia de festa) e comemos como uns Abades!

As sobremesas caseiras colocaram os níveis de açucar na prateleira de cima mas saímos de lá a lamber os beiços. O Abadia não é restaurante económico, de prato do dia na acessão da palavra mas vale a pena quando queremos estar num local calmo, com um atendimento cuidado e com a garantia de uma refeição bem confeccionada.

Com umas pequenas alterações quase podemos replicar o que uma publicidade com umas dezenas de anos transmitia: “Restaurante Abadia – A casa que melhor serve. Vinhos das melhores precedências. Conforto e asseio. Atenção: Quer V. Ex.ª comer bem com economia? Almoce e jante na Abadia”



Salto à Tasca - 71

Restaurante Migalhas - É Migalhas mas no fim é barrigada certa...

Rua Ricardo Jorge, 9 (Porto)


Quem chega tarde por vezes apenas se contenta com as migalhas. No entanto hoje foi dia de chegar bem cedo pois o Migalhas tem tudo o que se pode pedir. Boa comida, sala simpática e está mesmo ali à mão no centro da cidade invicta.

Quem sobe a Rua Ricardo Jorge, pelo número 9 da mesma vemos um letreiro que nos comunica que podemos recorrer ao serviço de take-away mas nós, famintos inconformados não temos tempo para andar de trás para a frente. Tomamos de assalto o Migalhas e exigimos saber de onde vinha tal aroma!

Hoje, as Tripas borbulhavam num rebuliço mas o cozido tinha também bom aspeto e já me tinham comentado que a francesinha também era coisa boa. Os meus colegas diziam que eram melhor uma saladinha, algo mais light, mas como eu sei que eles com esta conversa só me querem atirar migalhas para os olhos, fiz questão de ser o primeiro a pedir. Venham de lá essas Tripas!

A sala é simpática, acolhedora e bem decorada jogando com alguma pedra à mistura que me agrada sempre. Nas paredes entre vários quadros existe um bem grande e sempre belo que retrata a ponte D. Luís.

Melhor retrato só mesmo o do nosso prato mas nenhum retrato poderia passar a bela sensação que tivemos ao degustar as nossas escolhas.

Assim sendo, sempre que vos mandarem as Migalhas, escolham o da Rua Ricardo Jorge e será barrigada pela certa!

Salto à Tasca - 70

Café Pontual - Pontual não é muito, mas saboroso...

Rua de Almada, nr.350 (Porto)

Geralmente à hora de almoço toda a gente tenta ser pontual. Pontual à saída do trabalho, pontual na chegada ao local de almoço e pontual na hora de sair do restaurante para que possa ser pontual na hora de entrar novamente ao serviço.
No entanto viriamos a descobrir que a pontualidade neste espaço está armazenada numa cave escura que raramente vê a luz do dia.
Isto deve-se em grande parte ao facto de haver apenas uma pessoa para atender ao balcão, ás mesas e ainda dar uma mãozinha à cozinha. Não sabemos se será sempre assim mas desta vez levamos com a fava.
Esta espera porém foi compensada com a degustação da especialidade da casa, que não é nada mais nada menos do que a nossa tão adorada francesinha. E acreditem que tem que ser muito boa para compensar um sem número de incómodos que sentimos quando vamos ao Café Pontual, nomeadamente o trânsito e dificuldade para estacionar (já que estamos a falar da rua do Almada), o espaço não muito confortável e por fim um serviço demorado.
E não tem nada de bom? Tem! Tem o mais importante até e aquilo que nos fez ultrapassar todos estes obstáculos, a excelente francesinha. E não falamos só na francesinha mas sim em todo um conjunto de elite que acontece apenas quando os astros estão alinhados e formam um trio de luz que se traduz em francesinha, batata e cerveja! Não é fácil e olhem que já andamos nestas lides há algum tempo. 
Por isso naqueles dias em que a embalagem não vos interessa mas sim o conteúdo, em que o caminho é apenas o modo de atingir o objetivo, escolham este espaço… e tentem ser pontuais
.

Salto à Tasca - 69

Casa Bragança - O Carnaval da Invicta

Rua Arquiteto Nicolau Nasoni, nr.16 (Porto)

   No Porto a Casa Bragança serve meio mundo, e nem precisa de tradutor!

   È salsicha Alemã, é calamares à Romana, é picanha à Brasileira, é tripas à moda do Porto… Era colocar um carro alegórico à porta e começava ali mesmo o carnaval da Invicta!

   O que é certo é que na Casa Bragança a folia dos pratos é variada e sempre a sair! Bem perto dos Clérigos e a caminho dos Aliados, a sua localização atrai turistas e estes não se fazem de rogados. Tal como abelhas para o mel, os transeuntes vidram nas luzes verdes, nas bandeirolas de S. João e nas toalhas de mesa aos quadrados!

   Por outro lado, o quadro que à porta apregoa os pratos do dia a 5 euros é o queijo suíço na ratoeira gastronómica.

   No entanto, cair nesta ratoeira dá direito a saborear não só o queijo mas também a marmelada! E isto foi só o final pois antes ainda mandamos para a siderurgia do corpo humano uma fatia de bolo de chocolate, que por sua vez fechou a porta a umas papas e umas tripas! Que fartote!

   Seja almoço ou jantar, na dúvida de onde encher apança, dê dois pinotes e três cambalhotas e vá parar à Casa Bragança.



Salto à Tasca - 68

Restaurante Girassol - 3 A's Girassol... Já dizia a publicidade! E aqui é nota máxima
Rua Sá da Bandeira, nr.131 (Porto)

  O Restaurante O Girassol partilha o nome com o hotel que se situa mesmo em cima. O espaço é requintado e bem decorado. É frequentado por indivíduos de fato e gravata e apresenta uma acalmia que contrasta com a ainda “stressada” Rua Sá da Bandeira, onde o Teatro resiste e assiste ao frenesim das lojas, à confusão do trânsito e ao palpitar do coração da cidade mesmo ali ao lado.

  A cor do interior do estabelecimento faz juz ao nome. Tudo é em tons de amarelo, laranja e derivados. É o nome, as paredes, as vestimentas e até as ementas.

  Na entrada algo amarelo e “alaranjado” também me saltou à vista e despertou a curiosidade do meu palato! Era uma francesinha fumegante e de traje tradicional que me deixou a salivar. Estava encontrado o prato do dia! Confesso que à primeira vista nem é local que puxe para esta iguaria. Via-me mais a comer um bom cozido, uma vitela ou um assado. Tudo aqui se encontra bem decorado, arranjado e dividido. São educados no trato e assertivos nas suas intervenções. Nota-se a vontade de agradar e de bem servir.

  Conversa à parte, eu queria era espetar o guarfo na irmã daquela que tinha passado por mim pouco tempo antes e ver se o molho estava à altura da aparência.

  Eis que chegava a dita cuja e digo-vos que de onde menos se espera, é de onde temos a melhor das surpresas. A francesinha do Girassol catapultou-se para o top sem passar na casa da partida e sem receber os 2000 escudos. O bom disto é que não há e nunca haverá o monopólio deste prato e certamente iremos sempre descobrir novos sítios para degustar este manjar dos justos e dos simples.

  Nota “A” ou melhor, 3 A’s para o Girassol.

  César Ribeiro

Salto à Tasca - 67

Restaurante Casa Pinto - Não tenho nada, mas tenho tenho tudo!
Rua Faria Guimarães, nr.275 (Porto)

  A Casa Pinto é mais um espaço que resiste em manter o que tem, e que não é nada mais nada menos do que aquilo que tinha há muito tempo atrás. Muito pouco… A regra nestes espaços é simples. Não mudes senão estragas.

  Não vais conseguir competir com os mais recentes nem tens interesse nisso. Serve-me o que de mais básico consegues e põe sabor como se fosse feito lá em casa. Hoje o menu resume-se a panados com arroz de feijão vermelho e couves. Gosto! Se pudesse vir com umas batatinhas caseiras fritas, cortadas em gomos incertos era que nem ginjas. E foi! O vinho esse era “surrapa” da mais áspera que me passou nas pupilas gustativas mas até isso desperta o interesse e combina com os detalhes deste espaço! Não compliques o pedido senão não sais de cá tão cedo. A rotina é simples e para seguir à risca.

  Quando foi a última vez que entraram num restaurante onde está uma balança de dois pratos coberta por um pano com uns legumes impressos, onde as mesas têm toalhas aos quadrados azuis e brancos… e legumes impressos, onde as canecas do vinhos são brancas e no fundo uma cristaleira guarda o serviço, o frigorífico fica no meio da sala e temos as mais variadas plantas na montra?

  Pois, não se lembram. Até eu não me lembrava de que isto é possível. Existir um local onde apenas se faz uma e uma única coisa, comer o que alguém preparou ali na cozinha ao nosso lado. Não queiras internet, sobremesas complexas ou aperitivos variados. Há pão que é posto na mesa diretamente do grande saco de papel que a padeira deixou. A sopa faz parte do ritual e se quiseres tomas um café com o melhor dos bagaços.

  No fim pedem-te uma nota daquelas de menor valor pois as moedas dão cabo dos bolsos! Está certo? Está, os outros é que estão errados! Pois…

  César Ribeiro

Salto à Tasca - 66


Restaurante Don Grilon - O embuste agradável dos Poveiros!
Rua Passos Manuel, nr.245 (Porto)

  O Don Grilon é um embuste! Entro a pensar que o restaurante se resume a 3 mesas mal amanhadas junto a um balcão, onde não se deve comer nada de especial, e eis que após passar num corredor a modos de quem vai para a cozinha, deparo-me com uma excelente sala de teto em madeira, cheia de gente que descobriu a pólvora antes de mim! Não é justo.

  O embuste é um bom embuste e não havia necessidade de ter demorado tanto a descobrir este local.

  Pelo movimento já muita gente caiu nesta esparrela e ficou fã claro está, não fosse a longa lista de pratos do dia. Desde posta de pescada grelhada a Dourada, posta de salmão a filetes de polvo, lombo de porco a cabrito, bifinhos de boi a esparghete à bolonhesa, não falta o que escolher. Com jeitinho além da variedade ainda tem qualidade e bom preço! Sacanas!

  Confere. Fiz o teste ao pedir uma posta de salmão e os meus colegas um churrasquinho e bifinhos de boi. O serviço é eficiente e bastante profissional. A grande sala revestida a azulejos e de requinte tosco é um excelente pano de fundo para um almoço relaxado.

  Durante o almoço fomos apreciando os azulejos com ditados populares, os cachecóis e os símbolos portugueses. Quando demos conta já tínhamos rapados os pratos e ganho o direito a comer uma sobremesa! Veio uma mousse de chocolate e um queijo com marmelada. Nem deu tempo para descrever. Depois de limpar os bigodes pedimos café e a conta.

  Saímos satisfeitos e com mais uma boa referência na arte de bem comer na cidade invicta. Bem bom Don Grilon!

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 65


Restaurante Sol e Sombra - O Portugal dos anos 70!
Rua Passos Manuel, nr.230 (Porto)

 Há uns tempos, dava uma série chamada “Conta-me como foi” que retratava a vida em Portugal nos anos 70. Várias cenas eram filmadas nos cafés e tascos da altura.

  Imaginem o seguinte cenário: Uma porta em inox, ao lado uma montra forrada a jornal com pratos de iscas, filetes de peixe, bolinhos de bacalhau, rissóis e chamuças. Dentro, uma casa revestida a azulejo, balcão de inox comprido e bancos para quem nele se quer sentar. A parede atrás do balcão a segurar mais de 25 prateleiras que com a borda rendada expõem as mais variadas garrafas. Na sala, as diversas mesas quadradas de madeira com tampo verde organizam-se formando o layout da casa e distribuindo as cadeiras de tampo e encosto almofadado em pele preta.

  A lista escreve-se à mão e os pedidos gritam-se da sala para a cozinha numa eficiência superior a qualquer sistema sem fios atual. O prato do dia bifanas picantes (a especialidade) ou uns rojões, que podiam ser servidos com uma grande combinação de acompanhamentos, desde que fosse arroz ou batatas fritas. O dono usa brilhantina e usa da boa educação que lhe foi passada desde a sua infância.

  Estão a ver o cenário? Quem não está a ver pode passar na Praça dos Poveiros e dar uma espreita. São casas cada vez mais escassas e que vão sucumbir rapidamente numa sociedade que fervilha inovação. Mesmo nos dias com mais sol, esta casa passa despercebida na sombra do movimento da cidade invicta. No entanto eu gosto do estilo e de vez em quando sabe bem visitar a simplicidade de outros tempos e apreciar os locais por onde o tempo não passa.

  Quanto à comida, a simplicidade também é apreciada e as bifanas picantes anunciadas num pedaço de papel correspondem à expetativa e passam também elas a ser um bom cartão de visita deste espaço. Vão, viagem aos tempos dos vossos pais e depois, contem-me como foi.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 64


Casa de Pasto O Golfinho - Levamos o golfinho a pastar... uma francesinha!
Rua Sá Noronha, nr.137 (Porto)

  A casa de pasto O Golfinho é uma rapidinha! Isto porque não há muitos floreados, histórias e “cenas” como se diz agora, situações, cartões ou complicações. Até porque a meia dúzia de mesas que alinham paralelamente ao balcão nesta casa que se nos apresenta esguia, manda sentar, comer e ir pregar para outra freguesia. Se preferirem também podem sentar ao balcão na dezena de bancos que ali estão ancorados.

  A casa é antiga, tem bonecada na montra e cria raízes numa rua que passa bastante despercebida apesar da sua proximidade com o coração da cidade. À noite, o movimento entre bares já expõe mais a casa mas ela remete-se ao silencia e fica a ver passar.

  Dentro encontramos uma casa cuidada e estimada, e com um atendimento informal como se de amigos se tratasse. E se não eramos ficamos a ser. A pequena cozinha à vista de todos organiza-se e dá conta do recado através do seu monoposto.

  Mas o que é que se come aqui!? Onde menos se espera encontrei uma das melhores francesinhas do Porto. Esqueçam qualquer comparação pois os gostos são relativos e nunca chegaríamos a nenhuma conclusão. Apenas digo que se vos convidarem para uma francesinha no Golfinho podem ir sem hesitar. Além das francesinhas há os pratos do dia, há os pregos, há bifanas, há rojões e alegria.

  Na nossa visita a Francesinha com batata, um príncipe e um café ficou numa conta redonda de 10 euros a cada um. Até já!

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 63 


Adega do Carregal - De pedra e cal no bem servir!
Travessa do Carregal, nr.102 (Porto)

  Há casas em que a gente entra e gosta. Casas onde nos sentimos seguros e esperamos que algo de inesperado aconteça. Na adega do carregal não existem janelas. As duras e toscas pedras que amontoadas conferem a segurança que esperamos de um abrigo, são confidentes de boas conversas.

  Neste espaço caía bem um fadinho, uma serenata ou uma bisca lambida! Mas há outra coisa que se pode fazer e se recomenda, seja à hora do almoço ou ao jantar. Comer umas Tripas!

  Confirma quem já provou e já conhece, pois a Adega de Carregal passa um bocado despercebida. Não fosse a pequena chapa gravada e quase ninguém que por ali passa saberia que ela existe. Os restantes pratos também tinham bom aspeto e os preços são acessíveis. A lista é diversificada por isso encontrará algo de que goste. Os empregados são amáveis e atenciosos e conferem a esta antiga casa um nível de atendimento que faz dela uma excelente alternativa seja qual for o seu estatuto social, gosto ou até religião.

  Livre-nos Deus nosso senhor de todo o mal para que a gente possa continuar a visitar sítios como este. Não sou supersticioso mas ando sempre com um sapo zarolho e um dente de alho no bolso, não vá o Diabo tecê-las e acabar com estes locais!

  Para quem não se guia pelas estrelas e tem um GPS em vez de ábaco é só ir até à Travessa do Carregal e tirar a prova dos nove.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 62


Restaurante Comme Ça - Ça va? Vá vá que vai gostar!
Rua José Falcão, nr.199 (Porto)

  Ça va? Vá vá que vai gostar! Trocadilhos à parte o Restaurante Comme Ça é um encanto para os olhos de quem, tal como eu, se perde com objectos antigos, decorações fora do comum e detalhes não comuns nos tradicionais restaurantes.

  Confesso que só a meio da refeição é que reparei no que comia tamanha é a quantidade de objectos antigos ou reproduções fiéis dos mesmos, ora pendurados na parede ora escondidos pelos cantos.

  O próprio conceito do Comme Çá é deveras interessante. Apresenta cada dia 3 pratos à escolha, colocam uma garrafa de água à disposição, um buffet de saladas para entradas e ainda um café por 4 euros. A sobremesa é à parte mas é uma parte que nós, glutões anónimos não dispensamos. Na decoração encontramos diverso material ainda em ferro por isso não podíamos acompanhar a refeição com água para não correr o risco de enferrujar as peças. Assim sendo fomos numa litrada de sangria… e que nem estava má de todo. Assim sendo, confesso que dos 4 euros básicos também não pagamos muito mais tendo em conta a sangria e vistosa sobremesa. A cada um foram subtraídos 8.50 euros do seu património.

  Ainda na comida, a minha escolha foi o arroz de tamboril e como já ando nisto há algum tempo não podia esperar um arroz de tamboril daqueles que a gente gosta e navega por apenas 4 euros! Mas o sabor estava lá e mesmo que me dessem manteiga de amendoim, estava encantado com o espaço por isso vale bem a pena.

  Voltando ao espaço pois é o que ressalta e merece visita, entramos num mundo onde as lembranças de infância tocam a todos, seja pelos espremedores de laranja de manivela, o fogão tipo da avozinha, utensílios de cozinha da “idade média”, jarras de cerâmica e colheres de padeiro, potes de ferro com 3 pernas ou mesmo balanças de pratos suspensos. Há “lembranças” para todos e assim sendo, mesmo que a comida seja assim comme si comme ça, vá e relembre a infância enquanto brinda com um copo de sangria.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 61


Restaurante O Ernesto - Ò Ernesto, anda cá ver isto!
Rua da Picaria, nr.85 (Porto)

  Ó Ernesto, anda cá ver isto! Eu sei que devia ser ò Evaristo, mas é caso para dar uma vista de olhos seja qual for o nome do indivíduo.

  O nr.85 da Rua da Picaria existe como estabelecimento de restauração desde 1938 e só por isso torna-o uma das casas com mais histórias da cidade do Porto. Claro que quando entramos rapidamente vemos que os tempos trouxeram consigo mudanças, alterações, camadas de tinta e restruturações.

  No entanto, a Casa Ernesto é um local aconchegante, com uma decoração cuidada, com as paredes a mostrar a pedra tal como adolescente mostra o seu umbigo, e no lugar dos piercings encontramos quadros e móveis com garrafas. Podemos subir para o primeiro andar onde contamos com mais uma sala e ainda usufruir no pitoresco terraço interior que mesmo só tendo vistas para o céu, se torna um spot diferente e por isso único.

  Já aqui tinha feito um jantar de aniversário e confesso que não lidam com a exigência de um grande grupo (apesar do excelente atendimento do seu staff) como lidam com menos azáfama. Nesta visita éramos 3 por isso tinha tudo para correr bem.

  O tempo estava agradável e o sol cá fora ainda esperneava dando o seu calor de Setembro o que não faz puxar o apetite pelas tripas que tinham até bom aspeto. No Ernesto há quem aprecie os filetes de polvo ou os rojões.

  Numa sintonia ao jeito dos carroceis da feira popular, fomos os 3 para uma alheira com ovo, batata às rodelas e feijão verde. Claro que o feijão verde é só para enganar e dizer em casa que nos portamos bem e comemos legumes. Estava estaladiça tal como eu gosto, mas nada chega às alheiras tradicionais de Trás-os-Montes, feitas nas brasas das grandes e toscas lareiras.

  Para adoçar o bico ainda calcinamos duas tartes de amêndoa e regamos com uma dose de cafeína. Conta pedida e repartida, cada um desembolsou 11 euros e mais uma moeda preta. Ó Ernesto, até à próxima.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 60


Restaurante Romão - Uma rica cozinha aqui à mão!
Praça Carlos Alberto, nr.100 (Porto)

  Nas últimas semanas temos andado em volta da Praça Carlos Alberto e foi de frente para a mesma praça que almoçamos esta semana. Ainda por cima tivemos a sorte de estar um belo dia de sol o que permitiu que pudéssemos usufruir do petisco em plena esplanada.

  Não há nada como estar na esplanada com um dia de sol e poder ver as miúdas estacionadas (as motas claro!), enquanto pomos a conversa em dia. O Restaurante Romão forma a par com uma casa comercial, um recanto e uma esquina bem engraçada, pelo que a juntar à proximidade com a Praça dos Leões, não faltam turistas a passar e a invejar o nosso petisco.

  O petisco esse é que acaba por ser o mais importante. Hoje particularmente pois já um bocadinho fartos de vinho “surrapa”, mandamos vir uma garrafinha de Cabeça do Pote que aliando a fome a umas pataniscas e um pão com manteiga ainda quentinho, levou logo um desbaste que quase hipotecava uma tarde de trabalho.

  A comida saía com muito bom aspeto e entre os convivas a escolha recaiu entre os filetes de pescada com arroz de tomate e a carne estufada. Ambos os pratos chegaram de cor alegre e a fumegar sabor. Muito bem confeccionados. Deitamos mãos à obra e no final estávamos contentes com a empreitada.

  Para dar o toque de arquitectos do bom comer, pedimos duas doses do tradicional queijo com marmelada que nem sequer tive tempo de fotografar, pois isto de repartir não é para lentinhos.

  Para a escritura, juntamos os 23% de iva, incidência sobre o valor e contas feitas deixamos 12.50eur cada. Posto isto, declaro que se o sol brilhar e pela Praça andar, é bem provável que venha aqui novamente parar.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 59


Casa A Viúva - Pequenino mas recheadinho!
Rua Actor João Guedes, nr.15 (Porto)

  A Casa Viúva estava mais concorrida do que funeral do Padre da aldeia. Estivemos quase a desistir e a ir ao vizinho mas lá previmos uma vaga e esperamos mais um pouco. Confesso que não gosto de esperar mas restaurante que não tem movimento é como moinho sem vento, certamente que boa farinha não faz.

  A sala é pequena e a cozinha é gerida certamente por uma ginasta, mas o que é certo é que dá conta do recado e toda a gente tilintava os talheres enquanto nos escolhíamos o que comer. Para este salto eramos cinco e a escolha foi unânime. Pedimos todos o pernil assado no forno.

  Para molhar o bicho a divisão foi entre o verde branco e a cerveja.

  Lá fora 3 Pan Europeans pastavam os paralelos da Praça Carlos Alberto. Aqui a escolha é diversa mas a Viúva é também ela um jogador de peso.

  Entre sopas e pernil, desta vez não houve espaço para a habitual sobremesa. Fomos diretos para o café para estimular a tarde que se seguia.

  Aqui a conversa leva a atenção pois também não há muitos pormenores para a gente se distrair. O espaço simples serve perfeitamente para almoçar ou jantar sem comprometer o paladar ou a carteira. Fica a referência.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 58


Casa Expresso - Floreados? Não, aqui é para comer!
Praça Carlos Alberto, nr.73 (Porto)

  A Casa Expresso é a típica casa antiga que soube manter as suas portadas de madeira, o seu longo balcão que nos separa das prateleiras carregadas de canecas, e pratos fixos na parede com os ditados populares.

  Junto à Praça Carlos Alberto e bem perto do centro da cidade, esta é uma excelente escolha para um almoço genuíno onde se toma o pulso da nossa sociedade trabalhadora e se vê o gosto pelo que se faz.

  A casa é simples, de tom limpo e de aspecto familiar. É dos sítios sem floreados onde se serve toda a gente, venham de calças ou calções, sejam polícias ou ladrões.

  Fominha era coisa que eu trazia e o olfacto já vinha a trabalhar desde a entrada. Fomos num vistoso Rancho, bem cozido e de paladar apurado. Ainda houve quem fosse nos filetes de pescada e ainda um na Vitela assada. Para acompanhar nada melhor do que uma canequinha de maduro tinto que é também ela uma presença assídua dos nossos saltos.

  Para sobremesa dividimo-nos entre o tradicional queijo com marmelada e uma fatia de melão.

  Café tomado e era hora de pagar a conta. De papo cheio e depois de largar 8.50 euros cada um, fomos para a Praça onde as montadas nos esperavam para uma ida até ao trabalho. Voltaremos.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 57


Restaurante D. Quixote - Combater moinhos a cavalo num ovo!
Rua do Bonjardim, nr.579 (Porto)

  Quando penso em D. Quixote vem logo à minha mente a obra de Cervantes e a caricata personagem que combate moinhos como se fossem gigantes em busca da sua Dulcinea.

  Aqui, nem moinhos nem cavaleiros. A única coisa a cavalo que vi foi um excelente ovo em cima de uma costeleta de vitela que acompanhada por um arroz de feijão fez-me as delícias do dia e me deu um sentimento de vitória!

  Mas falemos deste local simples mas de bom trato. O Restaurante D. Quixote é um local onde ficamos divididos entre uma cafetaria ou restaurante. Certamente que a coisa pende para um lado ou outro de acordo com a hora da visita!

  Nós fomos almoçar e nesta interacção as escolhas recaíram entre as Tripas e a Costeleta de Vitela com arroz de feijão. Ambas as escolhas estavam divinais e depois da refeição parece que tínhamos forças suficientes para viajar até aos campos de Criptana em busca dos pseudo gigantes.

  Ainda antes de terminar esta aventura, esquecemos o tradicional queijo com marmelada que é nossa escolha normalmente e fomos numa fatia de melão que se ria a cada vez que lhe deitávamos o olho na vitrine.

  O café selou este rápido mas muito saboroso almoço, e colocou o D. Quixote como uma excelente escolha para um almoço no centro da cidade.

  De salientar que o D. Quixote também disponibiliza os pratos do dia em prato como quarto de dose, o que faz com que sejam também elas mais económicas para todos os cavaleiros combatentes da crise que se apresenta por vezes como um terrível gigante.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 56


A Sandeira - Melhor do que uma sandes, só mesmo duas!
Rua dos Caldeireiros, nr.85 (Porto)

  A Sandeira… que poderei eu dizer da Sandeira? Se fosse um mural ou uma página de facebook fazia-lhe um like, se fosse uma miúda gira piscava-lhe um olho e se fosse um boletim do totoloto não ia daqui embora sem lhe fazer uma múltipla.

  A Sandeira é tipo o bolo rei entre a o Natal e a passagem do Ano. Já estamos cheios de o ver, ora com mais frutas ou menos frutos, mais decoração ou menor dimensão mas o que é certo é que quando comemos adoramos, e mesmo que tenha uns dias nós torramos e temos uma nova experiência.

  Bem, o que vos quero dizer é que adorei o espaço e o conceito. Não vim completamente satisfeito pois não sou de pouco sustento mas toda a envolvência compensou no final.

  Confesso que me via com um espaço igual, sem muitas mesas para gerir (apesar da espera dos clientes na porta da entrada), com um ambiente descontraído e que desperta lembranças e põe em sentido… os sentidos.

  As paredes estão forradas com portas, há mobiliário antigo e loiça com a simplicidade de antigamente. Do cubículo que é a cozinha saem as tão faladas sandes. E digo-vos que a Sandeira sabe o que faz. Não vos digo o que leva ou a que sabe. Mostro-vos que é óptima e que já me cresce água na boca ao ponto de conseguir fazer uma limonada.

  Era capaz de comer 3 destas. Fomos no menu, comendo uma sopa, uma sandes e dividindo uma outra. Os bolos são outra tentação que ajudam a suspirar de contentamento. Os menus são de 5 euros não incluindo a sobremesa.

  No final, digo-vos que melhor do que uma sandes… só mesmo duas!

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 55


A Picota - A Rua das Flores abre-se às novas modas!
Largo de S. Domingos, nr.56 (Porto)

  No final da renovada e muito simpática Rua das Flores fica o Largo de São Domingos e entre outras coisas, o restaurante/bar A Picota.

  Este local é ponto de passagem de tudo o que é turista pois entre a lindíssima estação de São Bento e a Ribeira, esta rua agora pedonal, é itinerário obrigatório. Entre as casas antigas e bem recuperadas, restaurantes, o museu das marionetes e outras casas, a Rua das Flores é histórica. Quem nunca foi com os pais à Rua das Flores? Pois bem, a Picota é mais conhecida e frequentada pois disponibiliza, paredes meias com outro estabelecimento, uma generosa e simpática esplanada. Tão simpática e oportuna (devido à boa temperatura) que tivemos que nos sentar no interior pois não havia lugar.

  O interior é também ele simpático, com uma fileira de mesas e paredes em pedra. A claridade da rua convida muito mais do que o interior algo meio sem sal. Falta-lhe algum espírito, essência, tradição. E esse espírito vê-se na forma de como recebemos os alimentos. A refeição estava bem confeccionada e saborosa mas faltou o brio, o prazer de ver no cliente o arfar de contentamento a cada garfada.

  O restaurante /bar A Picota respondeu à chamada. A salada de bacalhau e a costeleta com molho de cogumelos cumpriram o propósito. No final a conta batia nos 7 euros a cada um. A conclusão a que chego é que teria tido mais para contar se ficasse a apreciar as vistas do Largo de São Domingos sentado na esplanada a meio da tarde a comer uns tremoços e a traçar umas finadas!

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 54


Rosa das Iscas - Sozinhas ou acompanhadas, não há como resistir às iscas!
Rua da Lapa, nr.54 (Porto)

  A Rosa das Iscas é uma casa que está ligada ao nascimento do meu sobrinho, e acredito que deve estar associada a muitos outros nascimentos. E perguntam vocês como é que isso é possível!?

  A Rosa das Iscas fica a poucos metros do Hospital da Lapa! E assim sendo imagino que muitas pessoas matem o tédio das por vezes, horas de espera, com uma chapada numa isca vaidosa! E nada como saborear uma isca, mesmo quando se espera o nascimento de um sobrinho! Já que não podemos ajudar, ao menos não estorvamos lá no corredor do Hospital.

  Pois bem, a Rosa das Iscas é conhecida pelas Iscas, claro está. No entanto antes de falar nas ditas cujas gostava de falar do espaço físico pois é daqueles que eu gosto. Nota-se que o tempo passou por aqui, há objectos e marcas de uso que indicam e o comprovam. As madeiras, usos e costumes de casa antigas, a forma de receber e falar… estamos em casa. Com isto tudo, as estrelas da companhia chegavam à mesa. Como estavam? Antes de vos dizer que tal estavam, digo-vos que o que para mim acompanha melhor uma isca, é um arroz de feijão malandro, malvado ou mesmo sacana! Chamem-lhe o que quiserem porque é uma combinação dos diabos.

  As iscas… ahhh as iscas. São de facto óptimas. Vinham quentes e em grupo, e tal como vinham nós respondíamos à altura. Para começar eram nove e nós três, mas não tivemos medo. Para mediar isto tudo pedimos uma canequinha de maduro tinto e foi uma festa até ao final.

  Fiquei consolado na barriga mas desconsolado na carteira, pois o preço pareceu-me um bocado elevado para um almoço de iscas.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 53


Churrasqueira Pedro dos Frangos 2 - De que lado do passeio lhe dá mais jeito?
Rua do Bonjardim, nr.312 (Porto)

  Já aqui foi relatada a experiência do Pedro dos Frangos 1. Quase que podia repetir tudo, mas tudo mudando apenas o número da porta visto que o Pedro dos Frangos 2 fica mesmo em frente ao 1.

  Digamos que é um franchising que não foi para muito longe. A idéia dos franchisings é tentar que qualquer que seja o restaurante escolhido, a experiência vivida será sempre a mesma. No entanto o sol é sempre o mesmo mas não chega a nós sempre da mesma forma, com a mesma intensidade ou aspecto. Há pessoas envolvidas nestas engrenagens e elas mudam a forma de ser e de estar quando está sol, quando está chuva, quando estão mais ou menos bem dispostas, etc, etc.

  Mas mesmo aqui a diferença não foi nenhuma. Tirando a parte de a sala ser mais acolhedora do que no primeiro, o atendimento foi cordial, o frango estava saboroso e no ponto, com qualidade, uma batata acabada de fritar e a estalar, e um vinho gaseificado bem fresquinho a acompanhar.

  Assegurando a qualidade deste triângulo (frango, batata e vinho) não podemos pedir muito mais de uma churrasqueira! É caso para dizer que é muito ano a virar frangos!

  No final a conta acertava na barreira dos 10 euros a cada um, e já na rua e no meio dos dois estabelecimentos, pensava que na próxima vez, será complicado decidir para que lado me irei virar!

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 52


Confeitaria Primor - Mudam-se os tempos, alteram-se as confeitarias!
Rua de Santo Ildefonso, nr.288 (Porto)

  Hoje em dia muitos estabelecimentos servem almoços. Os restaurantes por natureza, os snack-bar por arrasto, as confeitarias porque dá jeito. Engraçado seria se as drogarias, mercearias ou lojas de ferragens fizessem o mesmo durante o período da hora de almoço.

  Eu acredito que seria interessante pois a experiência diz-me que cada vez mais se procuram locais com decoração de tudo o que não seja de restaurante! Eu apostava num cruzamento de várias actividades.

  No entanto o caso em questão é de um prolongamento típico de uma confeitaria que começou a servir almoços. Até aqui tudo bem e no caso da confeitaria Primor continua tudo bem a partir daqui também.

  A aposta neste dia foram os filetes de pescada com arroz branco e salada, e posso dizer desde já que o prato do dia não compromete e até se revelou uma excelente alternativa aos restaurantes. O movimento é o comprovativo desta minha teoria, baseada apenas na relação entre a minha fome e a vontade de comer. Esta rua é bastante povoada no que respeita a locais para almoçar por isso é mais uma razão a juntar ao lote.

  A gestão é familiar e isso verifica-se nos rostos e traços em comum entre o “staff”. O espaço envolvente não prende e até passa despercebido. Confesso que as confeitarias só me chamam à atenção por duas coisas: pela vitrina da rua e pela vitrina interior. Tirando isso associo ao pequeno almoço e ao lanche. De aroma ambiente aprecio o cheiro a pão acabadinho de tirar do forno, claro está.

  Aqui, pelo bom sabor e pela boa experiência, recomendo a confeitaria Primor para um almoço entre bolos.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 51


Restaurante Casa Balsas - Uma refeição onde se troca os "V's" pelos "B's"!
Rua Saraiva de Carvalho, nr.53 (Porto)

  Estamos no Porto e tal como diz a canção, aqui troca-se os V’s pelos B’s.

  Por essa razão não sei se falamos de “Balsa” dançada ou a “Balsa” que navega em socorro após um naufrágio. Dúvidas à parte, dou comigo bem perto da Sé do Porto e do coração desta cidade. Por essa mesma razão é normal a troca das duas consoantes e rapidamente presencio tal arte narrativa.

  Os palavrões também aparecem pelo meio a fazer a vez das vírgulas… não há nada como a cidade invicta.

  Pois bem, o restaurante Balsas é um local simples e sincero. Entre prédios numa frincha de não mais do que metro e meio, reside o pequeno fogareiro que dá andamento à casa.

  Há alegria, há cultura, há Casal Garcia… não se pode pedir mais, nem é suposto. Este recanto cumpre a sua missão e é uma boa hipótese para quem pretende recuperar forças após visitar a Sé do Porto que fica mesmo ali ao lado. À mão também temos o tabuleiro superior da Ponto D. Luís que permite passar para V. Nova de Gaia e ter uma vista privilegiada da zona ribeirinha.

  É tudo muito bonito mas estava ali para comer… O fogareiro abriu o apetite e nele estalava um belo de um entrecosto. Foi mesmo isso. Na sala ainda decorada como se do S. João se tratasse, sou servido com prontidão enquanto ouço as conversas alheias. Não há como evitar.

  Poderia haver muito mais para contar mas o que é certo é que tirando o saboroso entrecosto, a casa não demonstrou muita alma e apenas parecia estar à espera dos turistas que por ali passam. Não digo que não tenha a sua identidade mas para dizer a verdade não me parece que embarque novamente nesta dança gastronómica que caracteriza o Balsas.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 50


Restaurante A Caverna - Sem medo entramos no covil do bem comer!
Rua do Bonjardim, nr.535 (Porto)

  Este Salto à Tasca culmina em quase dois anos de árdua pesquisa, de sacrificar muitas vezes a dieta em prol de uma informação indispensável para quem procura um local para comer bem no grande Porto.
  Como se costuma dizer, há sacrifícios que mais ninguém pode fazer nós. Estes poderiam muito bem ser feitos mas não seria a mesma coisa. Ficaria eu a salivar-me enquanto alguém descrevia pormenorizadamente o prazer que foi provar este ou aquele prato.
  Pois bem, se dúvidas houvesse que seria pouco provavél registar a visita a 50 "Tascos" do grande Porto, eis que eles aqui ficam, apesar de não ficarem por aqui.
  Este 50º teve a sua sorte no Restaurante Caverna.
  A Caverna fica na Rua do Bonjardim, no nr.535 bem perto de outras Tascas visitadas nas semanas anteriores.
  Já tinha ouvido falar na boa comida que se serve na Caverna. Quando refiro o nome deste estabelecimento rapidamente penso numa cave escura, fria e esculpida numa qualquer montanha! No entanto a montanha que subimos foi apenas a dos paladares, do bom atendimento e da pouca vontade de ir trabalhar após um serviço deste nível.
  Hoje a recomendação chegava sobre a forma de Cozido à Portuguesa e a caçarola na mesa ao lado piscava o olho ao desejo e estemecia-me as entranhas. Venha uma dose que nos dois tomamos conta dela.
  O espaço é amplo quanto baste e a decoração minimalista. As paredes fazem juz ao nome e são mais do que suficientes para caracterizar a casa. Sentimo-nos bem e de tasca fica a intenção.
  Com atenção fiquei eu na caçarola enquanto eu meu compincha se servia. O cheiro do cozido era suciente para saber que o sabor vinha logo atrás. Comi, repeti e vivo para recomendar.
  De sobremesa o nosso costume. Um Romeu e Julita, macaco e banana, lençol e cama ou qualquer outra trenguice que nos vem à cabeça enquanto nos lambusamos com tal sobremesa. Impressionante como por vezes a simplicidade desta sobremesa me delicia.
  No final o café que soava para as responsabilidades e uma conta que dividida ficava-se pelos 8.50 euros a cada um. Certamente um local a recomendar.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 49


Churrascaria Casa Capuchinho - Para quem não tem medo do lobo mau!
Rua do Bonjardim, nr.435 (Porto)

  Mais uma vez planamos pelo Porto e fomos ter à Rua do Bonjardim.
  Esta rua conta com com meia dúzia de opções para um almoço diferente e acessível. Esta semana desloquei-me sozinho a este estabelecimento que é um cordeiro na pele de um lobo.
  Digo isto poque quando passamos na rua, a montra carregada de papéis a indicar hipóteses de almoço e a entrada com gente que apenas refresca a garganta, faz-nos pensar que não será muito boa hipótese arriscar em conhecer a sala. Cremos que lá dentro será um covil onde somos mal servidos e atendidos
  No entanto os Saltos à Tasca são valentes e gostam de surpresas. Neste caso e mais uma vez, tive uma boa surpresa. Pelas mesas onde passava via uns belos filetes de pescada, um bacalhau cozido com todos, uma alheira ou mesmo um bife.
  Naquele momento fiquei logo descansado sabendo que dificilmente sairía do Capuchinho com fome. No entanto o calor que já se faz sentir neste mês de Junho, desperta em mim as memórias de pique niques que se fazem no pinhal, na comida "fria" que se pode comer a qualquer hora ou a liberdade de comer onde e quando queremos.
  Assim sendo, quando perguntei o que mais se podia comer, fiquei logo rendido a uma salada de atum e batata cozida, que vinha acompanhado de cebola e azeitonas... Ao tempo que não comia uma bela salada de atum e batata.
  Dificilmente encontraria este prato num outro qualquer restaurante da cidade, e que era servido como a coisa mais normal do mundo. Nada de fritos, enchidos ou de outros processos muito elaborados.
  Apreciei o almoço enquanto a restante clientela falava do mundial de futebol que se iniciava neste dia.
  A sopa de legumes bem saborosa serve sermpre para forrar o estomâgo e deitar abaixo uns legumes. A canequinha de vinho tinto vem na medida certa para um salto à tasca e o pão é em dose individual.
  Não há assim muitos elementos que me ajudem a caracterizar e a diferenciar esta casa em relação a outras tantas que já visitei. No entanto, tem o que de mais dou valor. Falo de um bom prato de almoço, diferente, que ousa nas receitas e pratos esquecidos, que lhes dá sabor e alma, os personaliza e apresenta, a um preço acessível sem mordomias ou falsos atendimentos.
  Para terminar um café esperto que remata e desperta para uma nova tarde de trabalho. No entanto será sempre um prazer, disfarçar-me de capuchinho e ir até a esta "casa da avozinha".

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 48


Tasquinha do Luís - Quem não tem cão, caça com Tripas!
Rua de Santo Ildefonso, aos semáforos do Padrão (Porto)

  Em Santo Ildefonso e junto aos semáforos do Padrão, existe um recanto criativo onde se come à mesa ou balcão.
  Criatividade e comunicação é coisa que não falta neste pequeno espaço, outrora confeitaria Brasil. A montra é rica em dois tipos de enfeites. De um lado meia dúzia de bolos e do outro, dispersos pelo vidro, vários papéis a fazer publicidade aos diferentes tipos de petiscos, desde as moelas aos cachorros, passando pelas sandes de presunto ou mesmo as tripa à moda do Porto.
  Estas só são feitas à quinta-feira o que para nós caía que nem ginjas já que é o nosso dia de eleição.
  Confesso que estava até um pouco envergonhado (segundo dizia a canção) por entrar numa pseudo pastelaria e pedir umas Tripas. Claro que de confeitaria pouco ou nada tem e a decoração e diversas chamadas de atenção para os petiscos, fazem com que nos sintamos na Tasquinha do Luís.
  Enquanto esperamos analisamos o ambiente. Paredes pintadas, alguns apetrechos no balcão, vitrine com alguns petiscos, garrafões de vinho e boa disposição. Só por aqui já temos 90% de probabilidade de sairmos satisfeitos. No entanto estavamos curiosos em relação às tripas, que chegam a ser comunicadas como provavelmente "as melhores Tripas do Porto".
  Lamento desiludir quem pensava que eram dignas dessa destinção. No entanto não andam lá longe e se as avaliarmos na relação qualidade preço é bem provavel que sejam as mais recomendadas.
  O sabor é ótimo e de distribuição correta. Pessoalmente gosto delas com molho mais grosso e menos "aguadas", mas depois de as misturar com o arroz, repito uma e outra vez, ficando mais cheio do que um ovo com duas gemas.
  A caneca de tinto rega as carnes como manda a tradição e embalados pela sempre amena conversa, continuamos a dar coça nas tripas e no feijão.
  As doses bem generosas deixaram-nos sem muito espaço disponível no piso -1, no entanto tivemos a sorte de ser dia de ofertas na Tasquinha do Luís e pudemos degustar um belo de um pudim, elaborado de uma forma perfeita. Eu que nem sou muito amante de pudim, lambi os beiços de satisfação.
  Para selar este pacto entre salgado e doce, tomamos café e pedimos a conta. Esta última também uma ótima surpresa pois tudo isto ficava por uns meros 5 euros a cada um.
  Por tudo isto e alguma coisa mais que podem ver e sentir com os vossos 5 sentidos, a Tasquinha do Luís é uma boa opção numa saltada à Rua de Santo Ildefonso, nº314 especialmente se for uma quinta feira.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 47


Casa Roma - Ir a Roma e comer boa papa!
Rua de Santo Ildefonso, nr.273 (Porto)

  À medida que vamos investigando a Rua de Santo Ildefonso mais são as surpresas gastronómicas com que nos deparamos.
  Esta semana não foi excepção à regra e se na semana anterior tivemos que optar por outra solução devido à grande afluência, desta vez conseguimos ter mesa no Roma. Assim sendo desta vez viemos a "Roma e vimos boa papa"!.
  O espaço está remodelado e bem cuidado. O colorido, limpeza e organização são notas positivas e visíveis desde o primeiro olhar. A olhar em redor também fiquei por momentos a admirar as diversas travessas, todas elas com muito bom aspeto.
  À estrada o placar diz-nos que o prato do dia é variado e de receita tradicional pois quem vai filado na placa publicitária (Ristorante Roma) pensa que está perante um restaurante Italiano.
  Mas mal vem a lista essa idéia desaparece rapidamente, e nada mais tradicional do que um belo cozido à Portuguesa! Venha uma dose.
  Enquanto esperamos pelo dito cujo, pedimos uma sopa e vamos enganando a vontade de comer com umas belas azeitonas e uma broa estaladiça. O vinho esse é da casa (até o pagarmos) mas bem que podia ser da lista pois traz consigo um bom teor de qualidade.
  Mas o melhor estava para chegar e nada mais do que o Cozido em si. A dose, em quantidade mais do que suficiente para duas pessoas, deixava escapar o cheiro de uma carne bem temperada e certamente sucolenta.
  A variedade e qualidade das carnes tiveram nota mais do que positiva, acompanhadas de bons legumes e um arroz seco que nunca compromete mas que ajuda à festa. Brindamos a mais um belo almoço entre amigos e colocamos este poiso na nossa tabela mental de locais a repetir certamente.
  Depois do Cozido veio a sobremesa, e de tão cheios, decidimos pedir apenas uma dose de queijo com marmelada. Como se costuma dizer, para o doce há sempre barriga e o que é doce nunca amargou.
  O que não causou amargo nenhum no final foi a conta pois com tudo a que tivemos direito, e repleto de qualidade, a multa a cada um era de 8.60 euros.
  O Ristorante Roma fica na Rua de Santo Ildefonso, nr.273. Certamente que merece uma visita.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 46


Pizzaria San Martino - A arte "pizzeira" junto aos Poveiros!
Rua de Santo Ildefonso, nr.177 (Porto)

  Como se costuma dizer, a ocasião faz o ladrão, mas a tentação também faz o comilão!
  Esta semana tinhamos idealizado ir visitar o Ristorante Roma em Santo Ildefonso mas chegamos lá e a espera fazia-se à porta tal era a afluência ao mesmo. Pensamos por breves instantes qual seria a alternativa.
  Seguimos em direção à Praça dos Poveiros e eis que o letreiro da Pizzaria San Martino salta à vista. Rapidamente pensamos que caía muito bem sair uma vez do tradicional e ir além fronteiras.
  Já tinha ouvido falar desta casa, que por sinal tem mais uma filial para os lados de Vila Nova de Gaia. DEcidimos então ir numa pizza, e confesso que sou um adepto das boas pizzas.
  Subimos as escadas que nos levam ao primeiro piso do número 177 da Rua de Santo Ildefonso, e vestimos a camisola Italiana.
  A decoração do espaço bate certo com o que imagino para um restaurante Italiano. Uma parede de pedra, o cheio a massa que leveda e outra que se transforma no forno, as toalhas de mesa aos quadrados, os grandes moinhos de pimenta nas mesas e uma boa prateleira de vinhos.
  Olho para os lados e as pizzas parecem deliciosas. Aderimos ao menu que consiste em pizzas mais baratas à hora e almoço e começamos a difícil escolha dos ingredientes. por mim enchia-a de fiambre e queijo com cogumelos, atum e cebola, azeitonas e frango e mais sei lá o que...
  Acho que fazer uma pizza em casa deve ser das melhores experiências que se pode ter. POde ser feita em conjunto com a liberdade de escolher os ingredientes e que podem ser apreciadas por miúdos e graúdos.
  As nossas escolhas foram acertadas e ficamos completamente satisfeitos. Para quem gosta de comida Italiana o San Martino pode bem ser uma excelente referência no centro da cidade do Porto.
  A pizza de dimensão consideravel e bebida ficaram à hora de almoço por 6.50 euros. A repetir...
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 45


Restaurante Corça - O gosto de bem servir desde 1977!
Rua de Santo Ildefonso, nr.310 (Porto)

  A Rua de Santo Ildefonso é grande em extensão e também no número de pequenos restaurantes e snacks onde podemos entrar e sair satisfeitos com um rico almoço.
  Os "saltos" anteriores foram feitos nesta rua e os próximos estavam também marcados.
  Desta feita fomos visitar A Pestisqueira que fica no nr.393 da referida rua. O bom aspeto do local faz-nos entrar sem medo. A primeira impressão é a de um café com um grande balcão onde meia dúzia de mesas conferem o espaço e capacidade total.
  No entanto após a divulgação da nossa intenção de almoçar, somos encaminhados para uma espécie de corredor, que graças a uma simples decoração, dá logo um ar sério à nossa entrada.
  O serviço é célere e simples tal como se quer. Sem floreados ou areia para os olhos. Dizem-nos os pratos.
  A carne estufada já me tinha sondado o olfato à minha entrada por isso não adiantava ler mais nada. Antes só mesmo uma sopinha para poder dizer lá em casa que tinha comido legumes.
  O maduro tinto da casa acompanhava ao mesmo ritmo e sabor. A ligação era perfeita e entre contos e conversas, avançavamos alegres e relaxados. Senti que haveria mais pratos dignos de serem provados tal era o palavar do que escolheramos.
  Mas teria que ficar para uma próxima pois a hora avançava. No final a "multa" não refletia o que de tão saboroso se comeu por não chegava a 8.50€ por pessoa.
  Saíamos assim da Petisqueira saciados e contentes por mais um encontro agradável numa qualquer hora de almoço.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 44


A Petisqueira - No petiscar é que está o ganho!
Rua de Santo Ildefonso, nr.393 (Porto)

  A Rua de Santo Ildefonso é grande em extensão e também no número de pequenos restaurantes e snacks onde podemos entrar e sair satisfeitos com um rico almoço.
  Os "saltos" anteriores foram feitos nesta rua e os próximos estavam também marcados.
  Desta feita fomos visitar A Pestisqueira que fica no nr.393 da referida rua. O bom aspeto do local faz-nos entrar sem medo. A primeira impressão é a de um café com um grande balcão onde meia dúzia de mesas conferem o espaço e capacidade total.
  No entanto após a divulgação da nossa intenção de almoçar, somos encaminhados para uma espécie de corredor, que graças a uma simples decoração, dá logo um ar sério à nossa entrada.
  O serviço é célere e simples tal como se quer. Sem floreados ou areia para os olhos. Dizem-nos os pratos.
  A carne estufada já me tinha sondado o olfato à minha entrada por isso não adiantava ler mais nada. Antes só mesmo uma sopinha para poder dizer lá em casa que tinha comido legumes.
  O maduro tinto da casa acompanhava ao mesmo ritmo e sabor. A ligação era perfeita e entre contos e conversas, avançavamos alegres e relaxados. Senti que haveria mais pratos dignos de serem provados tal era o palavar do que escolheramos.
  Mas teria que ficar para uma próxima pois a hora avançava. No final a "multa" não refletia o que de tão saboroso se comeu por não chegava a 8.50€ por pessoa.
  Saíamos assim da Petisqueira saciados e contentes por mais um encontro agradável numa qualquer hora de almoço.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 43


Snack bar O Balcão - Um longo balcão onde tudo é bom!
Rua de Santo Ildefonso, nr.451 (Porto)

  O Snack Bar O Balcão é um sítio particular onde a boa disposição é o prato do dia e não encontra nada que não seja Bom!!! Mas já lá vamos.
  Na Rua de Santo Ildefonso encontramos o toldo vermelho que anuncia almoços, jantares e petiscos. Na porta por sua vez encontramos a lista de iguarias destinadas ao almoço que se aproxima. Entramos...
  O balcão é mesmo o centro das atenções pois vai praticamente da porta até ao final do estabelecimento! Ao longo do mesmo vemos umas garrafas de vinho que devem lá estar desde a inauguração, uns presuntos no ponto de se lhe meter a faca e uma vitrine que dá luz ao recanto para onde nos dirigimos.
  Meia dúzia de clientes, alguns deles com ar de assíduos, discutem as notícias que se ouvem do telejornal. Rapidamente a lista chega à nossa mesa e começa o festival da humildade.
  Todos os pratos são descritos na lista contendo o mesmo ingrediente... "Bom".
  Assim sendo, tinhamos o "Bom" bacalhau frito, "Bons" filetes de pescada, "Boa" massa com carne, etc. É tudo bom nesta casa... Pelo menos era o que iamos avaliar.
  Para acompanhar pedimos duas "ciganitas", ou algo aproximado pois este é o termo que se utilizava para o vinho que era servido em garrafas de cerveja.
  Vem a massa e a quantidade é logo para que não haja dúvidas que aqui quem não é para comer não é para trabalhar! Começamos. O sabor é de trato caseiro e a carne é tenra e saborosa. Eu como apreciador de massa comi que me fartei e "lambi os beiços" no final.
  A discussão no balcão e o alto volume da televisão fez com que decidissemos ir tomar café a outro lado para também dar duas de letra.
  A lista de despesas abrangia apenas pão, prato e vinho e ficava por 3.90€ a cada um.
  O Snack Bar O Bacão é sempre uma boa alternatica na Rua de Santo Ildefonso, no nr. 451, Porto.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 42


Churrasqueira Pinão - Sem confusões ou complicações!
Rua Guedes de Azevedo, nr.228 (Porto)

  Na churrascaria Pinão não há confusão ou complicação... e nem é preciso cartão. Parece o anúncio de um qualquer supermercado mas é mesmo verdade.
  Aqui um só individuo prepara, serve, levanta e recebe de uma forma fluída que por vezes nem em restaurantes com 10 empregados isso acontece.
  A churrascaria Pinão conta já com mais de 20 anos mas passa despercebida nas imediações do Silo Auto, conhecido parque de estacionamento da cidade do Porto. Os toldos recolhidos e já gastos deixam a luz entrar pelas janelas e também os olhares de quem procura um poiso para a sua hora de almoço.
  Os papéis afixados nas montras dão conta do prato do dia, do frango no churrasco e outros tantos pedidos... entramos.
  Lá dentro sentimos que há 20 anos atrás tudo devia estar imaculado e pronto para a inauguração de um novo conceito e de um café certamente com boa afluência. Agora, como tantos outros, o ponto alto deve ser mesmo as horas de almoço onde os pratos do dia acessíveis chamam quem nas redondezas se perde na labuta diária.
  No entanto o ambiente quando nos sentamos torna-se calmo e sem stress. Tudo corre sobre eixos, a comida vem rapidamente e carregada de sabor e todos parecem satisfeitos. E geralmente numa hora de almoço é mesmo isso que se espera encontrar. Um sítio que nos espera com uma comida saborosa, sem falsas expectativas e ilusões. O frango assado riu-se para mim e o meu colega foi no carapau. Antes disto a sopa do dia tinha estendido a passadeira para o resto dos alimentos. A canequinha de tinto resbalava nos copos deixando o aroma de uma refeição pronta a ser degustada.
  Ambas as escolhas estavam ótimas e deixaram-nos satisfeitos. Acontece que por mais satisfeitos que estejamos, deixámos sempre espaço para o doce, pois há que aproveitar que a saúde nos permite!
  No final o café rematava o almoço falado e discutido sempre com as atualidades e passando sobre o assunto das duas rodas que tanto nos apraz contemplar.
  A conta vinha em jeito de merceeiro sem a necessidade de prova dos nove. Divisões feitas 6.80 euros a cada um pagava um bom almoço, "por nada em particular mas quase tudo no geral".
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 41


Murça no Porto - Onde não faltam histórias e até excursões!
Rua da Alegria, nr.34 (Porto)

  O Restaurante Murça no Porto é já uma antiga casa bem conhecida de alguns grupos que fazem aqui o seu ponto de encontro.
  Alguns já a frequentam há tanto tempo que já têm direito a uma pintura na parede. Por coincidência encontramos o grupo retratado a almoçar mesmo por debaixo do quadro e olhamos uns para os outros, pensando que um dia destes teremos também um quadro nosso.
  No entanto com tanto saltarico será difícil decidir onde é que ele ficará pendurado! Esta casa é também muito ativa no que toca a passeatas e excurções. Na parede estavam afixados os últimos passeios mas já se planeava a próxima viagem, com direito a show de concertinas e petiscada.
  Mas analisando bem não é necessário ir tão longe quando os petiscos estão mesmo ali à mão de semear. Olhamos para a vitrine e vemos um belo de um presunto, uns bons bolinhos de bacalhau, uns chispes, uma broa e atrás os garrafões tal e qual bombos que seguem no final do cortejo.
  A hora era de almoço e por isso havia que ver as sugestões do dia. Três dos saltitões foram para o Cozido à Portuguesa, e outro foi para a costeleta panada. A acompanhar foi um jarro de sumo de uva americana depois de um bom processo de fermentação.
  A casa é bem concorrida e o entra e sai dá conta de uma casa que está bem alicerçada e com muito para dar. Em alguns aspetos a fuga às normas recentemente impostas pode vir a trazer alguns problemas mas sinceramente ao menos vemos as coisas como elas são. Outros há que tem tudo de forma imaculada mas no enconderijo das cozinhas escondem os mais graves procedimentos.
  Com tanta conversa era necessário algo para adoçar o bico e entre um belo bolo de amêndoa, uma mousse de chocolate ou o pudim, todos ficaram satisfeitos.
  O café dava o alerta para o avançar da hora e tivemos que deixar o resto da conversa para outro dia.
  No final a conta resbalava nos 8.50 euros e carimbava um bom almoço e uma boa dose de confraternização. Para a semana há mais...
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 40


Nelson dos Leitões - Em pleno Mercado do Bolhão, temos a "Bairrada" ali à mão!
Mercado do Bolhão, loja nr.12 1º Piso (Porto)

  E na quadragésima saltada entramos num dos mercados mais emblemáticos da cidade do Porto, o Mercado do Bolhão.
  Este mercado foi classificado como imóvel de interesse público em 2006 e remonta a 1850. Com uma estrutura singular e dois pisos, caracteriza-se pela arquitetura neoclássica.
  É pena que as obras de manutenção (que por tardias podem bem tornar-se de remodelação pura) sendo feitas a baixo ritmo deixem o piso de cima rodeado de estruturas metálicas e tirem a graça ao mercado. O que o vai safando ainda é o piso inferior, bem mais movimentado e lotado seja por floristas, cabeleireiro, cafés e as tradicionais bancas.
  No entanto a nossa ida ao Mercado do Bolhão era mais para apreciar outra "banca", a do leitão! Isto tudo porque no piso superior existe um espaço que vende sandes de leitão, o Nelson dos Leitões.
  Segundo a informação dada, 4 dias da semana (os que está aberto, 2ª, 4ª, 6ª e sábado) o leitão é proveniente da Anadia e aqui transformado numas magníficas sandes, com pão também ele da bairrada.
  Este espaço conta com uma pequena mas generosa sala com uma dúzia de mesas no entanto um trio de mesas cá fora fazem as delícias. Na montra a coleção de leitões e porcos de porcelana não deixa enganar o que se serve.
  O quarteto que se aventurou neste Salto à Tasca só se sentiu satisfeito após duas rodadas de umas sandes de sabor original e com bastante carne. O único apontamento é que para dar o leve aquecimento (que faz toda a diferença) deveria ser num forno, pois o processo que é feito no micro-ondas deixa o pão mole. No entanto é apenas um apontamento relativo dado o sabor do todo.
  Para acompanhar veio um par de garrafas de um espumante tinto, de sabor fresco e saciante! Que perigo de vinho! Desconhecia este Eldorado que escorrega que nem lâminas.
  No final e satisfeitos, o café trouxe o selo de garantia a este Nelson dos Leitões que é sem dúvida uma excelente alternativa para quem quer numa sandes, saciar a fome e vontade de comer leitão.
  Esta é sem dúvida uma excelente forma de aliar a visita a um belo monumento da cidade do Porto, onde o colorido das bancas preenche com alegria o nosso olhar, e petiscar uma bela de uma sandes de Leitão como se da Bairrada se tratasse.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 39


Loja dos Pastéis de Chaves - Sejam de vitela ou de bacalhau, a massa estala de contentamento!
Rua da Firmeza, nr.476 (Porto)

  Pasteis de Chaves... Quem nunca comeu um pastel de chaves?!
  Acredito que não devem ser muitos aqueles que nunca se atreveram a sentir uma massa folhada estaladiça e um recheio de carne bem saborosa...
  Mas, há que dizer que encontramos este poiso um bocado por força das circunstâncias pois a idéia inicial era mesmo ir ao Nelson dos leitões no Mercado do Bolhão, mas estava fechado (mas demos conta dele na semana seguinte).
  Mas também há males que vêm por bem e com o bem vem também o bom, e confesso que sou fã de um bom pastel de chaves.
  A Loja dos Pasteis de Chaves é um espaço recente com uma decoração bem atual e simpática. Há pormenores bem interessantes tais como a bicicleta pasteleira com a matricula de Chaves, as proprias chaves na parede e outros pormenores que tornam este espaço confortável e alegre.
  Os pasteis são os reis mas no entanto podemos encontrar outros produtos tipicos de trás-os-montes, nomeadamente o folar, sandes de pão rústico e um belo de um presunto.
  Os pasteis de chaves esses podem ser de vitela, frango com chilli, frango com tomate seco, vegetariano, creme de ovo e amêndoa ou mesmo de chocolate.
  De preços acessíveis e com uma montra que é uma tentação, o desafio será comer apenas um par de pasteis.
  Um menu com sopa, dois pasteis, bebida e café fica por cerca de 7.50 euros... mas um pastelzinho à parte para provar um outro saber calha sempre bem.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 38


Flor do Parque - O "sotão" que testemunhou uma bela de uma almoçarada!
Rua do Bonjardim, nr.433 (Porto)

  A Rua do Bonjardim foi testemunha de mais um excelente Salto à Tasca, em dia de record de participações (provenientes de vários locais do país) e com uma fantástica surpresa gastronómica.
  Desta feita a escolha recaiu sobre o Restaurante Flor do Parque. Uma semana antes tinhamos passado às portas deste estabelecimento e sendo uma casa térrea, chamou-nos à atenção uma aviso que dizia terem uma sala no 1º andar! Ficamos curiosos como uma casa térrea (à primeira vista) poderia ter um primeiro piso.
  Esta local revelou ser mais um achado na artes simples e humilde de se bem comer, sem muitas mordomias, modas ou manias.
  Quando entramos e vimos as escadas a primeira curiosidade ficou satisfeita. O que parecia ser um simples café, tinha um acesso a um sótão onde meia dúzia de mesas constituia a sala de jantar!
  Para começar e como aperitivo (já que não havia pacotinhos de manteiga) nada como um pratinho de Tripas à moda do Porto... e que belas Tripas! Naquele momento ficamos completamente indecisos qual seria o prato principal, mas se as tripas eram assim, o resto certamente que não ficaria atrás.
  Nestas visitas para além do tradicional tentamos degustar aqueles pratos que não é muito comum encontrarmos no dia a dia, mais propriamente uns filetes de bacalhau! Quem pode dizer que não a uns bons lombos de bacalhau passados em farinha e ovo... que maraviilha! Para além disso havia o bacalhau frio que tinha um excelente aspeto.
  Para acompanhar as iguarias veio uma (de cada vez) rica "pomada" mirandesa de 3.50€ e 13.5% de boa disposição que se traduziu num excelente "trava-lhénguas".
  Durante o almoço as conversas sobre correrias, motas e pescarias faziam o tempo voar e rapidamente a hora de ir embora voltava. Assim sendo voltamo-nos para as sobremesas que entre bolos de bolacha, pudim ou laranjinha fatiada, adoçaram a vontade para uma nova tarde de trabalho.
  O café veio já para o final acompanhado de uma "água da mina" e com a dolorosa... que no fim nem fez muita mossa! Contas feitas, 7 euros a cada Saltitão. Um baixo preço por um excelente almoço a todos os níveis.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 37


Churrasqueira Lameiras - À mesa ou ao balcão, aqui não falta rotação!
Rua do Bonjardim, nr.546 (Porto)

  A vida parece brotar da Rua do Bonjardim, seja ela a boa ou a má.
  Acima de tudo o movimento impera e boa parte desse movimento à hora do almoço passa pela churrasqueira Lameiras.
  O trio que compunha esta visita mal entrou deixou logo uma longa fila à espera de lugar, que mais parecia bilheteira em altura de festival de verão. Aqui o festival é o da diversidade, quer seja ela de nacionalidades, lugares, cores ou credos.
  De um lado encontramos o longo balcão que com preços mais económicos roda de clientes ao ritmo de um autocarro em hora de ponta. Do lado oposto uma fileira de mesas preenchidas e ainda uma passagem para uma ampla sala nas traseiras, que faz com que a capacidade dispare para uma centena de lugares.
  O menu recitava-nos um poema com a categoria de rima. Começava no cozido à portuguesa não dispensando a  vitela, flanqueava na jardineira e acabava no frango com batatas, fossem elas de palito ou à rodela. Os pedidos dividiram-se.
  Enquanto a sopa e as papas de sarrabulho iam sendo consumidas, o maduro da casa arrecadava mais uns pontos na tabela da qualidade. O serviço esteve à altura do movimento sempre prestável e célere.
  O cozido veio em quantidade simpática e de diversidade agradável. O sabor era genuíno e cuidado e certamente que aqui reside mais uma resposta ao movimento, pois aliar o bom ao barato, nem sempre é tarefa fácil. Um dos glutões de serviço foi para o frango e também este não ficava atrás de nenhuma outra churrasqueira da cidade.
  Para sobremesa experimentamos os doces da casa, nomeadamente o Brigadeiro e a tarde de bolacha, e destes só ficaram as migalhas.
  Para finalizar veio o café e cheirinho que rematou o almoço para canto e alertou-nos para uma nova tarde de trabalho.
  O trio recebia a conta e aqui aplica-se a deixa do 3 vezes 9 igual a 27!!! E assim foi.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 36


A Toquinha do Setenta - Para quem se tenta a entrar no setenta!
Rua Coelho Neto, nr.70 (Porto)

  Neste jogo de tentações gastronómicas, não há semana que não tentemos descobrir o que durante anos esteve mesmo ali debaixo dos nossos narizes.
  Esta semana largamos âncora pela Rua Coelho Neto, mais propriamente na Toquinha do Setenta!
  Quem se tenta a entrar na Toquinha do Setenta, certamente que não entra por entrar. Nós entramos com o objectivo bem claro e definido de ver o que a Toquinha tinha para nos dar.
  A Toquinha tem o aspecto de um locar que sofreu melhorias num passado recente. Ainda sentimos um leve aroma a tinta e tudo brilha. O mais caricato é que por vezes nestes lugares com dezenas de anos, os donos são os mesmos de outrora e então vemos que o espaço muda mas eles não! E quando puxamos um bocado para eles, esquecem-se as etiquetas e o trato fica novamente direto e simples.
  Simples foi também o nosso pedido dado o nosso palato requintado! Nada melhor do que umas sardinhas pequenas fritas com um belo de um arroz com feijão. Foi pena que as sardinhas estivesses um bocado fritas de mais mas foi só um pequeno apontamento. A canequinha de maduro acompanhou a festa.
  Para sobremesa ficava a surpresa! Uma dose de queijo da serra com marmelada que era basicamente um quarto de queijo e meio kilo de marmelada! Ainda bem que só pedimos duas doses para os três, caso contrário saíamos de lá "em braços".
  Para cortar vieram os cafezinhos e uma garrafa de "verniz marítimo" que a tarde ia ser de maré cheia.
  A Toquinha do Setenta não se evidenciou pela comida mas um Salto à Tasca é bem mais do que aquilo que se come, pois isso por todos os restantes detalhes merece uma referência. No final por pouco mais de 7.50 euros viemos lambusados e desejos por mais um Salto à Tasca.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 35


Le Chien qui Fume - O cão "fumante" reconhecido internacionalmente!
Rua do Almada, nr.405 (Porto)

  Mais uma vez a cidade do Porto foi testemunha de mais um Salto à Tasca por parte do Gusto Motard e companhia.
  Confesso que o Chien qui fume" é um local que me agrada particularmente e sabia que quem participasse ia sair completamente satisfeito.
  Após estacionar ao pé do antigo bingo do salgueiros, partimos em direção à Rua do Almada, sempre de olhos postos nas ombreiras das portas procurando vestígios do canídeo. Entre lojas de ferragens e cafés lá encontramos o bichano que (não sei bem se por causa das imposições oriundas das leis contra o tabaco) ainda ostenta o seu belo cachimbo mas agora sem poluir o ar.
  Quando entramos o ambiente é nostálgico, divertido, bem decorado e estimado pois tudo continua com muito bom aspeto desde há muitos anos.
  Entre desenhos do "chien" e peças de decoração antigas, passamos o balcão de entrada e e seguimos até à sala que fica nas traseiras.
  Nesta casa encontramos pratos internacionais, misturados com alguns tradicionais Portugueses mas sempre com um toque de qualidade e personalizade que tanto se associa a esta casa.
  Pessoalmente aconselho os panados com ervas aromáticas do marão, os costeleta mexicana, ou no caso de hoje, uma carde de porto à alentejana.
  A escolha foi unânime e lá fomos os 3 em busca dos Alentejo entre ameijoas saborosas... que rico almoço.
  Comemos e repetimos sempre com um atendimento atencioso e disponível.
  No final nada como uma sobremesa para os adoçar o bico.
  A escolha recaiu sobre a abobrada (leite creme misturado com doce de abóbora... nham nham, nem vos digo), e um queijinho com goiabada.
  Após o doce veio o café e uma dose daquelas árvores que dão maças (macieiras) para ajudar à digestão, ou pelo menos combater a preguiça de ter que ir trabalhar com um sol maravilhoso que se fazia sentir lá fora.
  A companhia é como sempre um dos melhores condimentos para um Salto à Tasca e nesta e contas feitas, cada um deixou pouco mais de 10 euros.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 34


Restaurante Novo Mundo - Uma solução em conta nos Caldeireiros!
Rua dos Caldeireiros, nr.73 (Porto)

  Começo por descrever este Salto à Tasca com a deixa do Camilo de Oliveira, pois neste Tasco foi tudo "Certinho e direitinho"!
  Mas comecemos pelo início... O Restaurante Novo Mundo fica escondido de forma modesta no final da Rua dos Caldeireiros. Por entre prédios devolutos e outros tantos que agora sentem a sorte de uma recuperação, entramos no número 73 em busca de algum conforto gastronómico.
  A casa expõe os seus trunfos e não entra em jogos de bluff. As mesas não chegam a uma dúzia e nota-se que quem a mantém fá-lo com bom gosto e dentro dos seus conhecimentos e humildade.
  Mas os trunfos são altos e o primeiro é a simplicidade com tudo é oferecido e divulgado, pois à entrada ficamos logo a saber sem qualquer resta de dúvida, quais são os pratos que hoje estão a concurso. Por cima da ementa também se faz logo referência ao menu: Prato do dia + sopa + pão + café + sobremesa = 4.60€. A bebida é por fora mas um jarrinho é coisa que dividida não causa mossa.
  Há casa bem atuais nas quais não costumo entrar devido à complexidade de menus exposto, modalidades ou possibilidades! Ao menos aqui é tudo "Certinho e Direitinho"!
  O espaço está agora pintadinho e menos confuso, apresentando pratos um pouco mais elaborados e sempre com um atendimento personalizado e de proximidade.
  A votação foi unânime. Fomos todos para a carne estufada! A carne estava fantástica. Bocados tenros, sabor apurado e quantidade qb.
  Depois de saciados, mandamos vir uma saladinha de frutas para dizermos em casa "comemos fruta hoje" :)
  No final o remate foi feito com um café e cheirinho à disposição, e a multa para 3 saltitantes ficou por 17 euros (pouco mais de 5.60€ a cada um).
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 33


A Taxca - O Povo pediu... a badalhoca aderiu!
Rua da Picaria, nr.26 (Porto)

  Confesso que há já algumas semanas que gostava de marcar um Salto à Tasca às mais conhecidas sandes de presunto do grande Porto, a "Badalhoca". No entanto o horário de abertura é às 15h o que impede uma visita nestas horas de almoço.
  No entanto recentemente houve uma casa no Porto que anunciou que iria servir exatamente as ditas cujas, entre outras coisas. Nada como ir investigar.
  De seu nome Taxca, diz que é algo como ninguém viu e o seu lema não deixa enganar: O povo pediu... "A Badalhoca" aderiu. Pelos vistos as sandes de presunto são idênticas pois o pão e o presunto utilizado são mesmo provenientes da "Badalhoca", a original.
  Mas não só de sandes de presunto vive a Taxca, mas já lá vamos.
  A primeira coisa que temos que abordar é a boa decoração do espaço. O espaço é diminuto na luz mas grandioso nos apetrechos apresentados. O balcão não tem "telhados de vidro" e pelo contrário, é recheado de bons presuntos à distância de uma boa lâmina. Na lista escrita na parede, encontramos a referência a sandes de presunto, de rojões, de morcela, de presunto e ovo, alheira e ovo e bifanas. Para entrada ou para fechar ainda há caldo verde e papas de sarrabulho.
  As sandes variam entre os 2 euros e 2,50 euros e as bebidas 1 euro.
  Comecei pela sandes de presunto pois é o ex-libris desta casa e digo-vos que esteve à altura da expectativa. O pão fresto e presunto saboroso, com pouca gordura e de sabor intenso, faz com que seja difícil comer só uma. No entanto eu estava de olho nas bifanas e por isso tive que pedir uma também.... e outra depois. Que delícia. A canequinha traçada tratou de olear a máquina e de organizar o estomago. A última demão foi composta por um caldo verde, farto em couve como manda a regra.
  O movimento que se verificou nesta meia hora em que lá estivemos, dá conta do sucesso que esta casa têm e que promete manter.
  Este rodizio de sandes acompanhadas por uma boa companhia e conversa, ficou-me por 9 euros. E não me restasse um quarto de juízo no bolso e ainda estaria a esta hora a dar cabo de mais umas bifanas.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 32


Confeitaria Cunha - Um dos snack bar mais conhecidos da cidade invicta!
Rua Sá da Bandeira, nr.662 (Porto)

  Quem é que não conhece a Confeitaria Cunha? Seguramente que a maioria das pessoas conhece, já lá esteve ou pelo menos já ouviu falar.
  A Confeitaria Cunha já conta com mais de 30 anos e é conhecida pelo ótimo serviço, pela boa confeção dos alimentos e uma sala intemporal. Cada vez que lá entro recordo-me dos fins de tarde encerrados com um bom lanche ou os jantares que acabavam com um magnífico gelado, para mim o Bitocas.
  Os sofás confortáveis e paredes vermelhas, aquecem quando pisamos a carpet. Parece que entramos na nossa sala de casa e apreciamos o que de bom se serve neste estabelecimento.
  Conhecida como snack, pelos Grill's e petiscos, também mostra as suas estrelas quando passamos para a comida de mesa.
  Com o passar dos tempos também a Cunha teve que se adaptar às novas necessidades e com a redução da parte da confeitaria, criou uma sala com uma adaptação a pratos do dia mas sempre com o seu toque de qualidade.
  Neste Salto fomos para essa sala onde a exposição de vinhos, vitrines cheias de histórias e muita luz, convidam a um almoço prolongado e a dois dedos de conversa sem o stress que corre lá fora da porta. Olhamos para a lista...
  A diferença para outros restaurantes com pratos do dia é que não se baseia em apenas batatas fritas e arroz onde apenas muda o elemento central. Aqui podemos apreciar pratos que fazem as delícias de todos. Começamos por uma sopa, colorida como manda a regra e de textura fina. Para prato principal foi uma luta difícil dada a variedade. Depois de muito escolher fui para o frango com caril enquanto o meu amigo Osório foi para o cozido à portuguesa. O aspeto dos dois pratos já diz quase tudo. Melhor só mesmo o sabor. A acompanhar um jarro de maduro tinto da casa, também ele à altura das expectativas.
  No final e de tal forma satisfeitos com o prato, nem havia barriga para sobremesa. Ficamos por dois cafés seguidos pela conta.
  Não podemos incluir esta jornada nos pratos ultra económicos mas a qualidade também se paga e aqui ela é quase de borla. Contas feitas cada um dava 10 euros e ainda levava troco.
  A Confeitaria Cunha foi, é e será sempre uma referência da cidade do Porto e para quem não conhece merece uma visita. De salientar que de Segunda a Sábado ainda encontram ainda na sala principal o tradicional buffet por 10 euros por pessoas sem bebidas.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 31


Ginjal do Porto - Ganha-se na modernidade mas perde-se a história!
Rua do Bonjardim, nr.728 (Porto)

  Parti em busca do antigo Ginjal do Porto, no entanto este simplesmente desapareceu.
  Os relatos no espaço virtual referem um espaço antigo, com uma decoração ímpar e com bom gosto, recheado de antigos livros escolares, desenhos a carvão e rolhas... muitas rolhas.
  No entanto a fachada deixa adivinhar alterações profundas.
  A pedra lavada e a tinta renovada destacam o azulejo que nos indica que ali reside o Ginjal. Ao entrar encontro um espaço renovado e cuidado com atenção aos detalhes, com uma decoração simples mas rica.
  Por norma os Saltos à Tasca não contam com cortinas caras, flutuante de madeira maciça e tetos rebuscados e bem pintados.... mas gosto!!!
  Era hora de entrar e sou rapidamente interpelado pelo gestor, a perguntar se a Transalp que eu estacionara pouco antes era a mota ideal para o dia a dia.
  Ele, possuidor de uma R1200GS sabe do que fala e domina os meandros do mototurismo.
  Cria-se uma empatia inicial e sigo para a sala indicada e deixo a conversa para o fim pois é hora de classificar o que se serve aqui.
  Sento-me na sala requintada, de temperatura aconchegante que contrasta com o frio de Janeiro que marca presença lá fora.
  Peço uma sopa e o frango que se destaca na informação do prato do dia.  Este é servido em forma de espetada em pau de bambu. Para acompanhar peço um panachê. Disfruto da música ambiente que acalma e serena uma normal manha de trabalho e stress.
  A comida é bem confeccionada e de paladares diversos, dada a inclusão de variadas ervas aromáticas... sinto-me satisfeito.
  Peço café e com ele a conta. O cuidado e o requinte tem a sua quota parte e o almoço de sopa, prato, panache, pão e café fica nos 12.30€. Não é certamente um local de visita diária mas talvez indicado para um jantar a dois ou em grupo, podendo assim apreciar os mais diversos pratos e vinhos, ficando o custo entre os 15€ e os 20€.
  O velho Ginjal morreu mas outro renasceu, sendo agora mais um local requintado mas acessível na cidade invicta. No entanto, fica a mágoa de não ter conhecido o antigo Ginjal.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 30


Restaurante Maria Rita - A simplicidade do bem servir!
Rua da Alegria, nr.16 (Porto)

  Este é daqueles espaços que nasceram com um fim claro e assumido, já dizia o Rui Veloso.
  Gerido por gente com diversos anos de experiência noutro conhecido restaurante da baixa portuense, o Maria Rita pegou num antigo estabelecimento e é agora um local bem procurado numa qualquer hora de almoço.
  Ao passarmos pela Rua da Alegria, o quadro de lousa apresenta-nos os pratos que a cozinheira idealizou para aquele dia e confesso que esta apresentação de uma forma simples e direta recebe pontos da minha parte. Chateiam-me os restaurantes que nem uma lista colocam à entrada, fazendo com que me sinta sempre a abrir uma qualquer caixa de surpresa quando entro, ora boa ora má.
  Os dois candeeiros acesos, guiam-nos para a porta e a visão da sala, simples e preenchida, faz-nos ter a certeza que ali se come bem. Entramos.
  Este local era anteriormente também uma antiga tasca, e olhando para a parede de pedra que nos aparece no nosso lado esquerdo, ainda conseguimos admirar alguns artefactos que faziam parte da mesma, nomeadamente as diferentes canecas.
  O balcão agora recente e uma pintadela à maneira deixou o local simples mas muito confortável. O serviço é em conformidade, simples, próximo e atencioso.
  Pois bem, nada como começar com uma sopinha, quentinha e com textura para confortar o estomago. Já dizia a minha mãe que a sopa faz crescer e a Maria Rita também aconselha. Enquanto isso olhamos a lista e debicamos no pão fresco com manteiga (vicío que não me larga), fazendo cama à canequinha de tinto que entretanto colocam na mesa.
  A sopa estava aperaltada e saborosa por isso para a cozinha só voltou o prato na contrapartida de vir de seguida a nossa escolha. Depois de olhar para a lista, um dos meus pratos preferidos constava nela por isso fomos para um Bacalhau à Gomes de Sá.
  A conversa decorreu e em menos de nada já viamos o fundo à caçarola... é o que dá colocar bacalhau sem espinhas! O sabor estava óptimo, com uma boa dose de bacalhau que em alguns sítios perde claramente para a proporção de batata, ovinho e uma salsa picada.
  Satisfeitos já só tivemos barriguinha para um café, e já era hora de voltar à rua para mais uma tarde de trabalho. Antes de sair trocamos o serviço e produtos prestados por 8 euros.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 29


Café Santiago F - Uma das melhores francesinhas da Invicta!
Rua de Passos Manuel, nr.198 (Porto)

  Qualquer Snack-bar que se preze na cidade do Porto tem que ter Francesinhas!!!
  Ela pode ser pequena, grande, com molho ou sem molho, mais picante ou menos picante, com bife e sem febra ou com febra e sem bife, com linguiça e salsicha, fiambre ou mortadela, queijo gordo ou menos gordo, com ovo ou sem, camarão ou até chouriço, com isto tudo ou nem por isso...
  O Snack-bar Santiago F acho que só é conhecido por isso mesmo, pelas fantásticas francesinhas, bem confeccionadas e de gosto apurado.
  Foi-me assim transmitido e como não sou muito de "emprenhar pelos ouvidos" marquei a visita e lá fomos dissecar a "sandocha". Já tinhamos experimentado o Café Santiago, o original situado a escassos 100 metros deste, por isso o Santiago F (F de filho, logo as duas são da mesma família e partilham dos mesmos segredos) não ia ser diferente.
  Digamos que o Santiago F é mais "cool", mais jovem, gerido de uma forma mais descontraída, que já "joga" com as redes sociais e partilha os ilustres que por lá passam. No entanto isto tudo passa-me ao lado quando depois na hora da verdade a estrela da companhia ( a francesinha) fica aquém das espectativas. Aqui isso não aconteceu.
  Verdade seja dita que as expectativas iam altas mas saíram de lá completamente satisfeitas, as expectativas e eu próprio. Fantástica.
  Isto de avaliar Francesinhas é um trabalho duro mas que alguém tem de o fazer. Acredito no entanto que nunca haverá uma conclusão, uma predileta, uma que seja unânime em relação ao prémio de melhor francesinha, mas não me importo pois terminamos sempre satisfeitos, preparados para que alguém nos desafie para experimentar uma nova num outro local, e que essa sim, seja a tal...
  No que respeita ao Santiago F, até à próxima esta é a melhor!
  O molho é encorpado sem dar suores pelo seu picante, a batata num bom fair-play flui em harmonia com o molho, o bife abre alas à faca de bom agrado e a francesinha é devorada em poucas mas suculentas garfadas, sem se desfazer, fazer birra ou arrefecer.
  A acompanhar nada como uns principes frescos e borbulhantes. No final e contas feitas, a francesinha à Santiago, dois principes e cafe não chegaram aos 12 euros.Recomendo.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 28


Casa Minhota - De pedra e cal na arte de bem servir!
Rua Alexandre Herculano, nr.237 (Porto)

  Quem desce desaguando com os olhos postos na Ponte do Infante, encontra do seu lado direito este antigo restaurante, que pode bem passar despercebido.
  De fachada modesta e simples, a Casa Minhota faz antever um espaço sincero e de bem, no trato e no servir.
  As portas tipo saloon dão o ar da sua graça inicial. A madeira dá rapidamente lugar à pedra e estrutura mais sólida não podia haver. O aspeto de caverna cuidada e esculpida na rocha leva-nos atrás no tempo onde nestes locais as horas não passavam mas onde também não havia problema pois havia muito para entreter, mais não seja os comes e bebes.
  E aqui eles ainda se mantêm tracidionais. O fígado de cebolada, os ovos cozidos, o presunto, chamusas e rissóis desfilam na vitrine do balcão qual passarelle gastronómica.
  No entanto decidimos almoçar de faca e garfo e seguimos em direção à sala de jantar.
  A lista é vasta e de pratos típicos. Começamos pela sopa que lá fora o frio apertava avisando que o Natal estava à porta.
  Para prato principal votamos na carne estufada com ervilhas, acompanhado por um jarrinho de tinto.
  A comida estava ótima e seguramente o melhor elogio que se pode dar é que parecia caseira. O toque do bom tempero e cuidado de confessão nota-se em pequenos detalhes.
  Gostamos e seguramente que ficou na lista dos que merecem uma nova visita e são referência para quem almoça fora no seu dia a dia.
  A Casa Minhota é por isso uma boa solução nas principais horas de refeição ou fora delas.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 27


A cordoaria - Foi-se a antiga, nasceu a nova!
Campo Mártires da Pátria, nr.39 (Porto)

  No centro do Porto, mais propriamente no Campo Martíres da Pátria, rodeado pela antiga Cadeia da Relação e do Palácio da Justiça, situa-se o Jardim de João Chagas.
  Para muitos este nome não diz muito mas se dissermos Jardim da Cordoaria, a coisa já se pinta de outra forma.
  E este é também o nome do estabelecimento escolhido para este Salto à Tasca. No entanto e com muita pena minha, a tasca A Cordoaria já não é a original, a que tanto viu e escutou naquela praça onde também a "movida" noturna do Porto marca presença, seja pela próximidade a antigos espaços académicos e de história no Porto, como o Largo dos Leões, os Clérigos, o café "O Piolho", etc... O nome da casa original e a qual procurava era a Flor do Parque.
  No entanto nem tudo é mau pois a ressuscitação destes espaços que se "perdem", dão lugar a sangue novo na cidade e a tentativas de dinamizar negócios e criar postos de trabalho. Se aliado a isso se conseguir manter alguma história dos espaços, o ganho é garantido.
  E neste espaço isso conseguiu-se. A nova Cordoaria mantém na sua decoração elementos antigos e traz a energia e bem servir de novos tempos.
  A idéia é criar poucas mas boas coisas e a ementa do dia não nos desiludiu, antes pelo contrário! O que há melhor do que umas pataniscas com um belo arroz de feijão?!
  As patuscas estavam divinais de sabor, recheio e consistência. O arroz ajudava à festa sendo ele um "malandro".
  De certeza que entre os dois pratos disponíveis algum será do vosso agrado. Caso contrário da lista figuram outros tantos petiscos tais cogumelos, pimentos, tapas e tapinhas, snacks e comidinhas. Vale a visita pelo bom gosto, disponibilidade e simpatia.
  Para os interessados, a tasca A Cordoaria fina no Campo Mártires da Pátria, nº39, no canto mais próximo do Hospital de Sto. António.



Salto à Tasca - 26


Pedro dos Frangos - Porque o frango não é todo igual!
Rua do Bonjardim, nr.223 (Porto)

  Em todo o lado há uma churrasqueira... e o centro do Porto não podia ser excepção!
  E pelos vistos o Pedro dos Frangos já cá anda há muito tempo. Esta casa que conta com mais de 50 anos modernizou-se e apresenta um balcão por onde passa o frenesim do dia a dia mas também uma sala no piso superior para um almoço mais sossegado!
  Do outro lado da rua pedonal temos as bifanas do Café Conga e desde o primeiro salto que fiquei de olho no frango.
  O bicho é assado à moda da Póvoa (no espeto) e acredito que é a razão de ele não ficar tão seco como nas churrasqueiras tradicionais. O tempero é também algo que lhe dá mais uns pózinhos na pontuação do paladar.
  Os 5 amigos que compareceram à chamada deliciaram-se segundo as suas preferências, fossem elas coxinhas, asinhas ou peitinhos... de frango ora está!
  O verde branco da casa deu conta do recado e a saladinha mista também lá estava (bem temperada como eu gosto) para assegurar que colocavamos os vegetais também no prato!
  Desta vez nem sopa nem nada, foram criolas (chouriças) de entrada, frango com força e batatinhas pois churrasco que é churrasco não pode viver sem umas batatinhas fritas.
  Saciados e bem dispostos pedimos café e a conta e dividimos a despesa. 8 euros a cada para um bom almoço.
  O Pedro dos Frangos conta com uma grande história mas só no piso inferior é que se tira um bocado dessa pinta pois em cima temos uma excelente sala, com um bom serviço com preços razoáveis, sendo uma excelente solução para um jantar, sejam muitos ou poucos.
  No final nota bastante positiva para o pitéu, por isso é motivo para dizer que é muito ano a virar frangos!
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 25


Bufete Fase - As tão afamadas francesinhas!
Rua de Santa Catarina, nr.1126 (Porto)

  Prémios?! Não os senti!
  Começo o relato da visita desta forma pois há muito que ouvia dizer que as francesinhas do Bufete Fase eram divinais, ganhadoras de diversos prémios e imperdíveis. Não sei se será pelo facto de andar com esta brincadeira de conhecer vários locais, mas o gosto e qualidade vão-se tornando mais relativos. E não quero dizer que não tenha gostado ou que não sejam boas, pelo contrário! Mas daí até assinar uma petição para santificar a dita cuja vai um bocado, mas vamos por partes.
  Visito o Bufete Fase quando este tem uma sala de apoio, pois o espaço original albergava pouco mais do que duas mãos cheias de gente, mas nem por isso a fila diminuiu. Continua a fazer-se fila no Fase.
  O espaço é engraçado, com carisma, o atendimento prestável e com o "show" da Francesinha a decorrer mesmo em frente dos nossos olhos. Fomos atentidos prontamente e a iguaria da casa também não demorou muito a ser posta à prova.
  Os copos de cerveja transpiravam enquanto esperavam pelo sinal de partida.
  O molho bem "laranja" avisa que vem carregado mas não de picante pois para os mais aventureiros há o extra picante! Atacamos...
  Na primeira pausa, discutiamos as opiniões de cada um. A francesinha é boa, a batata acompanha mas para mim o molho retira um bocado da essência da boa carne e linguiça da francesinha. Estava apurado demais.
  Claro que podemos entrar nos gostos pessoais de cada um mas pelo menos naquele dia e naquela mesa se tivessemos que escolher a melhor francesinha... não seria a do Bufete Fase. No entanto aconselho a visita e a degustação pois assim fundamentam a vossa opinião.
  No final foi pena não haver uma única sobremesa que fosse para adoçar o bico.... Uma natinha não ocupa e vai sempre bem com o café :)
  As contas vinham logo após o café e o resultado era 12.15€ pela francesinha, batata, príncipe e café.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 24


Venham mais 5 - Junto aos Poveiros moram os melhores pregos em pão com queijo!
Rua de Santo Ildefonso, nr.226 (Porto)

  Recuperação de uma velha casa... Aplicação de um conceito... Ser conhecida pelos melhores Pregos em Pão de Lombo de Boi com queijo...
  Veredito: Aprovado!
  Este pequeno resumo diz tudo ou quase tudo.
  Já tinha ouvido falar desta iguaria que dá marca a esta casa, no entanto a minha primeira visita foi para apreciar um bom bacalhau frito, e a segunda para degustar um cabrito assado.
  Só à terceira ida e contra outras vontades decidi experimentar os famosos pregos. E não há muita volta a dar do que reconhecer os melhores pregos em pão que comi na cidade do Porto.
  O pão saloio levemente torrado estala perante a pressão dos nossos dentes. A carne não faz birra e também ela se apresenta tenra e suculenta. A última parcela da equação, o queijo, remete para um prazer ao palato a tender para mais infinito, não fosse ele acabar após três ou quatro dentadas.
  A solução é simples, óbvia e quase obrigatória. Há que pedir mais um e outro pois só dois é pouco... Maravilha!
  O local é acolhedor e com boa decoração. Ao entrar encontramos um espaço de balcão, depois um pequeno corredor que nos leva até à sala e a seguir um espaço aberto que faz as delicias com o tempo mais quente.
  Volto à gastronomia e peço a sobemesa. Estas são gourmet e viciantes. Nota "+" para o bolo de chocolate... Para quem gosta de doces cuidado pois podem encontrar aqui o vosso próximo vício. Para dar o toque de mestre nada como pedir o "borrifador" com o whisky...
  Selem com um café se for do vosso agrado e vão certamente sair satisfeitos da vida.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 23


Casa Louro - Na rua cimo de vila "chovem" presuntos!
Rua Cimo de Vila, nr.80 (Porto)

  Houve um filme que se intitulava "chovem almondegas", mas na casa Louro o sempre agradável aspeto que confere uns presuntos pendurados, podia bem mudar o titulo deste salto para "chovem presuntos".
  E aqui o rei é mesmo o presunto e por isso pouco mais há do que esta iguaria.
  A Casa Louro fica situada na Rua Cimo de Vila, à Sé, nº80.
  Quando entramos o longo balcão, agora em mármore, dá apoio a quem para cima olha em busca da melhor peça.
  Passamos tal como turistas a olhar para os altos prédios, cada um a pensar certamente que o melhor era pegar num inteiro e sacar-lhe uns nacos num recanto qualquer. Faz crescer água na Boca.
  Rapidamente atendidos pedimos "meio kilo" do bicho para matar a fome. Como não podiamos dar numa de gulosos até porque a tarde ainda se adivinhava longa e de trabalho, pedimos também uns pratinhos de broa (que estava divinal), uns bolinhos de bacalhau (que no final totalizavam mais de 10), umas azeitonas que se riam descaradas e que a sorte foi terem caroço, e a acompanhar um tinto, segundo dizem, da Lixa.
  Para rematar pedimos uma sopinha para dizer lá em casa que acompanhamos a carne com legumes!!
  No final o petisco ficava por 11 euros a cada um... é o que dá levar amigos comilões! :)
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 22


Adega do Quim - Ao lado de S. Bento há vestígios dos "Cabrões"!
Rua da Madeiraq, nr.80 (Porto)

  A Adega do Quim faz parte dos locais onde vamos de bom agrado para apreciar uns petiscos, fazer umas refeições económicas e onde há sempre tema de conversa, e já saberão o porquê.
  A Adega fica paredes meias com a estação de São Bento no Porto, mais precisamente na Rua da Madeira. Para quem passa de carro pela baixa do Porto e mesmo a pé, fica com a idéia de que a rua é apenas um acesso ao estacionamento e pouco mais, ficando assim a leste destes pequenos recantos.
  Chegados ao local não há que enganar. Os toldos vermelhos anunciam o que lá dentro se passa: Vinhos e petiscos, cafetaria, casa de pasto... não falta nada! Nem uns famosos ornamentos bovinos que metem respeito!
  Estes objetos encontram-se na parede da parte da Adega, enquanto a outra entrada dá acesso à cafetaria e também à sala de restaurante no primeiro piso.
  A razão de ser destes "enfeites" é que a Adega do Quim é também a sede de um grupo denominado de "Os Cabrões", daí os apetrechos!
  Depois de apreciar toda a decoração marchamos escada acima para a sala de restaurante para apreciar o prato do dia.
  A sopinha veio logo a liderar para cortar o frio que se fazia sentir cá fora. Depois entre os diversos pratos fomos para a vitela com arroz e batata assada. A acompanhar, uma canequinha de tinto. No final, café e "mata bicho" por conta da casa.
  A refeição passou a correr que é também o que se espera de um prato do dia, que saia rapidinho, que venha saboroso e em quantidade qb.
  Aqui tudo isso foi atendido e no final o contentamento do orçamento não ser ultrapassado, pois pão, sopa, prato, vinho e café ficaram pela módica quantia de 5 euros.
  Na sala da Adega do Quim come-se bem e recomenda-se mas nada melhor do que ficar pela parte da adega a petiscar uns bolinhos, rissóis, figado de cebolada, sardinhas fritas e uns chouriços, acompanhado de uma tijelinha, enquanto se aprecia os ornamentos bicudos, cabaças e afins.
  Seguramente que conversa não irá faltar.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 21


Adega Porto Antigo - Cimo de Vila ainda tem muita uva para apanhar!
Rua Cimo de Vila, nr.-- (Porto)

  Este local mora no coração do Porto e é um dos vários locais onde vale a pena estacionar longe e lá ir a pé.
  Isto porque a Adega Porto Antigo fica na Rua Cimo de Vila!! Esta rua, tal como outras circundantes tem a fama de boémia e perdição. Os sons de música de baile e casas de cortinas corridas recordam que esse antigo hábito ainda se mantém... O aspeto parece de algo parado no tempo onde mesmo o sol tem dificuldade em entrar. Convém é não enganar na porta pois paredes meias com o Porto Antigo temos o Night Club Vulcão :)
  No entanto pela rua fora as pessoas sorriem, falam e cumprimentam-se como se de vizinhos se tratasse.
  Entamos. O Porto Antigo mantém um elemento que chega para valer a pena a visita, e é nada mais nada menos do que a decoração e personalização do espaço.
  Numa tarde de calor, a sensação é de estarmos a entrar para debaixo de uma grande ramada, onde podemos "pique-nicar" uns bons petiscos. Os elementos decorativos são vários e ainda são estes elementos que diferenciam estes locais dos tantos outros, normais, onde apenas paredes brancas são cortadas pelo som de um televisor anunciando as notícias do dia no telejornal.
  Adoro ver paredes cheias de tudo... faz-me lembrar o museu dos presuntos (tenho que lá voltar por falar nele)!.
  Voltando ao Porto Antigo, outro elemento positivo é a boa disposição e simpatia das responsáveis.
  A escolha para almoço recaiu pelo prato do dia, uma esparghete com carne estufada, servida após uma sopa bem sacada.
  A confeção e paladar estavam ótimos. No final e de faca em punho esquartejamos umas belas fatias de melão, que seguidas de um café, selaram um almoço bem apetitoso.
  No final a estonteante despesa de pão, sopa, prato do dia, vinho, sobremesa e café ficou nos 5 euros por pessoa. Saímos assim satisfeitos depois de apreciar uma decoração única e com gente bem disposta... Certamente que voltarei à Rua Cimo de Vila pois mora lá mais um par de bons recantos.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 20


Adega Azul - Perto da velha mina mora um ótimo cozido!
Rua António Manuel Sequeira, nr.5 (S. Pedro da Cova)

  A Adega Azul foi uma proposta do amigo Emanuel e o requisito para a visita era que fosse uma quinta-feira.
  A razão é simples e é também a origem da grande procura deste espaço, pois quinta é o dia do cozido como prato do dia!!!
  O edifício faz juz ao nome e não passa despercebido. No entanto para lá chegar há que ter paciência. O caminho foi outrora o realizado pelos trabalhadores da extinta mina de carvão.
  O local chegou a ser o fim da linha do elétrico... é estranho pensar que agora já quase nem autocarros há fora dos grandes centros.
  Devido à localização próxima da antiga mina, são vários os qaudros dentro do restaurante que retratam a mesma ainda em laboração.
  O balcão dá as boas vindas para um par de salas médias e bem organizadas. Os placares recordam que existem mais petiscos do que aqueles que são visíveis na montra e, pelo aspeto, merecem um lanche demorado numa mesa da esplanada.
  Mas floreados à parte, a estrela da companhia era o cozido e eu esperava ansiosamente por ele. O trato é informal e com boa disposição, e entre o vinho e o pão chega o afamado prato!!!
  As doses são individuais e bastante sorridentes! O meu sorriso foi arrancado sem custo tendo em conta a apresentação, diversidade e cor. E isto tudo era ainda sem ter provado o "sacana" do cozido.
  A primeira garfada é por norma mais do que suficiente para tirar a "pinta" ao bicho.
  Digo-vos que como prato do dia faz ver muitas boas casas que o servem à lista e com preço a combinar. Carnes bem confecionadas, com diversidade de ingredientes, toque e sabor caseiro e quantidade para quem trabalha muito (pois como se diz, quem não é para comer não é para trabalhar)! Mesmo para quem já conhece, os elogios duram todo o almoço.
  No final, como o que é doce nunca amargou, ainda juntei uma mousse de chocolate e um café para selar.
  Todos satisfeitos, abanamos a mãozinha pedindo a dolorosa que aqui.... não dói nada! Pão, sopa, cozido, bebida, sobremesa e café, ficou por 5 .50 euros!!!
  A Adega Azul fica na Rua António Manuel Sequeira, nº5, 4510 - São Pedro da Cova.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 19


Adega O Buraquinho - A toca dos verdadeiros petiscos!
Praça dos Poveiros, nr.-- (Porto)

  Há coisas que custam a entender e uma deles é a razão de nunca ter ido ao buraquinho! Dito assim não cai muito bem mas os petiscos cairam que nem ginjas... mas já lá vamos.
  Já tinha ouvido falar deste espaço mas como se costuma dizer: "Palavras leva-as o vento" e tinha que comprovar. Umas imagens vistas na net já só me faziam desejar que o local permanecesse aberto.
  O Buraquinho (para quem não sabe) fica em plena Praça dos Poveiros, e está rodeado de bons locais já aqui narrados. No entanto o Buraquinho diferencia-se em muitos e bons aspetos.
  Na entrada temos logo que contar uns degraus que nos levam para o "sub-mundo" dos petiscos. O nome não podia ser melhor pois trata-se de uma cave de pequenas dimensões mas onde tudo está organizado meticulosamente, dando a idéia de que é bem maior.
  O mobiliário antigo mas bem pintado e tratado, dá um bom ar a esta casa. Mas, o melhor ainda estava para vir. Quando terminamos o lanço de escadas e finalizamos a "inspeção" do espaço reparamos na montra dos petiscos. E aqui não há decoração que bata as iguarias expostas.
  Desde o bucho às tripinhas, aos rojões, orelheira, chispe, entre outros, a minha avaliação visual já colocava o Buraquinho nos lugares do pódio. Faltava provar.
  Fomos 5 convivas, cada um mais curioso do que os outros. Desta forma, nada melhor do que pedir uns pratos mistos para provar tudo e depois mais qualquer coisa individualmente caso fosse necessário. Além dos pratinhos e porções ainda há as diversas sandes!!
  De tudo destaco a excelente confeção das carnes assim como o atendimento, que é tão importante quando há tanto por onde escolher e nos perdemos nas porções. As tripinhas enfarinhadas e fritas na hora foram a perdição. No final nada como um caldo verde para acalmar os ânimos. O vinho da casa é na opnião de quem o bebeu, uma espécie de refresco. Da minha parte nada a dizer do "panaché"!
  No final as contas eram fáceis de fazer. Pouco mais de 8 euros por pessoa pagaram uma bela petiscada.
  À saída, as escadam salvavam-nos agora do "sub-mundo" dos petiscos mas a vontade de voltar ficou vincada, e garanto que não devem perder a oportunidade de ir ao Buraquinho. Para tal basta procurar na Praça dos Poveiros.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 18


Café Santiago - Em busca da Francesinha perfeita!
Rua de Passos Manuel, nr.226 (Porto)

  O café Santiago passa despercebido no turbilhão de outros tantos cafés da baixa portuense.
  Confesso que eu próprio já desci a Rua Passos Manuel enúmeras vezes, e não fosse a proposta de um colega, certamente iria passar outra centena de vezes sem sequer reparar nele.
  No entanto em boa hora foi sugerida esta visita. Aqui, mal passamos a porta sabemos o que leva as pessoas as Café Santiago. As saborosas e bem confecionadas Francesinhas.
  O local por si só não é chamativo, não nos prende ou fascina. A decoração é simples (até demais) e nem nos dá muita vontade de mencionar. No que diz respeito à francesinha a história é diferente... bem diferente!!!
  Penso que a melhor forma de descrever é dizer que ela chegou à mesa, de cor viva e cheiro apetitoso, acompanhada de umas batatas caseiras, douradas e sorridentes.
  À primeira garfada com o queijo ainda a derreter, classifico-a como entre as melhores... a partir daqui a conversa fluiu e já só me lembro de querer mais e não ter. Não é normal acabarmos de comer uma com o apetite ainda a rogar por outra. Mas aqui sim...
  Penso que é muito complicado eleger a melhor francesinha, se calhar é mesmo impossível, mas sem qualquer dúvida que a francesinha do Café Santiago passou também ela a ser referência nesta iguaria.
  O Café Santiago fica na Rua Passos Manuel no nr 226. Porto.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 17


Restaurante Tia Aninhas - Poucos ou muitos, há comida para todos!
Rua Senhor da Boa Morte, nr.15 (Porto)

  O Tia Aninhas é um local descontraido onde as formalidades ficam à porta.
  É um local muito frequentado à hora de almoço pela diversidade e quantidade ao melhor preço. À noite e fins de semana é normal que haja diversos jantares de grupos pois a idéia de comer ao melhor preço é cada vez mais um elemento a ter em conta.
  O Tia Aninhas tem uma sala balizada por um balcão com um alpendre, onde as canecas penduradas dão o aspeto de casa rústica. O resto dos elementos como pratos de barro e tijelas mostram que se tenta criar uma casa tradicional.
  No primeiro andar contam com uma sala de jantar onde a capacidade se expande para os diversos jantares. No verão ainda há a hipótese de comer na esplanada com vista para o Rio Douro.
  A comida não roça o excelente mas não deixa de ser uma válida opção para almoços ou mesmo jantares onde a palavra de ordem é não gastar muito.
  Nesta minha visita começamos por uma canjinha bem saborosa, onde logo a seguir pedimos um panado de sardinha para despistar a gula... que maravilha. Para prato principal uma maminha com arrozinho e feijão preto com um tintinho a acompanhar. A sobremesa trazia uma mousse para adoçar a boca. O café despertou para a necessidade de acabar por hoje esta hora de almoço.
  No final a conta era simples de fazer pois o total de 28 euros para os 4 presentes dava 7 euros a cada um.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 16


Cervejaria Gazela - Os famosos cachorrinhos da Batalha!
Travessa Cimo de Vila, nr.4 (Porto)

  Há muito que andava a fugir de fazer uma crónica sobre a cervejaria Gazela. Já lá fui cerca de 4 vezes, mas deixava a crónica sempre para a próxima visita, só para ter o pretexto de lá voltar.
  No entanto não há melhor pretexto do que os magníficos cachorrinhos e pregos em pão que ali são servidos.
  É caso para dizer que a arte destes snacks moram do lado de fora do teatro. Quem está de frente para o Teatro de São João, vê a Travessa Cimo de Vila à sua direita, e logo no número 4 mora este pecado.
  Como vizinhos há outros tantos cafés e snack's, mas os toldos laranja não deixam enganar.
  Lá dentro o pequeno balcão "transporta" apenas cerca de 20 passageiros que rapidamente são servidos pelos 2 empregados do turno. A lista até existe mas quem aqui vem já sabe o que a casa gasta. No balcão ou apoiados na prateleira de apoio pede-se o 1+1 ou o 2+1 consoante a gula de cada visitante.
  Por norma pede-se um cachorro e logo o prego para que venha tudo seguido (1+1), e a organização é tal que geralmente bate certo.
  Mal o pedido é feito, preparamos o estômago e aguçamos o bico com uns tremoços cascudos e um príncipe que estala goela abaixo.
  O cachorro chega pouco depois, bem prensado, tostadinho e partido em pequenas tiras que se devoram como batatas fritas... quem as quiser também as há.
  O primeiro vai enquanto o "ministro" esfrega um olho, acompanhado da loira refrescante. Peço o segundo e mando preparar o prego, sinto-me a lambusar por dentro.
  Novo "round" de cachorro e cerveja, e não fosse o bom senso isto não ficava por aqui. O segundo acaba e com ele começamos, só agora, a relaxar da ansiedade que tinhamos antes de entrar. O prego, tenro e sucolento, serve para dar consistência e que fazer ao estômago na tarde que se adivinha... Que delícia. Não fizesse isto mal e não me alimentava eu de outra coisa.
  O final chega rápido, mas apenas para mim visto que o movimento à porta promete dar que fazer nesta toquinha dos petiscos.
  O café sabe bem se tomado já numa das esplanadas da praça, vendo o movimento da Batalha e admirando os detalhes deste belo local da invicta. Certamente um local a visitar. Até já Gazela!
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 15


Adega do Olho - As remodelações estão à vista mas não deixa de ser uma casa com história!
Rua Afonso Martins Alho, nr.-- (Porto)

  Cruzo a Ponte D. Infante e rasgo o Porto pela Sé. O frenesim para a festa do S. João já se faz sentir pela quantidade de bancas, luzes, barracas e demais adressos.
  Neste dia saí sem destino e na esperança de que em qualquer esquina ou bêco, encontrasse um qualquer tasco para almoçar. Desci para a zona dos Aliados e por entre as obras e máquinas, sou levado para a Rua das Flores. Farto do trânsito parado, vejo uma biela e passo pelo novo passeio, e dou de caras com a Adega do Olho! Pisquei-lhe o meu e estaciono.
  Pelo que conheço de ler e ouvir, a Adega do olho seria um sítio antigo, sem conforto, uma típica tasca com a sua história, e por isso não sabia o que ia encontrar. Contudo, confesso que de todos os cenários que idealizei, esbarraram na realidade de um restaurante recuperado, "pintadinho e bonitinho" que pouco mantinha do original (tirando as paredes de pedra e mais alguns elementos).
  Confesso que fico sempre com alguma "tristeza" quando vejo uma antiga tasca renovada. No entanto convém dizer que está tristeza é apenas pelo facto de muitas vezes esquecerem a origem, as catacterísticas pelas quais estes espaços ficaram conhecidos. e pelas quais elas se podem diferenciar.
  Aqui temos o nome, boa comida e gente simpática. À mesa somos servidos por uma personagem dada à boa disposição e bigode farto, conhecedor da cidade e crítico perante a forma de tratar o turismo e da forma que as obras envolventes evoluem.
  Por outro lado, falou-me de umas Tripas à moda do Porto. E com esta "entrada a pés juntos", já só tive voto na matéria para pedir uma sopa, um copito de maduro tinto e pão para empurrar a fome para longe.
  O sabor, consistência e diversidade da dose fechou com nota bem positiva e este local poderá ser visitado em qualquer situação ou companhia pois não irá deixar ninguém fora do seu habitat ou constrangido.
  No final, sopa, Tripas, vinho, pão e café ficaram por 6.15€.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 14


Casa das Iscas - Há quem lhe chame "sapatilhas", mas para as comer há que dar corda aos sapatos!
Largo da Igreja de Paranhos, nr.-- (Porto)

  É Verão na teoria. O Junho é incerto e liberta a medo alguns raios de sol. Aproveito a aberta e saio para mais um Salto à Tasca.
  Numa qualquer aldeia, estar no largo da igreja a ver as modas não é nada de extraordinário ou digno de registo. No entanto, a visita a este repasto levou-me até ao Largo da Igreja de Paranhos. Para quem conhece a zona, sabe que na esquinha oposta à Igreja temos a Casa das Iscas!
  O toldo cor de laranja chama a atenção de quem passa e apresso-me a entrar pois a curiosidade puxava pela fome e eu não sou pessoa de contrariar os meus instintos.
  Esta casa é formada por duas divisões. A entrada principal dá para os dois balcões de inox, onde a cozinha à vista de todos dá um aspecto de remodelação recente mas mantendo os elementos que dão vida a estas casas. Do outro lado, numa sala com paredes de pedra, a meia dúzia de mesas jogam uma espécie de dominó à espera de novos clientes.
  Sento-me e contemplo o espaço no sossego e qualidade de único cliente, por enquanto.
  Mesa posta e eis que sou abordado para dizer de minha justiça e aqui não há muito por onde fugir. Estamos na casa das Iscas por isso venha ela para registo da minha estreia nesta casa. Para aperitivo e após sugestão da D. Natália, perco-me de "sabores" por uma broa, umas azeitonas e umas tripinhas enfarinhadas que eram uma delícia. Bem fritas e estaladiças não há como resistir. Para temperar a coisa, pedi um copinho de maduro tinto..
  É chegada a hora de comer a famosa isca, e pelo tamanho do "bicho" acho que uma hora não deve chegar! Que bom aspeto...
  Basicamente estamos a falar de uma posta de bacalhau inteira que é envolta em farinha. A "baroca" ou "sapatilha" (como também é conhecida), é de biqueira larga e dá luta, o seu sabor é viciante e diz quem sabe que o segredo está no condimento e feitura.
  Aqui estamos perante o Rei das Iscas mas também encontramos (geralmente ao lanche, período de maior afluência), umas moelas, bucho, tripas enfarinhadas ou petiscos do dia.
  Tiro uma foto para marcar mais um salto à tasca e peço a lista da despesa. No final, broa, azeitonas, 3 tripinhas enfarinhadas, uma bela isca de bacalhau, copinho de vinho e café somaram 8.10 euros.
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 13


Adega Rio Douro - Também conhecida pela Tasca da Piedade!
Rua do Ouro, nr.223 (Porto)

  O sol navegava pela marginal do Porto. Tal como um barco rabelo, "desembarquei" na Ribeira e fui em direção ao Fluvial, desfrutando dos primeiros dias (verdadeiros) de Primavera.
  Estaciono em plena Rua do Ouro. Duas mesas servem de esplanada e denunciam a Adega.
  Entro, aprecio o ambiente e num breve piscar de olhos já é preparado um lugar para me sentar. Aqui já todos sabem que as mesas são para se aproveitar por isso é normal que a dividamos com quem por lá almoça, e ninguém parece estranhar. Começo a absorver todos os detalhes do local... Nisto ouve-se cantar o fado e procuro, perante o ar de normalidade de toda a gente, saber de onde vem aquela voz formosa e bem segura. Nada mais nada menos do que da cozinha. Num misto de espanto e surpresa, deixo escapar um sorriso pela situação que acabava de dar algum colorido a uma normal hora de almoço.
  Quem frequenta habitualmente esta casa, sabe que o fado está entranhado em cada poro de quem por lá anda. É normal que as tardes de fado se prolonguem pela noite dentro. As cantorias misturam-se com o bater dos pratos e o tilintar dos talheres, dando o mote às conversas que decorrem nas mesas, 8 ao todo.
  A gestão é familiar e a maior parte da clientela da redondeza. O trato aqui não se deixa levar pela boa aparência. Quase todos são tratados como "meu amor", "meu amado", "panados para a nossa menina"... que rico fado.
  O espaço está bem mantido e levou certamente uma refrescadela recente. Os materiais alternam entre a pedra, a mármore e a madeira. Os artefactos pendurados vão desde cabaças, lanternas, quadros e quadras do fado, serrotes e outras "ferranchadas".
  No menu habitava a escolha entre umas tripas, uns panados ou uma costelinha estufada. Os panados não tinham segredo mas não comprometiam nenhum palato mais requintado. São pratos económicos acompanhados do mesmo.
  Na sala, a D. Alice vai marcando o ritmo (bem despachado) enquanto na cozinha a Sra. sua mãe (D. Piedade), confeciona os pratos alternando com mais umas estrofes.
  Saí satisfeito, não tanto pela qualidade e diversidade, mas sim pela forma genuína que se vive neste espaço. É uma casa das vozes do fado vadio e isso diz muito... ou quase tudo.
  No final, pão, prato, vinho, e café cifravam-se nos 4.50eur.
  A adega Rio Douro, por estes e outros elementos, irá certamente perdurar no tempo e "até que a voz nos doa".
  César Ribeiro



Salto à Tasca - 12


Taberna Santo António - O requinte do ambiente familiar!
Rua das Virtudes, nr.32 (Porto)

  Hoje foi uma saída para almoço daquelas que eu gosto. Sol, temperatura agradável e gasolina no depósito.

  O sítio escolhido, apesar de já conhecido, mereceu uma nova visita e acima de tudo a referência que se segue.

  É Quinta-feira, e no Porto por muito que tentemos desviar a atenção e recusar os diversos atentados aos sentidos, as Tripas à moda "da invicta" dificilmente dão para resistir. Mas aguentei-me... Sentei-me logo à entrada no balcão que se nos apresenta e pedi uma sopa.  O copo de tinto e o pão maroto acompanharam esta viagem.

  Resisti como gente grande mas na hora da verdade (ou do pedido) a boca falou mais alto e os olhos sorriram ao ver as travessas fumegantes em direção à sala... "Queria umas Tripas!".

  O bom desta casa é que, e até ver, as "duas faces da moeda" são positivas, neste binómia do bem servir e do bom comer. As tripas estavam óptimas e sabiam mesmo a Tripas à moda do Porto! Adoro os locais onde as comidas sabem ao que são! Manias! :)

  O local é agradável. A entrada é para o balcão de inox onde uns petiscos se mostram na vitrine. A dois passos temos a entrada para uma pequena sala, onde meia dúzia de mesas fazem a festa. Uns quadros e uns vellhos instrumentos pendurados nas paredes de pedra, dão a "nota" para um agradével serão.

  O negócio familiar é gerido de forma eficaz e eficiente e de uma forma atenciosa. Ninguém vai embora sem conhecer a cozinheira e dificilmente sem provar a mousse de chocolate do patrão.

  Local a voltar seguramente. No final, a sopa, pão, as boas tripas e o copo de tinto, cifraram-se em 5.70 Eur.

  A Taberna Santo António fica na Rua das Virtudes, 32 perto da Cordoaria.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 11


Restaurante Meia Pipa - Era bom mas acabou-se...!
Rua Cimo de Vila, nr.25 (Porto)

  O tempo corria farrusco e a entrada passa despercebida. No entanto o pequeno fogareiro à porta conduz o apetite até mim, por entre ruas apertadas e predios esguios. Estou a um passo da Sé e já por lá tinha andado aquando da visita ao Alfredo Portista. Entro no Meia Pipa. 

  O balcão é comprido e recente, os azulejos antigos combinam com uma pintadela jovem de um azul celeste, digo eu. Ao fundo uma antiga pipa serve agora de suporte para a televisão. O vinho esse, sai agora das atuais "wine box" sejam elas de Valpaços, do Cartazo ou do Alleu.

 Um pequeno aparelho sintonizado na rádio Festival mata o silêncio entoando uns fadinhos, o que no meio de um Porto antigo e parado no tempo, faz-nos viajar ao passado, a uma azáfama de um Porto comercial, de venda ambulante, de vida, alma e riqueza. Mas disso já pouco resta.

  O fado é mais do que uma companhia nesta casa, pois letreiros e publicidades anunciam as sucessivas noites de fado, por norma ao Sábado.

  A sopa servida numa tijela de barro "foi feita ao lume" e aquece-nos a alma. O menu nesse dia oferecia um Rancho (massa com grão de bico e carne, para quem não está familiarizado), umas costoletas ou um arroz de pato, mas para assar havia ainda um cherne, salmão e mais um par de bons peixes. Dei um "pé de Rancho".

  Enquanto espero ouço as conversas e os tratos alheios. Os clientes são habituais e antes mesmo de entrarem já a sua sopa é encaminhada para a mesa com um serviço personalizado. O trabalho aqui flui com um tratamento muito "terra à terra" com um bairrismo saudável.

  Veio o rancho. Servido na panela dá logo uma sensação de algo caseiro. Sirvo-me e provo... Que delícia. Ora aí está um prato bem confeccionado e em quantidade acima da média para um prato do dia. Não é fácil encontrar igual.

  No final, o queijo com marmelada espreitava da vitrine mas a luta com o tacho do rancho deixou-me KO. Saltei a etapa e pedi um café. O Meia Pipa dispõe ainda de uma sala de jantar mais moderna e bem decorada, capaz de servir bons jantares de grupo (por marcação). Voltarei... 

  No final sopa, pão, bebida, prato e café ficaram pelos 5 euros.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 10


Casa Monte - A tasca que viu "morrer" o palácio!
Rua D. Manuel II, nr.230 (Porto)

  A Casa Monte fica situada, quase a par de outra antiga tasca (A Flor do Palácio), mesmo em frente ao Palácio de Cristal, chamado hoje de Pavilhão Rosa Mota. Viemos aqui parar após termos encontrado a Tasca O carvoeiro fechada... se calhar já o está hà muito tempo.

  Segundo o proprietário Ramiro Cardoso, e olhando para o livro das Tascas que eu transportava, metade do que eu iria ler era apenas recordações de casas antigas e que estavam apenas presente nas memórias de quem as frequentou. Ele próprio diz que a Casa Monte apenas sobrevive, desde que acabaram com a feira popular e com o jardim zoológico. As excursões que ali paravam e que faziam a alegria daquela zona, acabaram. Aliado a isso as obras do Túnel de Ceuta e fiscalização.

  No entanto, a meu ver o movimento continua e não basta apenas fazer queixa do tempo e de tudo o que acontece pois acredito que a Casa Monte poderia oferecer muito mais! Vi clientela mas não vi o brio e prazer de mostrar mais história, de servir como "quando se servia 1000 doses de caldo verde por dia", de mostrar que são diferentes do resto.  Não podemos culpar apenas os cafés e confeitarias que segundo Ramiro Cardoso, acabaram com o negócio quando começaram a servir pratos do dia.

  Digo isto pois pelos 8,30 euros que pagamos cada um por pão e manteiga, umas febras, 1/4L de maduro da casa e um queijo com marmelada, é um preço que quem paga já espera não ter um arroz branco... aquecido.

  Nestas casas, um arroz branco ou um arroz malandro do dia é meio caminho andado para acompanhar qualquer coisa e aquecer a alma, é o tradicional, o que nos sabe bem, o que procuramos, caso contrário, basta-nos ir a qualquer confeitaria ou café e pedir os básicos pratos do dia. Estas casas não deveriam querer competir com o resto, é suposto mostrarem a sua história e a contarem pois não é suposto ela morrer apenas das memórias de quem as viveu.

  Voltarei à Casa Monte, mas ficarei pela parte do balcão a petiscar algo, e a olhar para os produtos que estão expostos para venda na parede e que me fazem lembrar tempos passados. O mais "curioso", um expositor de pentes, os que os senhores guardavam no bolso do fato e que volta e meia passavam para manter o seu visual bem alinhado, era o chamado "passar a pente fino"!

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 9


Adega Alfredo Portista - A adega mais "azul e branca" do Porto!
Rua do Cativo, à Sé, nr.-- (Porto)

  Esta era uma tasca onde eu apostava que ia passar uma boa hora de almoço. Mais não fosse, poderia passar o tempo a recordar o historial do F. C. Porto, pois quadros e posters das diversas formações desta equipa, é coisa que não falta.

  Esta casa é como um santuário portista e o seu proprietário, Sr. Alfredo, gosta de pintar tudo do azul do seu porto. As portas azuis à "saloon" abrem-se para uma, agora, casa de pasto com muito bom aspeto. A par da Adega Correia, a Adega o Alfredo Portista passou para o top das minhas escolhas.

  As paredes estão revestidas a azulejos azuis e brancos, o balcão lateral guarda os petiscos e serve de catapulta para os copos de vinho que vão sendo servidos com prontidão a quem lá passa, pelo Sr. Rui, filho do proprietário.

  Após 3 pequenas mesas avistamos duas antigas pipas que ainda guardam a perdição e razão dos excessos do deus grego, e nos lembram os inicios deste estabelecimento. Todos os quadros, bonecos e referências ao grande clube da invicta, dão um bom ar a esta casa que se apresenta além disso limpa e bem organizada.

  No fundo encontramos umas estreitas escadas de madeira que nos levam ao primeiro andar onde existe uma pequena sala de jantar e se servem os pratos do dia. Eu fiquei no rés do chão e para matar a fome a escolha foi um arroz de hortaliças com sardinha frita, simples e bem aceites ao meu palato.

  Durante o café fiquei a admirar o espaço e a ver o vai vem de fregueses que vêem nesta casa um local castiço, vivo, onde se serve simpatia e a arte de bem receber, onde impera a simplicidade e nos sentimos "em família" e iguais. Voltarei...

  No final, a broa, a boa sopa, prato, copo de vinho, fruta e café foram trocados por uma nota, também ela azul, de 5 euros.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 8


Adega São Martinho - Uma das mais antigas tascas do Porto!
Rua D. João IV, nr.795 (Porto)

  Após a visita a alguns tascos, que por vezes apenas o eram de nome, eis que sinto que cheguei ao mais genuíno e tradicional que há. Isto pode sempre ser visto do lado positivo como do lado negativo.

  Positivo, a meu ver, é sentir que a hora que passei ali, era uma representação fiel daquele negócio, fosse há 20, 30 ou 40 anos atrás. Duvido que houvesse muita diferença nas últimas décadas e senti que quem frequenta este local, fá-lo para comer com o pouco que tem, e para alimentar o vicío de uma forma mais barata do que nos restantes cafés/restaurantes da cidade.

  A simplicidade reina neste local, ao ponto de ver ao meu lado alguém para quem um ovo estrelado com azeitonas e um bom copo de vinho, é uma refeição digna de um rei.

  O local é antigo e não deve ter sofrido obras nos últimos anos, e presumo que assim ficará até que a Dona Teresa já não tenha forças para descer as escadas e manter este "ritual". Diz que já o faz apenas para que se mantenha o que o falecido marido deixou.

  Aqui presenciei um par de situações únicas. A primeira é o facto de as contas serem feitas em escudos e escritas na pedra do balcão. Os calotes também figuram aqui e apesar deste raciocínio, a D. Teresa não deixa que os euros a confundam.

  Outra situação é o antigo mealheiro (ou caixas seladas na parede) dos clientes habituais que por vezes, poupam em mais um copo e lá guardam na caixa o remanescente. Este ritual ainda continua e as mesmas são abertas por altura do Natal.

  A parte negativa é a capacidade para servir almoços, que simplesmente não existe. Os almoços são feitos à medida da meia dúzia de resistentes que por ali param. No entanto, não faltaram uns bons panados ou uns bolinhos de bacalhau para embrulhar em pão, enquanto um copo de vinho amaciava o mau tempo que se fazia sentir lá fora.

  Não digo que voltarei, a não ser que seja num fim de tarde, para relembrar estas pessoas simpáticas e bairristas enquanto se come um panado ou um bolinho regado com um maduro tinto.

  No entanto o mais certo é que este lugar fique marcado e gravado na minha memória, sabendo que no em dia que feche, perde-se mais uma casa que marcou várias gerações e que guarda certamente muitos e bons segredos.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 7


Tasquinha do Oliveira - Há quem lhe chame "sapatilhas", mas para as comer há que dar corda aos sapatos!
Largo da Igreja de Paranhos, nr.-- (Porto)

  Então fica aqui um pequeno resumo deste "retiro" que virou "tasquinha".

  O Retiro da Lixa já se chamou Celoricense, Alvarenga, Retiro da Lixa e nesta nossa visita, e após sofrer algumas remodelações, já é a Tasquinha do Oliveira (sonho antigo do proprietário, Fernando Oliveira).

  Os tempos são outros. Diz-se que por ali se cantava até às 2h e 3h da manhã. O ambiente era diferente e hoje em dia o fecho é por volta das 23h senão antes, pois não há fregueses, nem seguranças nas ruas.

  Mas é pena que assim seja pois desta visita só temos a falar bem. O espaço está acolhedor, levou uma boa refrescadela, mantém alguns elementos que gostamos de ver pendurados, e acima de tudo fez-nos um coelho estufado como eu não comia há muito. Confesso que o ar de Tasca apenas se revela vagamente na zona da entrada, onde um pequeno telhado em forma de alpendre cobre o balcão e deixa residir alguns elementos rurais pendurados. Para mim é mais um pequeno e típico restaurante do Porto, mas que apresenta uma excelente qualidade nos produtos que serve.

  Segundo o Sr. Fernando, "Além do bacalhau à Taralhoco (especialidade da casa), há o congro com ervilhas, costeletas de sardinha, bucho, galo caseiro, e claro, os petiscos da ordem -fígado de cebolada, bolinhos de bacalhau, presunto, carne assada e iscas de bacalhau". O ambiente foi calmo e de conversa animada.

  No final acertamos as migalhas para acompanhar um queijo da serra com marmelada, empurrado pelo último gole da canequinha de maduro tinto. O café espevitou para a tarde de trabalho que se seguia e que não muito longe daqui nos esperava. A conta essa, foi certa para não levarmos trocos no bolso: 10 euros por pessoa.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 6


Casa Costa - Mais uma nas Taipas!
Rua de Trás, nr.224 (Porto)

  E lá aconteceu mais um salto à Tasca... E desta vez acho que encontravamos algo perto do que procuravamos.

  Isto porque o conceito de tasca tem desvanecido em grande parte às exigências das entidades que regulam os estabelecimentos comerciais. Ou seja, muitos deles com a necessidade das obras aproveitam para dar uma nova cor e transformam a casa já num restaurante, com mais ou menos apontamentos.

  A Casa Costa também fez essas obras mas... o espírito e sensação mantêm-se. A Casa Costa fica na Rua de Trás, junto à Torre dos Clérigos e perto do Jardim da Cordoaria.

  Esta casa centenária mantêm o traço invicto tal como a cidade. As portas de estilo saloon abrem-se para a simplicidade, humildade e com um atendimento simpático e próximo.

  Rapidamente sorrimos e nos sentimos de acordo com os princípios destes "Salto à tasca". Os pedidos foram certeiros: uns Rojões à moda do Minho e um bacalhau cozido. O facto de vir um grande dente de alho para a mesa para o tempero, cria logo o "tu cá tu lá" de quem faz como se estivesse em casa.

  Da cara antiga da Tasca sobra uma pipa exposta quase como símbolo, garrafas com algum tempo e o presunto à espera do fio da navalha e uns petiscos. Ainda no seguimento do prato, e após repetir, uma canja das boas e café. No final... 6.5 euros a cada um.

  A Casa Costa aposta agora numas refeições mais económicas mas mantêm o segredo das casas de pasto da nossa cidade.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 5


Rei dos Galos de Amarante - O "piolho" das Taipas!
Rua das Taipas, nr.125 (Porto)

  O Rei dos Galos de Amarante foi uma tasca típica onde os estudantes de Psicologia faziam umas belas tertúlias. Enquanto a faculdade de Psicologia se manteve nas Taipas, o Rei dos Galos era um bocado como atual Café Piolho, na Cordoaria. Tinha pipos, vendia uns copitos, tinha os petiscos tradicionais e um presunto à maneira. O Rei dos Galos vivia da clientela estudantil e de um ou outro almoço, e por aqui passaram grandes personalidades da cidade.

  Devido a esta pequena história a expectativa era grande. Mas da expectativa ao espanto foi um pequeno salto. Com o relógio já a bater na uma da tarde, éramos os únicos clientes do Rei dos galos. Fomos prontamente e bem servidos quer em comida quer em bebida. Para a mesa vieram umas tripas e umas lulas recheadas. Tudo muito bem confecionado e de paladar guloso.

  Nos dias que correm a tertúlia praticamente acabou, a faculdade saiu das Taipas para o Campo Alegre e o conceito mudou. Passou de adega para restaurante e foi a única forma de o Rei dos Galos se manter.

  No entanto há que salientar o Arroz de Cabidela que espero um dia voltar para experimentar. Diz quem provou que é a não perder. O dito frango do campo chega à mesa a fumegar, impregnado do aroma de um belo ramo de salsa, também do campo, sem vinagre a mais, e feito com arroz carolino, como deve ser.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 4


Adega Correia - Uma das melhores tripas da Invicta!
Rua Barbosa de Castro (Porto)

  Há já algum tempo que ansiava por experimentar este cantinho. Por um lado porque já ouvira falar muito bem das Tripas e por outro tinha o receio de não ir a tempo. Isto porque o letreiro na porta a dizer "passa-se" antecipa o que poderá vir a acontecer num futuro próximo... menos um restaurante típico cheio de história na nossa invicta.

  Mas enquanto ela estiver aberta digo-vos que é uma das melhores casas no Porto para apreciar umas bela tripas. A forma como a D. Filomena Correia (que gere a casa com o marido José Correia) cozinha, há 38 anos, as tripas "tripeiras" é muito apreciada. Apresenta as carnes (compradas no Talho da Torre dos Clérigos) numa travessa, noutra o feijão e as Tripas. O arrozinho branco completa o ramalhete.

  O espaço é acolhedor e preserva alguns traços e detalhes da época a que remonta. Na entrada temos o balcão onde o Sr. José faz as contas em papel branco. O peso dos anos fá-lo curvar-se um pouco perante algum cansaço mas garante que enquanto ainda poder, esta casa fará o que tão bem sabe, servir bem.

  No final a abundância de tripas, o nosso jarrinho, pão, manteiga e café cifrava-se nos 11 euros por pessoa.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 3


Casa Guedes - As famosas sandes de pernil!
Praça dos Poveiros, nr.130 (Porto)

  O dia convidava a sair de entre 4 paredes e aproveitar a hora de almoço para novo "salto à tasca".

  Desta vez o caminho fez-se perto e passando a Ponte do Infante subi em direção ao jardim de S. Lázaro, contornei o quarteirão como mandam as regras, e estacionei junto à Praça dos Poveiros tal como mandava o roteiro de hoje.

  Ao lado do número 130 da mesma praça, uma dúzia de mesas formavam uma esplanada que chamava por nós. Mais contente fiquei ao reparar que pertenciam ao local escolhido para almoço. Quando virem um toldo rosa não há que enganar.

  Casa Guedes! Para quem conhece está tudo dito, para os restantes nem vos digo nem vos conto! Fiquei fascinado!

  Hoje fui eu e o Zé Maria, e rapidamente pedimos duas sandes para entrada, dois panachês e uma dose de batata para cercar o bicho.

  Sandes fantásticas....! Podem escolher entre pratos do dia e outras sugestões mas as sandes imperam. São sandes de Pernil de porco, bem temperadas e molhadas que se fundem num pão aquecido de mistura... Estaladiças e recheadas, voaram enquanto o "faíscas" esfregou um olho.

  Numa próxima visita vou experimentar o vistoso presunto e o queijo da serra! No final a nossa conta de 4 sandes, batata, 2 panachês e 1 café batia nos 15.30€.

  Por hoje ficamos bem satisfeitos. Vamos ver o próximo...

  A Casa Guedes fica na Praça dos Poveiros, nr.130, no Porto.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 2


Tappas Café - Das melhores francesinhas no forno!
Rua 25 de Abril, nr.95 (Vila Nova de Gaia)

  E chegado mais um salto à tasca, lá fomos nós comer pois como se costuma dizer, "quem não é para comer, não é para trabalhar".

  Hoje contei com a companhia de dois Josés, o Araújo e o Jesus (este apareceu sem avisar mas sendo "Jesus" está à vontade para estes números) :)

  Mas ainda bem que decidiu aparecer pois assim foi ainda mais composto. Vários dedos de conversa, uma salsicha em molho de francesinha de entrada, uma francesinha no forno, umas batatinhas saborosas, uma liteira fresquinha traçada, uma Jawa ao lado da mesa a fazer o quarteto, e no final um "xiripiti" para dar forcinhas para a tarde.

  O elemento principal é mesmo a francesinha. Boa, bem confecionada, com várias alternativas de recheio, com um molho agradável (com a hipótese de acrescentar um outro bem picante com a mesma textura), bem quente por toda e com o toque de um queijo derretido no forno.

  A decoração faz deste um excelente espaço para se visitar. Convém marcar pois o horário é reduzido e a afluência grande. O proprietário Carlos Saraiva sempre presente demonstra através da boa disposição e cortesia como se faz uma boa casa.

  No final e bem satisfeitos, pagamos 13 euros por pessoa.

  César Ribeiro



Salto à Tasca - 1


Café Conga - As melhores bifanas!
Rua do Bonjardim, nr.318 (Porto)

  Os gostos, como se costuma dizer, são sempre muito relativos. Segui a indicação do meu amigo Zé Maria e neste momento tenho para mim que as melhores bifanas do Porto são mesmo as do Café Conga.

  Quando se entra no Café Conga o que se vê em cima das mesas e balcão são sandes de bifana e papas de sarrabulho.

  Não sou grande fã de papas e muito menos num dia de calor insuportável como o de hoje. Mas dizem que são ótimas, especialmente se levarem um bocado de molho de bifana. Noutro dia talvez...

  Nós estávamos lá era mesmo pelas bifanas e num serviço rápido e eficaz veio a primeira rodada. Com um pão fresco e recheio que chegue, não demorei nada a devorar a primeira. Digo-vos que nem consegui degustá-la. Só notei que eram picantes e com um molho delicioso, molho esse que vinha quase a ferver o que cria um misto de "quero mas não posso", "se te apanho mato" e "anda cá que não te faço mal". É viciante!

  A conversa seguia animada falando de tascos e motas e nisto vem a segunda rodada, acompanhada de mais um fino traçado que isto a seco não funciona. Nesta já consegui esperar um minuto para tirar a foto, mas foi coisa rápida pois ela estava a arrefecer. Satisfeito satisfeito só mesmo quando acabei a terceira e não fosse a réstia de juízo que me resta e não sei se aquilo ficava por ali!

  Mas não se pense que fui só eu pois os meus amigos Zé Maria e Osório não ficaram atrás. Éramos 3 contra 9 bifanas, mas ganhamos!!!!

  No final a conta foi rápida, 8 euros a cada um. Um cafézinho na praça e estava passada uma excelente hora de almoço e em boa companhia. Daqui a 15 dias escolhemos outro.